A infecção
do trato urinário é uma causa comum de bacteremia em crianças.
Esta revisão aborda as características clínicas e laboratoriais
da infecção do trato urinário com bacteremia, em comparação
com os casos sem bacteremia.
Os pacientes do estudo foram escolhidos entre crianças
em tratamento em hospitais pediátricos da Finlândia. Os prontuários
de crianças abaixo de 16 anos com infecção do trato urinário
(ITU) com bacteremia foram revisados. 134 crianças foram identificadas
com:
(1) sintomas
agudos, como febre, irritabilidade, vômitos ou disúria;
(2) crescimento bacteriano após punção
supra púbica ou crescimento de 100.000 ou mais
colônias após coleta do jato médio de urina ou 2 amostras
com saco coletor;
(3) crescimento do mesmo patógeno em hemoculturas
e uroculturas;
(4) 1º diagnóstico de infecção
urinária;
(5) nenhuma anomalia do trato urinário conhecida ou
outra doença grave subjacente.
O grupo de comparação
incluiu crianças hospitalizadas com ITU cujas hemoculturas foram negativas.
A febre foi o principal sinal da doença em ambos os grupos. Não
houve diferença estatisticamente significativa em relação
à incidência de irritabilidade, choro, vômitos ou dor abdominal
nos dois grupos.
Problemas com a alimentação
foram o único sinal significativamente mais comum entre os pacientes
bacterêmicos. Não existiu diferença evidente na contagem
de leucócitos inicial dos dois grupos. O
nível sérico médio de proteína C reativa na admissão
foi bem mais elevado nos pacientes com bacteremia, reduzindo após o tratamento.
A Escherichia coli foi
responsável por 114 episódios (85 %) de infecções
urinárias com bacteremia e por 125 (93 %) das infecções
com hemocultura negativa. O Staphylococcus aureus causou 6 infecções
bacterêmicas e 1 não-bacterêmica. A
duração média da antibioticoterapia foi mais prolongada
nos pacientes com bacteremia, os quais, também, apresentaram um período
de internação mais prolongado e demoraram mais para tornarem-se
afebris.
A incidência de refluxo
vesico-ureteral, obstrução do trato urinário, ou ambos,
no exame radiológico, foi significativamente mais freqüente nos
pacientes bacterêmicos. Todos os pacientes com bacteremia por S. aureus
apresentaram alguma anormalidade do trato urinário. Os
autores concluem que as crianças com ITU e bacteremia são, muitas
vezes, indistinguíveis daquelas com ITU e hemocultura negativa.
Tendo em vista que as crianças
com bacteremia, especialmente as que não são causadas pela E.
coli, podem precisar de exames de imagem para identificar alterações
do trato urinário, além do fato de hemoculturas negativas facilitarem
o tratamento ao possibilitar o tratamento por via oral, as hemoculturas permanecem
úteis na avaliação de crianças internadas com ITU
e febre.
Referência
Honkinen O, et al. Bacteremic urinary tract infection in children. Pediatr
Infect Dis J July 2001;19:630-4