Acredita-se
que o peso ao nascer de uma criança está associado ao risco de obesidade durante
a idade adulta. Entretanto, segundo um estudo recente, o peso materno e a velocidade
de crescimento da criança nos primeiros 7 anos de vida podem estar mais relacionados
ao posterior risco de obesidade.
O estudo mostrou que crianças
com 7 anos de idade que já apresentavam altura próxima àquela atingida na idade
adulta têm um maior risco de obesidade aos 33 anos que aquelas com altura menor.
De acordo com o estudo, crianças do sexo masculino que cresceram rapidamente
durante a infância, particularmente aquelas com menor peso ao nascer, apresentaram
uma maior tendência à obesidade durante a idade adulta.
Segundo o estudo, publicado
em dezembro no British Medical Journal, existe uma relação discreta entre o
peso ao nascer e o risco de obesidade na idade adulta, levando-se em consideração
o peso materno. Gestantes de peso elevado, por exemplo, costumam ter filhos
maiores e que crescem com tendência à obesidade. Não se encontrou associação
entre o peso do pai e o risco de obesidade da criança.
Esses achados sugerem que
os programas voltados para a redução da obesidade entre adultos devem dar maior
atenção às mulheres em idade reprodutiva e crianças, afirmam os autores do estudo.
O início da infância pode
ser um período importante para intervir, especialmente em crianças do sexo masculino
com baixo peso ao nascer. Eles ressaltam, no entanto, que quaisquer intervenções
para diminuir o ganho de peso não devem afetar o crescimento normal da criança.
Os resultados do estudo
são baseados em informações obtidas a partir da análise de mais de 10.000 pessoas
nascidas na Inglaterra, Escócia ou País de Gales durante o ano de 1958. os pesquisadores
avaliaram os participantes com 7, 11, 16, 23 e 33 anos de idade.
Em adultos, demonstrou-se
que o índice de massa corpórea (IMC) é maior em pessoas com peso elevado ao
nascer apenas em casos extremos. Entretanto, quando levou-se em consideração
o peso materno, a associação entre peso ao nascer e IMC na idade adulta mostrou-se
bem menos importante.
Deve-se lembrar que novos
estudos devem pesquisar como alguns fatores que interferem com o crescimento
pré-natal, como a alimentação materna e o tabagismo, relacionam-se com o posterior
risco de obesidade das crianças. Além disso, ainda são necessários estudos que
avaliem estratégias de prevenção da obesidade nessas crianças.
É importante ressaltar a
importância de estratégias para o combate à obesidade na infância.
Em vez de concentrar esforços
no desenvolvimento de drogas para a obesidade em adultos, talvez possamos usar
os nossos conhecimentos para desenvolver e avaliar intervenções sociais, comportamentais
ou políticas voltadas para as crianças.
Referência:
British Medical Journal 2001;323:1320-1321, 1331-1335.