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Modelo para a estimativa do risco de câncer de pulmão

Muitos especialistas discutem o papel da tomografia computadorizada (TC) no rastreamento do câncer de pulmão. Esta pesquisa desenvolveu um método baseado no sexo, idade, tempo de tabagismo e exposição ao asbesto, para ajudar a identificar os pacientes que podem se beneficiar com o rastreamento.

Foram analisados os dados do estudo CARROT, sobre a prevenção do câncer, que incluiu 18.172 tabagistas acompanhados por um total de 168.343 pessoas-ano.

Durante o estudo, foram diagnosticados 1.070 casos de câncer de pulmão. Com base nesses dados, a pesquisa desenvolveu um modelo baseado na idade, sexo, tabagismo e exposição ao asbesto.

O objetivo foi identificar o risco para o desenvolvimento da doença em um período de 10 anos. Um exemplo, utilizando o modelo em questão: uma mulher de 51 anos, que fumou 20 cigarros por dia durante 28 anos e parou de fumar há 9 anos e não apresenta exposição ambiental ao asbesto tem um risco absoluto de 0,8%. Por outro lado, um homem de 56 anos sem antecedente de exposição ao asbesto, que fumou 2 maços de cigarro durante 44 anos e pára de fumar hoje, tem um risco absoluto de 6% de desenvolver Ca de pulmão. Se não parar de fumar, o risco é de 8,5%.

Embora existam controvérsias sobre a importância do rastreamento do Ca de pulmão, os autores afirmam que a maioria dos especialistas concordaria em não realizar o rastreamento em uma mulher de 51 anos, com 0,8% de risco para a doença, enquanto muitos recomendariam o acompanhamento no caso do homem citado acima. Alguns especialistas, entretanto, ressaltam que ainda não temos certeza sobre a eficácia do rastreamento com a TC.

Acredita-se na importância desse tipo de modelo preditivo, mas ainda existem muitas dúvidas sobre o papel do rastreamento. O modelo, provavelmente, é util, do ponto de vista clínico, ao decidir o que fazer com um paciente que apresenta um nódulo de 2 mm na radiografia de tórax.

A maioria dos clínicos têm dificuldade em decidir o que fazer com pacientes que apresentam lesões muito pequenas na radiografia. Utilizando esse modelo, muitos podem preferir acompanhar o comportamento de uma lesão durante 3 meses em um paciente como a mulher de 51 anos. Com isto, o paciente com risco elevado seria um candidato para uma biópsia naquele momento.

Referência
CHEST 2002: Abstract S19; nov 2002

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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