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Pediatria

Risco de infecções bacterianas em crianças pequenas com febre

A febre é um sinal comum durante a infância. É particularmente preocupante em crianças entre 2 e 36 meses de vida quando não tem origem conhecida. As recomendações mais seguidas, desenvolvidas antes da imunização de rotina para o Haemophilus influenzae, incluem a antibioticoterapia empírica. Estudos recentes não apontam benefícios da antibioticoterapia empírica para a prevenção de infecções bacterianas graves nesses pacientes. Bandyopadhyay e colaboradores estudaram a incidência de infecções bacterianas graves em crianças entre 2 e 36 meses com febre sem causa conhecida, empregando-se antibioticoterapia empírica apenas em pacientes com hemocultura positiva.

O estudo baseou-se na análise retrospectiva de pacientes entre 2 e 36 meses com história de febre, que procuraram o serviço de emergência de um hospital pediátrico terciário. Durante o período do estudo, entre 1º de janeiro de 1995 e 31 de julho de 2000, foram identificados 9241 casos. Os pacientes incluídos no estudo apresentavam pelo menos 39°C, sem causa conhecida para a febre, excluindo-se aqueles que receberam antibioticoterapia. Foram colhidas hemoculturas das crianças com temperatura maior ou igual a 41ºC. Em pacientes com temperatura entre 39,0ºC e 40,9ºC, o exame foi solicitado a critério médico. Os pacientes foram acompanhados através de ligação telefônica após 24 a 48 horas. Os pacientes com hemocultura positiva foram tratados de acordo com o resultado do exame.

Entre os pacientes atendidos, 2641 crianças preencheram os critérios de inclusão no estudo. Entre esses pacientes, 1202 realizaram hemoculturas e 37 (3%) tinham hemocultura positiva. O organismo mais freqüentemente isolado foi o Streptococcus pneumoniae. Houve apenas 2 casos de infecções graves (0,08%) no grupo estudado, e ambos os pacientes tiveram boa evolução clínica após o tratamento adequado. Entre o grupo que não realizou hemoculturas, 77 (5%) retornaram ao hospital em um ou dois dias com persistência do quadro clínico. Nenhuma causa para a febre foi encontrada nesses pacientes, e naqueles que realizaram hemoculturas, o exame foi negativo.

Os autores concluem que, com a imunização para o H. influenzae, crianças entre 2 e 36 meses com febre sem causa conhecida não necessitam receber antibioticoterapia empírica. O tratamento deve ser reservado para pacientes com hemoculturas positivas. Essa abordagem terapêutica não aumenta o risco de infecções bacterianas graves.

Referência: Bandyopadhyay S, et al. Risk of serious bacterial infection in children with fever without a source in the post-Haemophilus influenzae era when antibiotics are reserved for culture-proven bacteremia. Arch Pediatr Adolesc Med May 2002;156:512-7.


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