Dr. Álvaro Razuk
O aneurisma
da aorta abdominal é causado por uma fraqueza da
principal artéria do abdome. A fraqueza é
causada pelo depósito de colesterol e cálcio
na parede da artéria e, dessa forma, a artéria
dilata-se como um balão. Este processo é lento
e gradual, podendo levar anos. A artéria dilatada,
geralmente, não é detectada, pois raramente
apresenta sintomas. O termo médico para a dilatação
em forma de balão da aorta é: Aneurisma da
Aorta Abdominal (AAA).
Sintomas:
Como foi dito o AA A não causa sintomas, e são
descobertos acidentalmente, enquanto são realizados
exames para outros problemas. Às vezes, os pacientes
podem queixar-se de dores na região lombar. Indivíduos
que sofrem de problemas vasculares, doenças do coração
e pressão arterial elevada, possuem alto risco de
desenvolver AAA. Muitos membros da mesma família
podem apresentar esta alteração.
Complicações:
As complicações do AAA são catastróficas.
Ruptura: o AAA pode romper e provocar uma grande perda sangüínea
e morte em mais de 85% dos doentes.
Fenômenos
embólicos: Pequenos coágulos
sangüíneos podem formar-se no interior do aneurisma,
atingir as pequenas artérias das pernas e dos pés
e ocluí-las produzindo gangrena.
Diagnóstico:
O exame clínico pode detectar uma massa
pulsátil no abdome, indicando a presença de
AAA. Porém, na maioria dos casos o diagnóstico
é acidental, quando uma ultrassonografia ou tomografia
computadorizada do abdome são realizadas para problemas
gastrointestinais, urinários ou ginecológicos.
A tomografia computadorizada
de abdome é o principal método diagnóstico
dos aneurismas e permite avaliar o tamanho e extensão
do mesmo. A angiografia é utilizada para planejamento
do tratamento.
Tratamento:
Pequenos aneurismas, ou seja, aqueles com diâmetro
menor que 4 cm, podem ser apenas observados, já que
raramente apresentam complicações. Os aneurismas
maiores têm demonstrado uma incidência de ruptura
de 20% ao ano. O tratamento é recomendado para aqueles
maiores que 4,6-5,0 cm.
Tratamento
Cirúrgico: O reparo cirúrgico
do AAA é uma cirurgia de grande porte. O procedimento
é realizado sob anestesia geral e realiza-se através
de uma longa incisão em todo o abdome. O AAA é
reparado utilizando-se uma prótese sintética
que substitui a artéria doente. O paciente é
levado para UTI (unidade de terapia intensiva), e o tempo
de internação, nos casos não complicados
é de 7 dias. O tempo de recuperação
é de 6 a 8 semanas. O risco do procedimento é
maior naqueles pacientes que sofrem de outra doença,
como por exemplo, diabetes, pressão arterial elevada,
acidentes vasculares cerebrais e doenças nas coronárias.
Tratamento
Endovascular: Este é um dos mais importantes
avanços da cirurgia moderna, realizada no Hospital
Santa Isabel (ver matéria página 4). É
um procedimento minimamente invasivo e realizado sem abertura
do abdome. Uma prótese especificamente desenvolvida
para ser introduzida através de uma pequena incisão
na virilha e que é ancorada na artéria normal,
acima e abaixo do aneurisma. Este procedimento é
realizado, por dentro do vaso sangüíneo (endoluminal).
Esta endoprótese forma um novo e seguro canal, por
onde passará o fluxo sangüíneo, evitando
o contato do sangue com a parede doente do vaso. A equipe
médica utiliza-se de uma sala moderna equipada com
aparelho radiográfico com subtração
digital, e que permite guiar a prótese até
a posição adequada.
O tempo de internação hospitalar é
de 1 a 2 dias e o retorno às atividades habituais
é possível em 1 semana. Entretanto, nem todos
os pacientes são candidatos a este procedimento e
devem ser tratados pela cirurgia convencional.