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Ultra-sonografia e biópsia trans-retal no diagnóstico precoce do câncer de próstata

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O câncer de próstata é o tipo mais comum de câncer diagnosticado entre os homens americanos, fazendo dessa doença um importante problema de saúde pública. Infelizmente, a localização anatômica da glândula dificulta a sua avaliação. Classicamente, o exame de toque retal tem sido o principal método utilizado para examinar a próstata. Entretanto, essa técnica apresenta algumas limitações. O surgimento e desenvolvimento da ultra-sonografia possibilitou um novo método, e a ultra-sonografia trans-retal com biópsia (um procedimento, em geral, bem tolerado pelos pacientes) em associação com o teste do PSA (sigla em inglês de antígeno específico da próstata) resultou em grandes avanços no diagnóstico e estadiamento de pacientes com a doença.

Atualmente, utiliza-se um transdutor de alta resolução de 5 a 8 MHz, com capacidade de fornecer imagens multiaxiais em tempo real, no eixo transverso e sagital. Esse aparelho pode ser acoplado a um adaptador que possui uma agulha para biópsia, permitindo a fácil obtenção de diversos fragmentos. A imagem fornecida pelos transdutores de alta resolução mais recentes, juntamente com a possibilidade de direcionar a agulha para diferentes áreas de interesse, vem ajudando a realizar biópsias guiadas pelo USTR (o método padrão para o diagnóstico do câncer de próstata).

Outras técnicas: Ultra-sonografia trans-perineal e trans-abdominal

Embora a USTR represente o método de imagem padrão para a avaliação da próstata, outras técnicas são disponíveis. A ultra-sonografia trans-abdominal é capaz de identificar a glândula, bem como outros órgãos abdominais. A principal vantagem desse método é o seu caráter não-invasivo, dispensando o preparo do paciente. Da mesma forma, o exame trans-perineal é considerado não-invasivo e não requer qualquer tipo de preparo do paciente. Apesar dessa vantagem, essas técnicas são utilizadas apenas em casos especiais (um paciente submetido à retirada do reto após uma ressecção abdomino-perineal, por exemplo). A qualidade das imagens obtidas é inferior àquelas disponibilizadas pela USTR, principalmente em virtude da distância a que a glândula se encontra do transdutor.

Indicações da biópsia de próstata

Elevação dos níveis de PSA

A indicação mais freqüente da biópsia de próstata é a elevação nos níveis séricos de PSA. Apesar de níveis acima de 4 ng/mL serem considerados elevados, foram estabelecidos valores ajustados para a idade. Oesterling e colaboradores demonstraram um aumento em 8% no número de biópsias e diagnóstico de câncer restrito à próstata em pacientes com idade menor ou igual a 50 anos e exame de toque retal sem alterações, quando esses valores de referência ajustados para a idade foram utilizados. A elevação nos níveis séricos de PSA, mesmo abaixo de 4 ng/mL, também pode representar uma indicação de biópsia, principalmente em indivíduos de risco elevado para a doença. Carter e colaboradores demonstraram que alterações no PSA, ou no PSA-velocidade, de mais de 0,75 ng/mL por ano foram um marcador específico do câncer de próstata. Além disso, nesse estudo, pacientes cujos valores se encontravam dentro da faixa da normalidade e com diagnóstico de câncer apresentaram elevação mais rápida nos níveis de PSA, quando comparados com indivíduos sem a doença.

Alterações no exame de toque retal

A presença de alterações no ETR é uma indicação para a biópsia, independente dos níveis séricos de PSA do paciente. As alterações incluem nódulos, enduração focal, um endurecimento difuso e, em alguns casos, a assimetria da glândula.

Achados ultra-sonográficos no US trans-retal

A próstata normal apresenta um padrão de ecogenicidade uniforme e homogêneo. Em comparação com a próstata, as vesículas seminais são hipoecogênicas e podem ser observadas na base da bexiga. Ao contrário da próstata normal, as neoplasias da glândula podem apresentar características ultra-sonográficas particulares. A maioria das lesões identificadas pela ultra-sonografia que são carcinomas são descritas como áreas hipoecogênicas com limites irregulares. No entanto, não se trata de uma regra, e o aspecto ultra-sonográfico do carcinoma é variável.

Conclusões

A USTR desempenha um papel fundamental no diagnóstico precoce do câncer de próstata. Tendo em vista o maior desenvolvimento dos testes de PSA, as biópsias de lesões identificadas através da ultra-sonografia e ETR vêm se tornando menos freqüentes. A ultra-sonografia, entretanto, é fundamental para assegurar a retirada adequada de amostras da glândula. Embora o número ideal de amostras não seja bem determinado, a USTR é uma parte importante da biópsia de próstata e continuará contribuindo para a compreensão do melhor método diagnóstico do câncer de próstata. Com o rastreamento utilizando os níveis séricos de PSA e o maior número de pacientes que recebem o diagnóstico em estágios mais precoces da doença, além da retirada de amostras de glândulas aumentadas de volume, o câncer de próstata pode ser diagnosticado mais precocemente e com melhores opções de tratamento.

Referências:
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Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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