A síndrome do desconforto respiratório
agudo (SDRA) é uma manifestação de lesões agudas
nos pulmões, em geral resultantes de sepse, trauma ou infecções
pulmonares graves. Do ponto de vista clínico, caracteriza-se por dispnéia,
hipoxemia grave, redução da complacência pulmonar e opacidades
bilaterais difusas na radiografia de tórax. O tratamento é baseado
no suprimento de oxigênio suplementar e em outras medidas de suporte.
A abordagem de pacientes com a síndrome do desconforto respiratório
agudo geralmente exige a intubação endotraqueal e ventilação
mecânica. Com o objetivo de evitar lesões relacionadas à
ventilação mecânica, recomenda-se o uso de pequeno volume
tidal e baixa pressão de platô. O controle da condição
clínica responsável pela insuficiência respiratória
é fundamental para evitar o desenvolvimento de novas lesões. Diversos
medicamentos orientados para os diferentes estágios fisiopatológicos
da SDRA não se demonstraram tão eficazes clinicamente quando em
estudos experimentais. As complicações (como o pneumotórax,
derrame pleural e pneumonia focal) devem ser identificadas e adequadamente tratadas.
Em casos refratários, estratégias diferentes e novas técnicas
de ventilação mecânica devem ser analisadas, de preferência
através ensaios clínicos. Durante a última década,
a mortalidade diminuiu de mais de 50% para cerca de 32-45%. O óbito geralmente
resulta da falência de múltiplos órgãos, e não
apenas da insuficiência respiratória.
Múltiplos fatores de risco para o desenvolvimento
da SDRA foram identificados. A sepse parece ser o mais comum, mas o risco é
ainda maior com a presença de outros fatores. A transfusão de
sangue é um fator de risco independente. Idade avançada e tabagismo
estão associados com um maior risco de SDRA, enquanto a ingestão
de álcool não parece influenciar na incidência dessa condição.
Exames por imagem
Em pacientes com lesão pulmonar direta,
alterações focais podem ser evidentes desde as primeiras radiografias
de tórax. Naqueles com lesões indiretas, por outro lado, a radiografia
inicial opde ser inespecífica ou semelhante aos exames de pacientes com
insuficiência cardíaca congestiva, com pequenos derrames pleurais.
Posteriormente, observa-se o aparecimento de edema pulmonar intersticial que
evolui para infiltrados difusos. Com a progressão da doença, as
opacidades reticulares e alveolares bilaterais difusas tornam-se mais evidentes.
Algumas complicações como o pneumotórax e o pneumomediastino
podem ser discretas e de difícil diagnóstico, principalmente em
exames realizados no leito e em pacientes com opacidades pulmonares difusas.
A evolução clínica do paciente pode não apresentar
paralelo com os achados radiológicos. Com a resolução da
doença, entretanto, as alterações radiológicas desaparecem.
As alterações mais evidentes da
SDRA na tomografia computadorizada (TC) de tórax são áreas
de consolidação difusa com broncogramas aéreos, bolhas,
derrames pleurais, pneumomediastino e pneumotórax. Posteriormente, podem
surgir cistos pulmonares em número e tamanho variáveis. A realização
da TC de tórax é importante em pacientes sem melhora clínica
apesar do tratamento adequado da condição subjacente, podendo
identificar complicações da SDRA e aquelas relacionadas à
passagem de cateteres e intubação traqueal, como o pneumotórax,
pneumomediastino, pneumonia focal, posicionamento inadequado do cateter e infarto
pulmonar.
Referências
Ashbaugh DG, Bigelow DB, Petty TL, Levine BE.
Acute respiratory distress in adults. Lancet 1967;2:319-23.
Hudson LD, Steinberg KP. Epidemiology of acute
lung injury and ARDS. Chest 1999;116(1 suppl): S74-82.