Os estudos
ventilação-perfusão (V/Q) são utilizados como exame
diagnóstico inicial em pacientes com suspeita de embolia pulmonar. Infelizmente,
mesmo em condições ideais, o exame pode ser inconclusivo. Um estudo
V/Q com alta probabilidade em um contexto clínico adequado (probabilidade
pré-teste moderada ou alta) é considerado diagnóstico e
indica anticoagulação. O próximo exame de escolha a ser
realizado é a ultra-sonografia com Doppler de membros inferiores. Quando
esse exame é negativo, o paciente deve realizar arteriografia pulmonar,
considerado o método padrão ouro para o diagnóstico de
embolia pulmonar. Meyerovitz e colaboradores realizaram um estudo retrospectivo
utilizando prontuários médicos para identificar a prevalência
dessa condição em pacientes com estudo V/Q de baixa probabilidade,
ultra-sonografia com Doppler de membros inferiores negativa e suspeita clínica
elevada de embolia pulmonar.
Os prontuários
médicos de pacientes que realizaram arteriografia pulmonar para o diagnóstico
de embolia pulmonar em um período de três anos foram analisados,
sendo selecionados aqueles com estudo V/Q de baixa probabilidade mas que realizaram
ultra-sonografia com Doppler de membros inferiores. Este exame consistiu na
ultra-sonografia com compressão das veia poplítea, femoral superficial
e comum, observando-se com o Doppler a resposta à variação
respiratória e compressão da panturrilha.
Um total de
365 pacientes realizaram arteriografia pulmonar nesse período, incluindo
62 casos com estudo V/Q de baixa probabilidade e ultra-sonografia com Doppler
de membros inferiores negativa. Entre eles, cinco (8%) receberam o diagnóstico
de embolia pulmonar, enquanto 57 (92%) não apresentavam embolia pulmonar.
O intervalo de confiança de 95% calculado para esses achados variou entre
2,7 e 18%. Os cinco pacientes foram tratados com heparina e/ou warfarin e, em
dois pacientes, optou-se pela colocação de um filtro na veia cava
inferior. Não foram registrados óbitos relacionados à embolia
pulmonar nesse grupo de pacientes.
Os autores
concluem que deve-se avançar na investigação diagnóstica
de pacientes com suspeita clínica elevada de embolia pulmonar, apesar
de estudos V/Q com baixa probabilidade e ultra-sonografia com Doppler de membros
inferiores negativa. Estudos anteriores demonstraram que apenas 50% dos pacientes
com embolia pulmonar apresentam achados positivos na ultra-sonografia com Doppler
de membros inferiores. Nesse estudo, esse exame foi positivo em apenas 20% dos
pacientes, deixando um grande número de pacientes sem o diagnóstico
definitivo. A arteriografia pulmonar deve ser utilizada como o método
diagnóstico definitivo.
Referência
Meyerovitz MF, et al. Frequency of pulmonary embolism in patients with low-probability
lung scan and negative lower extremity venous ultrasound. Chest April 1999;
115:980-2.