As doenças
reumáticas compreendem uma grande variedade de distúrbios
que afetam desde as estruturas músculo-ligamentosas
de forma isolada até o comprometimento sistêmico
de todo o sistema conjuntivo. As doenças reumáticas
ou doenças do sistema musculoesquelético são
causa importante de dor crônica e incapacidade física
temporária ou permanente em todo o mundo, podendo
acometer até 20% da população adulta,
superando a incidência da hipertensão arterial.
O diagnóstico das doenças reumáticas
por meio da história e do exame físico é
relativamente fácil para o clínico experiente.
Mas o caráter crônico, variável e de
etiologia desconhecida cria um grande desafio quanto ao
seu tratamento, o qual exige muitas vezes uma abordagem
individual diferente para a mesma patologia em diferentes
pacientes. Isso porque todo os componentes do sistema músculo-esquelético
funcionam num equilíbrio dinâmico, mudando
sua resposta na dependência da demanda funcional ou
patológica. A pesquisa e a descoberta constantes
de novos medicamentos permitem ao clínico grande
número de possibilidades para o tratamento mais eficaz
desses problemas, bem como melhor entendimento da etiopatogenia
dos diferentes processos.
Na avaliação
de todo paciente com doença multissistêmica
em que haja envolvimento de múltiplos órgãos,
caráter crônico com dificuldade de identificação
da causa específica, caráter episódico
com períodos de atividade e melhoria espontânea
ou muitas e variadas hipóteses diagnósticas,
as doenças reumáticas devem ser incluídas
no diagnóstico diferencial. Um paciente portador
de doença reumática procura atendimento médico
principalmente em três situações: 1)
presença de dor ou disfunção musculoesquelética;
2) presença de doença multissistêmica
e 3) descoberta casual de anormalidade em exame de sangue.
Na avaliação do paciente, o clínico
deve considerar: 1) a localização da doença
(tecidos moles, sinóvia, tendões), 2) o tipo
de comprometimento (agudo, crônico, simétrico),
3) evidência de anormalidade ou deformidade e 4) envolvimento
sistêmico. O quadro 1 serve para orientar
o médico na avaliação do doente com
queixas reumáticas, visando elaborar hipóteses
diagnósticas.
Inúmeras
manifestações clínicas podem passar despercebidas
ou não serem corretamente diagnosticadas. Por esse
motivo, todo paciente que apresente uma das manifestações
do quadro 13.3 deve ser investigado quanto a possível
doença reumática sistêmica. Na dependência
do envolvimento articular, se isolado ou múltiplo,
o clínico pode suspeitar da doença responsável,
conforme o quadro 2. As principais características
e manifestações clínicas das diferentes
doenças reumáticas com comprometimento sistêmico
podem ser comparadas no quadro 3.
Quadro
2. Manifestações clínicas que
sugerem a existência de doença reumática
sistêmica