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Icterícia NeoNatal

A icterícia neonatal é uma condição bastante comum. Ela resulta da elevação dos níveis séricos de bilirrubina, um produto do metabolismo da hemoglobina. Os recém-nascidos apresentam níveis de bilirrubina significativamente maiores que adultos, devido a mecanismos fisiológicos normais.

Após a destruição das hemácias, o grupo heme é convertido em biliverdina e monóxido de carbono, uma reação catalisada pela enzima heme-oxigenase que é a etapa limitante na degradação do heme. A biliverdina e o monóxido de carbono são produ-zidos em quantidades equimolares ao heme, ou seja, cada molécula de heme é transformada em uma molécula de biliverdina e uma molécula de CO.

Em seguida, a biliverdina é convertida em bilirrubina em uma reação catalisada pela biliverdina redutase. A bilirrubina é captada pelos hepatócitos e transformada em compostos do tipo mono- e diglucuronil, em reação catalisada pela UDP-glucuronosiltransferase. Esses compostos são excretados através do trato gastrointestinal. Na presença de algumas enzimas bacterianas, os compostos podem ser desconjuga-dos e a bilirrubina pode ser reabsorvida. Os recém-nascidos apresentam uma predisposição à hiperbilirrubinema por mecanismos fisiológicos importantes. Em primeiro lugar, recém-nascidos apresentam um hematócrito mais elevado, observando-se valores entre 45-55% em crianças nascidas a termo.

Portanto, existe uma maior carga de heme por peso nessa faixa etária. Além disso, em parte por apresentarem hemoglobina fetal, as hemácias de recém-nascidos têm uma menor vida média, que gira em torno de 90 dias, em comparação com 120 dias nos adultos.

Segundo, recém-nascidos apresentam uma deficiência natural de UDP glucuronosiltransferase, com uma menor capacidade de conjugar e excre-tar a bilirrubina. Deficiências mais graves, como na síndrome de Crigler-Najjar tipo 1, causam hiperbilirrubinemia grave e risco elevado de toxicidade.

Finalmente, observa-se uma menor excreção de bilirrubina relacionada ao menor trânsito intestinal dos recém-nascidos, principalmente em crianças prematuras.

As crianças que recebem aleitamento materno tam-bém apresentam um menor volume fecal, reduzindo ainda mais a excreção da bilirrubina, mesmo em comparação com outros recém-nascidos. Esses fatores contribuem para a elevação da concentração sérica de bilirrubina em recém-nascidos que recebem leite materno.

Nesse contexto, nem sempre é fácil determinar quais recém-nascidos apresentam níveis séricos “normais” de bilirrubina, com icterícia fisiológica pelos mecanismos descritos acima, e quais apresentam uma condição patológica responsável pela icterícia.

Da mesma forma, é necessário estabelecer quais valores devem ser considerados preocupantes e que tipo de tratamento deve ser instituído.

Em geral, recém-nascidos a termo apresentam níveis séricos de bilirrubina em torno de 5-6 mg/dL, embora possam ser observados valores “normais” entre 7-17 mg/dL, desde que não sejam observados precocemente (1º dia de vida). Outros fatores que apresentam associação com hiperbilirrubinemia incluem o sexo masculino, origem asiática, diabetes materno e história familiar de icterícia durante o período neonatal. Concentrações acima de 17 mg/dL estão mais relacionadas a alguma condição patológica.

Referências
1. Broulliard R. Measurement of red cell life span. JAMA 1974; 230: 1304.
2. Halamek LP, Stevenson DK. Neonatal jaundice and liver disease. In: Fanaroff AA, Martin RJ, eds. Neonatal-perinatal medicine: Diseases of the fetus and infant. 6th ed. Vol. 2. St. Louis: Mosby Yearbook, 1997:1345.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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