Pacientes e métodos
No período
entre janeiro de 1991 e janeiro de 1996, trezentos e trinta e um pacientes com
queixa da disfunção erétil foram submetidos a injeção intracavernosa de drogas
vasoativas. A idade dos pacientes variou de 21 a 84 anos ( mediana de 56 anos
) e o tempo médio de impotência foi de 29 meses.
A forma de
avaliação e acompanhamento desses pacientes já foi previamente apresentada (5).
A auto-injeção
foi realizada com a solução idealizada por Goldstein (Universidade de Boston),
composta por prostaglandina E1, fentolamina e papaverina.
Dentre os 331
pacientes tratados, 241 não apresentavam nenhum tipo de distúrbio emocional
diagnosticado na entrevista inicial.
Dentre esses,
cento e oitenta pacientes apresentaram um relacionamento sexual estável, com
uma companheira permanente nos últimos seis meses.
Assim, esses
188 pacientes foram eleitos para avaliação da satisfação sexual e da qualidade
de vida com a auto-injeção intracavernosa de drogas vasoativas. Nós solicitamos
a todos os 188 pacientes que preenchessem dois questionários: o "Case Western
Reserve University sexual functioning questionnare" (6) e o "Duke health profile"
(7).
Ambos os questionários
foram traduzidos e adaptados.
Nós solicitamos
para que fosse feita uma comparação do estado atual com aquele imediatamente
antes do tratamento.
Cento e sessenta
e quatro pacientes concordaram em preencher os questionários, e 139 realmente
entregaram os questionários preenchidos.
O questionário
da Case Western Reserve University mediu a frequência de relações sexuais, qualidade
de ereção e satisfação sexual em geral. Por outro lado, o da Duke avaliou, em
17 itens, a qualidade de vida do paciente, através do seu estado mental, convívio
social, auto-estima, ansiedade e depressão.
Desde a verificação,
no ínicio dos anos 90, de que as chamadas cirurgias vasculares penianas não
promovem o retorno da função erétil na imensa maioria dos pacientes, apresentando
índice de sucesso muito baixo, quer no tratamento da disfunção veno-oclusiva
(8,9) quer na insuficiência arterial (10), a auto-injeção de drogas vasoativas
tornou-se a primeira opção no tratamento da impotência, independente da sua
etiologia (4,11,12).
A associação
de várias drogas para injeção intra-cavernosa aumentou significamente o índice
de sucesso dessa terapia, ao mesmo tempo que tornou bastante discretos os efeitos
colaterais ( 11,12,13,14 ).
Sem dúvida
nenhuma, a solução mais utilizada é a associação da prostaglandina E1, fentolamina
e papaverina.
A associação
dessas drogas permite um aumento do fluxo sanguíneo e um relaxamento do músculo
sinusóide peniano, levando a ereção.
A experiência
mundial tem demonstrado que esse tipo de tratamento é praticamente isento de
complicações, mesmo com seguimento de até 8 anos (6).
Além disso,
a associação dessas três drogas possibilitou a utilização de doses muito baixas
da solução para obtenção da ereção, tornando então o tratamento menos honeroso
para o paciente.
Em estudo
anterior com um seguimento de médio prazo, obtivemos alto índice de sucesso
( 98,4% ), representando pela obtenção da ereção após a auto-injeção e pelo
retorno à atividade sexual considerada satisfatória pelo paciente e pela sua
companheira. (12)
Os episódios
de priapismo foram bastante raros, e não houve nenhum caso de fibrose dos corpos
cavernosos, o que comprova a segurança do tratamento. Os hematomas que alguns
pacientes apresentaram não tiveram nenhuma implicação clínica ou estética. Além
disso, devido à baixa dosagem utilizada, as drogas não apresentaram efeito sistêmico,
podendo inclusive ser utilizados em pacientes cardiopatas, ou hipertensos na
vigência de medicamentos anti-hipertensivos. (15)
Porém, restava
a dúvida se a auto-injeção, devido ao seu estigma agressivo, já que é uma injeção
no pênis, era aceita espontaneamente, ou apenas como falta de opção; já que
o único outro tratamento da impotência seria o implante da prótese peniana.
(16)
Conforme esperado,
a auto-injeção melhorou muito a qualidade das ereções, frequência de relações
sexuais e satisfação sexual de todos os pacientes. Mas o principal objetivo
de qualquer tratamento é melhorar a qualidade de vida; e a auto-injeção ainda
não havia sido submetida a esta prova.
Na presente
série, houve melhora da qualidade de vida, também em todos os pacientes. Principalmente,
os itens auto-estima e convívio social apresentaram um índice de melhora muito
importante.
Por outro lado,
de significado muito importante também é o fato do item ansiedade, ter diminuido
em todos os pacientes. A avaliação desse item, isoladamente, revela como a disfunção
erétil afeta o estado emocional dos pacientes, gerando alto grau de ansiedade,
e como a auto-injeção conseguiu efetivamente minimizar muito os efeitos dessa
disfunção na vida dos pacientes.
Assim, podemos
concluir que a auto-injeção intracavernosa de drogas vaso-ativas, além de apresentar
alto índice de sucesso na obtenção de ereção, promove uma melhora importante
tanto na esfera sexual como na qualidade de vida dos pacientes submetidos a
esta terapia.
Referências
bibliográficas
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