A
suspeita clínica de embolia pulmonar (EP) não é suficiente
para estabelecer o diagnóstico, e apenas 30% desses pacientes têm
o diagnóstico confirmado por exames complementares. Vários métodos
são utilizados para a investigação diagnóstica,
mas também apresentam limitações. Ryu e colaboradores discutem
os problemas encontrados com a abordagem diagnóstica tradicional e sugerem
a utilização da angiografia por tomografia computadorizada (TC)
como uma alternativa útil.
A TC com feixe
de elétrons e a TC helicoidal (espiral) facilitam o diagnóstico
da EP aguda e crônica. Apresentam uma sensibilidade e especificidade em
torno de 90% para o diagnóstico da EP proximal (artérias principais,
lobares ou segmentares). Tendo em vista a dificuldade para identificar êmbolos
periféricos em artérias subsegmentares, a sensibilidade e especificidade
da angiografia por TC para todos os vasos pulmonares são de 53% e 75%,
respectivamente. Uma das principais vantagens da angiografia por TC é
a possibilidade de identificar doenças intratorácicas, como neoplasias
e pnemonia, que podem ser responsáveis por quadro clínico sugestivo
de EP.
Em comparação
com a angiografia por TC, a interpretação da cintilografia pulmonar
ventilação-perfusão apresenta menor concordância.
Classicamente, o estudo ventilação-perfusão é parte
da abordagem diagnóstica em pacientes com suspeita de EP; entretanto,
esse método não estabelece o diagnóstico definitivo em
até 80% dos pacientes. Segundo o estudo PIOPED (sigla, em inglês,
de Prospective Investigation of Pulmonary Embolism Diagnosis), os exames com
probabilidade baixa, intermediária e alta apresentam valores preditivos
positivos de 16%, 33% e 88%, respectivamente. Para melhores resultados, os achados
do exame devem ser associados à probabilidade pré-teste (grau
de suspeita clínica). Na maioria dos pacientes, entretanto, novos exames
são necessários para confirmar ou descartar a hipótese
de EP.
Embora a angiografia
pulmonar seja considerada o método padrão ouro para o diagnóstico
de EP, estudos mostram que os médicos não solicitam esse exame
freqüentemente em pacientes com estudo ventilação-perfusão
inconclusivo. Os motivos incluem a natureza invasiva, o custo elevado e a pequena
disponibilidade do método. A angiografia por TC, por outro lado, é
um exame mais barato, menos invasivo e, segundo alguns estudos recentes, provavelmente
tão confiável quanto a angiografia pulmonar.
A utilização
da angiografia por ressonância magnética no diagnóstico
da EP também foi investigado. A sensibilidade e a especificidade do método
variam entre 75-100% e 42-100%, respectivamente, podendo melhorar com o uso
do gadolíneo como material de contraste. Uma vantagem desse método
é a possibilidade da realização de venografia dos membros
inferiores e pelve, permitindo o diagnóstico de trombose venosa profunda.
Atualmente, por ser mais barata e rápida, a TC ainda é mais utilizada.
Os autores
sugerem um algoritmo diagnóstico para pacientes com suspeita de EP, incluindo
o grau de suspeita clínica, os níveis de dímero-d e exames
de imagem. Quando houver baixa suspeita clínica de EP, níveis
normais de dímero-d são suficientes para descartar a hipótese
diagnóstica. Em pacientes com suspeita clínica elevada ou moderada,
os autores sugerem o emprego da angiografia por TC como método diagnóstico
inicial. Quando houver contra-indicações ao uso de contraste,
as principais alternativas incluem a cintilografia ventilação-perfusão
e a ultra-sonografia de membros inferiores. Deve-se levar em consideração
a utilização da angiografia quando os resultados da TC forem inconclusivos
e a suspeita clínica for elevada. Em pacientes instáveis, inicialmente
pode-se realizar o ecocardiograma para a pesquisa de hipertensão pulmonar,
trombos ou outras condições cardíacas (como o tamponamento
cardíaco ou doenças valvares) que podem explicar o quadro clínico.
Referência
Ryu JH, et al. Diagnosis of pulmonary embolism with use of computed tomographic
angiography.
Mayo Clin Proc January 2001;76:59-65.