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Pediatria

Uso criterioso de antibióticos para infecções do trato respiratório em pediatria

Esperar para introduzir terapia antibiótica em casos de infecção viral presumida não aumenta o número de visitas de retorno nem o número de infecções bacterianas subseqüentes, de acordo com o estudo a seguir. Investigadores da Universidade de Rochester, NY, analisaram dados de 383 crianças que foram consultadas por infecções agudas das vias respiratórias. Como parte do protocolo de estudo, os investigadores só prescreveram antibióticos aos pacientes que apresentavam infecções bacterianas concomitantes, presumidas ou documentadas, o que totalizou cerca de 1/3 das crianças.

Aproximadamente 29% das crianças que não receberam antibióticos voltaram para uma segunda visita ao consultório, comparado com cerca de 44% para as crianças que receberam antibióticos. A diferença não foi estatisticamente significativa. A taxa de infecções bacterianas que aconteceram durante o seguimento de 1 mês não diferiu significativamente entre os 2 grupos. Os autores concluem que os clínicos devem evitar o uso desnecessário de antibióticos, só os prescrevendo para aqueles pacientes que exibam sintomas claros de infecção bacteriana.

Referência: Pichichero ME, Green JL, Francis AB, Marsocci SM, Murphy ML,
Pediatrics 2000;105:753-759

Embasamento: A maioria das Infecções do Trato Respiratório (ITRIs) em crianças têm uma causa viral, eles se resolvem sozinhas e antibióticos não precisam ser prescritos.

Objetivo: Prover evidência de que o uso judicioso de antibióticos pode ser realizado na prática pediátrica privada sem acarretar um aumento no número de consultas de retorno ou na taxa de infecções bacterianas subseqüentes.

Desenho do Estudo: Estudo prospectivo de 12 meses de . Sempre no mesmo dia de cada semana, foi arrolada uma amostra de conveniência representativa dos pacientes de doenças agudas de vias aéreas, e foram realizados exames laboratoriais apropriados, inclusive culturas para vírus em todos. As crianças foram acompanhadas por 30 dias para averiguar as conseqüências de não se prescrever antibióticos, excluídos aqueles que infecções bacterianas específicas estavam presentes na visita inicial.

Resultados: Foram arroladas 383 crianças; 293 (77%) não recebeu antibióticos na consulta inicial. 90 crianças (23%) receberam antibióticos baseados em diagnósticos de otite média aguda (n = 53), amigdalite estreptocócica aguda (n = 18), ou outras infecções bacterianas presumível ou documentada (n = 19). Uma consulta de retorno não programada relacionada à visita inicial ocorreu para 86 (29%) das 293 crianças que não usaram antibióticos inicialmente e para 40 (44%) das 90 crianças que usaram inicialmente antibióticos. 87 crianças (23%) tiveram culturas positivas para vírus. Os vírus mais freqüentemente isolados foram adenovírus, enterovírus, vírus parainfluenza, e o vírus da gripe.

Conclusão: Crianças com ITRs sem uma infecção bacteriana concomitante presumível ou comprovada não necessita de antibióticos. Nesta movimentada clínica privada, >75% das crianças que consultaram por uma ITR não tinham uma infecção bacteriana presumida ou documentada. Estas crianças não tiveram uma taxa maior de retornos ou um aumento no número de infecções bacterianas. Isto deve reforçar o uso criterioso de antibióticos administrados às crianças com ITR.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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