A hematúria (presença
de sangue na urina) pode originar-se de qualquer lugar ao longo do trato urinário
e, seja macro ou microscópica, pode ser um sinal de doença grave, como tumores
malignos. Segundo a literatura, os casos de hematúria macroscópica devem ser
submetidos à investigação diagnóstica completa. Por outro lado, a hematúria
microscópica é um achado acidental e a investigação de pacientes assintomáticos
permanece controversa. Nenhuma grande instituição médica recomenda o rastreamento
da hematúria microscópica em adultos, mesmo com o câncer de bexiga representando
o tumor maligno mais freqüente nesses pacientes.
A hematúria pode ser medida
quantitativamente por qualquer um dos seguintes testes: (1) determinação do
número de células sangüíneas por mililitro de urina excretada (contagem em câmara),
(2) exame direto do sedimento urinário (contagem no sedimento) ou (3) exame
indireto da urina com fita (modo mais simples para a detecção de hematúria microscópica).
Devido à limitada especificidade do método da fita (65 a 99% para 2 a 5 células
por campo microscópico), de qualquer forma, o encontro inicial de hematúria
microscópica por esta técnica deve ser confirmada por avaliação do sedimento
urinário.
A definição recomendada
para a hematúria microscópica é de três ou mais células por campo no estudo
microscópico do sedimento urinário, em três ou mais amostras de urina coletadas
adequadamente.
A prevalência de hematúria
assintomática varia de 0.19% a 21%.
Pacientes com hematúria
assintomática que apresentam risco aumentado para doença urológica ou doença
renal primária devem ser submetidos à avaliação adequada. Em pacientes de baixo
risco, alguns elementos da avaliação podem ser realizados posteriormente.
Existem muitas causas de
hematúria microscópica assintomática, desde pequenos achados acidentais que
não necessitam de tratamento até lesões importantes e que apresentam risco de
vida imediato. Portanto, a hematúria tem sido classificada em 4 categorias:
aquelas com risco de vida; as significativas, necessitando de tratamento; as
importantes, que exigem observação; e as de pequena importância.
A maioria dos estudos onde
pacientes com hematúria microscópica assintomática foram submetidos a avaliações
urológicas completas (muitas vezes incluindo exames de urina de repetição, culturas,
imagens do trato urinário superior, cistoscopia e citologia urinária) incluiu
indivíduos encaminhados para especialistas. Determinou-se uma causa para a hematúria
microscópica assintomática em 32 a 100% destes pacientes.
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aqui para ver um esquema para a abordagem urológica de pacientes sem condições
sugestivas de doença renal primária.
A avaliação inicial do sedimento
urinário geralmente consegue identificar os pacientes com doenças do parênquima
renal. Entre elas, as doenças glomerulares são as mais comuns e podem estar
associadas a uma variedade de doenças sistêmicas, como o lúpus eritematoso,
vasculites, tumores malignos e infecções (como a hepatite e endocardite). As
doenças glomerulares restritas aos rins incluem a glomerulonefrite membrano-proliferativa,
a nefropatia por IgA e a glomerulonefrite com a formação de crescentes. As doenças
renais intersticiais, como aquelas induzidas por drogas, podem estar associadas
a hematúria. Quando não se identificam causas sistêmicas, geralmente recomenda-se
a realização de biópsia renal.
Os pacientes com hematúria
microscópica, avaliação urológica inicial normal e sem evidências de sangramento
glomerular são considerados como portadores de hematúria isolada. Apesar de
muitos destes pacientes eventualmente possuírem anormalidades glomerulares estruturais,
parecem apresentar baixo risco para doença renal progressiva. Assim, o papel
da biópsia renal nesses casos ainda não está estabelecido. Entretanto, devido
a limitações durante o seguimento, os pacientes devem ser acompanhados em relação
ao desenvolvimento de hipertensão, insuficiência renal ou proteinúria.
Nos pacientes sem fatores
de risco para desenvolvimento de doença renal primária, uma avaliação urológica
completa deve ser realizada.
A análise laboratorial começa com um exame de urina e do sedimento urinário.
O número de células sangüíneas por campo deve ser determinado. Além disso, deve-se
pesquisar a presença de células sangüíneas dismórficas ou cilindros hemáticos.
A urina deve ser avaliada quanto à presença e a intensidade de proteinúria e
evidências de infecções do trato urinário. Os pacientes com infecções do trato
urinário devem ser tratados adequadamente, e exames de urina devem ser repetidos
seis semanas após tratamento. Se a hematúria desaparecer com o tratamento, nenhuma
avaliação adicional é necessária. A creatinina sérica deve ser medida. A investigação
laboratorial restante deve ser guiada por achados específicos na história, exame
físico e exame de urina.
As neoplasias uroteliais,
alvos do exame citológico, são os tumores malignos mais comuns em pacientes
com hematúria microscópica.
A citologia urinária é
recomendada em todos pacientes com fatores de risco para carcinoma de células
transicionais. Este exame pode ser um auxílio útil à avaliação cistoscópica
da bexiga, especialmente na determinação do carcinoma in situ. Em pacientes
com hematúria microscópica assintomática que não possuem fatores de risco para
carcinoma de células transicionais, citologia urinária ou cistoscopia podem
ser utilizadas. Tendo em vista que a hematúria é um fator de risco importante
para tumores malignos nesses pacientes, é necessária a realização de cistoscopia
sempre que houver células malignas ou atípicas/suspeitas no exame citológico.
Diversos marcadores urinários
identificados recentemente vêm sendo estudados na detecção precoce do câncer
de bexiga. Até o momento, não existem dados suficientes para recomendar seu
uso na avaliação de rotina dos pacientes com hematúria microscópica. Estudos
adicionais são necessários para a determinação do papel destes marcadores na
avaliação diagnóstica desses pacientes.
Referências:
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Carroll P. Evaluation of asymptomatic microscopic hematuria in adults: the American
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4. Grossfeld GD, Wolf JS, Litwin MS, Hricak H, Shuler CL, Agerter DC,
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Urological Association best practice policy recommendations. Part II: patient
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