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Rastreamento do câncer de pulmão pela radiografia: uma opção para fumantes de risco?

Os estudos sobre os benefícios do rastreamento do câncer de pulmão avançaram consideravelmente ao longo dos anos, em grande parte pelos avanços tecnológicos, particularmente em relação à TC.

No meio da década de 70, um estudo de rastreamento, nos EUA, não conseguiu mostrar uma redução na taxa de mortalidade com o estudo do escarro ou da radiografia de tórax, apesar de sugerir que o exame pode apresentar algum benefício para indivíduos de alto risco. Portanto, algumas radiografias de tórax foram recomendadas na avaliação periódica de tabagistas.

Recentemente, a possibilidade de detecção mais precoce do câncer de pulmão através da TC helicoidal fez ressurgir o interesse pela redução das taxas de mortalidade da doença, graças à detecção precoce das lesões. Achados do programa do National Cancer Institute mostram uma taxa de sobrevida de 40% para tumores localizados. Há relatos de até 70% de sobrevida para casos precoces.

A experiência do christiana hospital

Por causa desses achados, um estudo foi feito recentemente no Christiana Hospital em Wilmington, Delaware. A população do estudo incluiu 249 pacientes com sobrevida de 5 anos dentre os 2.190 casos de Ca de pulmão registrados no hospital entre 1987 e 1994. A maioria desses indivíduos tinha seu diagnóstico firmado através de radiografias de tórax feitas incidentalmente.

Conclusões do estudo:

a) A maioria (84%) dos casos de tumores de não-pequenas células, assim como de pequenas células, foi encontrada em pacientes entre 55 e 80 anos de idade.

b) Significativamente, um menor número de pacientes abaixo de 55 anos com Ca de pulmão (não-pequenas células) foi encontrado, quando comparado com o grupo acima de 55 anos. Isto sugere que os tumores de não-pequenas células sejam mais agressivos em pacientes mais jovens.

c) Os pacientes com tumores agressivos têm menor chance de sobrevida a longo prazo, embora a taxa de sobrevida em 5 anos seja ligeiramente superior em pacientes com menos de 55 anos. Explica-se esse achado pelo fato de que pacientes mais jovens tendem a ser tratados mais agressivamente, além das comorbidades encontradas nos pacientes mais idosos, muitas vezes impossibilitarem qualquer tipo de tratamento. O rastreamento radiológico em pacientes mais jovens e com doença mais agressiva pode ser de menor valor que nos pacientes mais velhos.

d) A maioria dos casos não apresentava sintomas, sendo submetida, incidentalmente, à radiografia de tórax que mostrou lesão.

e) A taxa global de sobrevida em 5 anos foi de 11,4%, enquanto para casos localizados de tumores de não-pequenas células foi de 57%.

f) Para casos de Ca de pulmão de não-pequenas células estágio I, o tratamento cirúrgico foi bem mais comum em pacientes acima dos 55 anos. Poucos pacientes com tumores de pequenas células foram submetidos à cirurgia. Em vez disso, foram tratados com quimioterapia e radioterapia. Muitos casos avançados, tanto de tumores de pequenas como de não-pequenas células, não foram tratados.

Referência: Oncology Issues. 15(4):27, 2000.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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