Câncer urogenital
Câncer de próstata
O câncer de próstata, com
209.900 casos diagnosticados em 1997, é o câncer mais freqüente no sexo masculino.
É a segunda principal causa de morte por câncer entre os homens, com 41.000
óbitos em 1997, perdendo apenas para o câncer de pulmão. Acredita-se que um
em cada dez homens desenvolvem essa doença durante a vida.
Apesar da incidência elevada
do câncer de próstata, tendo em vista que faltam evidências demonstrando um
melhor prognóstico nos pacientes com diagnóstico precoce da doença, os programas
de rastreamento ainda são motivo de controvérsia.9 A utilização do exame do
antígeno específico da próstata (PSA, sigla em inglês) para o rastreamento do
câncer de próstata é um dos assuntos mais polêmicos na área de medicina preventiva.
Diferentes recomendações têm sido apresentadas por várias instituições e organizações.
Os autores desse artigo
acreditam que o rastreamento com o PSA deve ser analisado caso a caso, sendo
realizado após os 50 anos de idade (ou 40 anos em negros e pacientes com história
familiar da doença). Os pacientes devem estar cientes do risco da doença, da
falta de evidências relacionadas às estratégias de rastreamento utilizando o
PSA, além do risco de resultados falsos-positivos e falsos-negativos desse exame
e dos possíveis efeitos indesejáveis das diferentes modalidades terapêuticas
da doença. Quando, após o aconselhamento adequado, o paciente desejar realizar
o rastreamento, acreditamos que o exame deve ser disponiblizado pelo médico.
Em comparação com o uso
isolado do teste de PSA, acredita-se que o "PSA-livre" seja um exame de maior
sensiblidade para o diagnóstico de pacientes com risco elevado para o câncer
de próstata. Valores acima de 25% apresentam sensibilidade de 95% para descartar
o câncer de próstata em pacientes cujos valores de PSA total são inconclusivos
(entre 4 e 10 ng/mL).
Os fatores de risco para
o câncer de próstata incluem antecedente familiar da doença e raça negra. A
presença de hiperplasia benigna da próstata não é considerada um fator de risco
signficativo. O tabagismo e a dieta não parecem contribuir para o desenvolvimento
da doença. Embora alguns trabalhos tenham apontado uma incidência um pouco maior
em pacientes que realizaram vasectomia, os dados disponíveis atualmente não
permitem estabelecer uma relação causal.
Na maioria dos casos, o
câncer de próstata é uma doença insidiosa. O câncer bem diferenciado apresenta
uma sobrevida em 5 anos de cerca de 98% e, em 15 anos, de aproximadamente 83%.
Por outro lado, as formas pouco diferenciadas apresentam sobrevida de 68% e
25%, respectivamente. Infelizmente, os pacientes com diagnóstico de câncer de
próstata antes dos 65 anos de idade apresentam maior risco de desenvolver doença
metastática e apresentar uma pior evolução da doença.
O tratamento do câncer de
próstata pode incluir a prostatectomia, a radioterapia, hormonioterapia e observação
clínica. Cada modalidade terapêutica apresenta vantagens e limitações. Entretanto,
o médico deve instituir o tratamento mais adequado levando-se em consideração
a idade do paciente, o estadiamento, a presença de comorbidades, estilo de vida
e expectativa de vida.
Carcinoma de células transicionais da bexiga
O carcinoma de células transicionais
da bexiga é o segundo tipo mais comum de câncer urogenital. Em 1998, cerca de
54.000 casos da doença foram diagnosticados, com 12.500 óbitos. A incidência
é 2,5 vezes maior entre os homens, sendo ainda mais freqüente nos brancos.8
A apresentação clínica mais
comum é sob a forma de hematúria macroscópica ou microscópica, embora possam
ocorrer disúria, urgência miccional e polaciúria. O diagnóstico é realizado
por cistoscopia, com base na identificação de alterações da mucosa da bexiga.
O tratamento inclui desde
a quimioterapia intra-vesical até a cistoprostatectomia, dependendo do estadiamento
da doença. Quando não é tratado, o carcinoma de células transicionais da bexiga
pode produzir metástases rapidamente. O médico deve estar atento a esse diagnóstico
em pacientes com hematúria ou sintomas urinários incompatíveis com outras etiologias.8
Câncer de testículo
O carcinoma de testículo
é o tumor sólido mais freqüente em pacientes do sexo masculino entre 20 e 34
anos de idade, com uma incidência de cerca de três casos para cada 1.000 homens
nessa faixa etária. Os indivíduos com antecedente de criptorquidia ou orquipexia
apresentam 2,5 a 20 vezes mais risco de desenvolver o carcinoma testicular,
em comparação com a população geral.
Essa condição se apresenta,
na maioria das vezes, de forma assintomática ou como uma massa testicular. Embora
o rastreamento através do auto-exame não seja recomendado pela U.S. Preventive
Health Services Task Force, os autores desse artigo acreditam que é importante
ensinar aos adolescentes do sexo masculino como realizar o auto-exame testicular,
tendo em vista que o diagnóstico precoce permite a cura da doença em praticamente
todos os casos. O diagnóstico tardio, por sua vez, está relacionado a maiores
taxas de morbidade e mortalidade.
Uma abordagem interessante
em relação ao auto-exame testicular é aconselhar aos jovens do sexo masculino
a realizar a palpação pelo menos uma vez por mês, durante o banho quente. A
água quente relaxa o músculo cremaster e permite uma melhor avaliação dos testículos.
O paciente deve ser instruído a segurar o testículo entre o polegar e os dois
primeiros dedos, com o polegar localizado na porção posterior do testículo.
Com os dois dedos, o paciente avalia toda a superfície do testículo, pesquisando
nódulos endurecidos que são facilmente diferenciados do tecido normal, tanto
em relação à textura como à consistência. Pode-se descrever a superfície normal
como um ovo cozido sem casca. Os pacientes devem aprender a localização do epidídimo,
identificando-o como a única região saliente do testículo. Outras massas encontradas
devem ser rapidamente relatadas ao médico.
Referências:
1. Narayan
P, Tewari A. Overview of alpha-blocker therapy for benign prostatic hyperplasia.
Urology 1998;51:38-45.
2. Lieber MM. Pharmacologic therapy for prostatism. Mayo Clin Proc 1998;73:590-6.
3. Roehrborn CG. Meta-analysis of randomized clinical trials of finasteride.
Urology 1998;51:46-9.
4. Wingo PA, Landis S, Ries LA. An adjustment to the 1997 estimate for
new prostate cancer cases. CA Cancer J Clin 1997;47:239-42.
5. Epperson WJ, Frank WL. Male genital cancers. Prim Care 1998;25:459-72.
6. Naitoh J, Zeiner RL, Dekernion JB. Diagnosis and treatment of prostate
cancer. Am Fam Physician 1998;57:1531-9,1541-2,1545-7.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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