As verdadeiras causas da Depressão
É difícil acertar com os antidepressivos. De acordo com estudos, mais da metade das pessoas que tomam antidepressivos não conseguem alívio total dos sintomas.
Não se deve 'simplificar' as causas da depressão e, portanto, os medicamentos devem ser desenvolvidos com o objetivo de atingir as causas.
Estudo recente pesquisou duas convicções sobre a depressão: que eventos estressantes sejam uma das principais causas para a depressão e que um desequilíbrio nos neurotransmissores no cérebro desencadeiem sintomas depressivos. Ambas convicções são importantes porque serviram de base para o desenvolvimento de medicamentos utilizados para tratar a depressão.
O estudo encontrou evidências moleculares poderosas que derrubam o dogma de que o estresse é geralmente uma causa importante para a depressão. Esta pesquisa revela que quase não existe superposição entre os genes relacionados com o estresse e aqueles relacionados com a depressão.
Isto abre novas rotas para o desenvolvimento de novos antidepressivos que podem ser mais efetivos. De acordo com a pesquisa, há 20 anos que não existe uma novidade na área de antidepressivos baseada em um novo conceito.
Suas descobertas baseiam-se em estudos com um modelo de rato gravemente deprimido que reflete várias anormalidades fisiológicas e comportamentais encontradas em pacientes com depressão maior.
A pesquisa descobriu aproximadamente 254 genes relacionados ao estresse e 1.275 genes relacionados à depressão, com uma superposição de apenas cinco genes entre os dois.
Segundo ela, outra razão para os antidepressivos serem inefetivos reside no fato que eles buscam elevar o nível de neurotransmissores, baseado na explanação molecular para depressão, ou seja, que ela resulta dos baixos níveis dos neurotransmissores serotonina, norepinefrina e dopamina, mas que, segundo a pesquisa, este conceito está errado.
O estudo encontrou fortes indicações que a depressão começa muito além da cadeia de eventos no cérebro. Os eventos bioquímicos que resultam na depressão começam no desenvolvimento e funcionamento dos neurônios.
As medicações têm interagido sobre os efeitos e não sobre as causas, afirma ela. Por isso, a demora para ter efeito em alguns e não surtir efeito em muitas pessoas.
O modelo animal da depressão não mostra grandes diferenças nos genes que controlam as funções dos neurotransmissores. Se a depressão estivesse associada à atividade dos neurotransmissores, nós poderíamos tê-la visualizada.
Fonte: Neurosciense 2009, 27/10/2009