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OS TRANSTORNOS DA ANSIEDADE NA ATUALIDADE

A importância do Trabalho Corporal no Campo Terapêutico

Trata-se da apresentação de uma técnica de abordagem corporal, que pode ser aplicada para auxiliar no tratamento dos distúrbios da ansiedade causados por tensões cronificadas ou stress. O trabalho corporal com os Toques Sutis do Dr. Sándor (x1) visa, entre outros aspectos, a conquista de um reequilíbrio funcional do organismo e de um apaziguamento das turbulências dos sentimentos. Acompanha o favorecimento de um estado de revigoração orgânica e de ânimo para um dia-a-dia produtivo.

A Calatonia (x1), atua no reequilíbrio do tônus muscular, das pulsações cardíacas e da cadência respiratória, podendo ser usada como um procedimento não só curativo, mas também psicoprofilático. Considerando a questão específica dos transtornos da ansiedade, bons resultados foram obtidos com este método em contextos psicoterapêuticos.

Nos tempos atuais as neuroses, os medos e as fobias assim como o pânico, fazem parte da doença da sociedade dos tempos modernos. Os quadros de indisposições podem variar desde os mais simples até os de mais alto grau de complexidade. O contexto da vida moderna está repleto de tensões e as crises de desequilíbrios psicossomáticos são como gritos de socorro. Jung apontou no transcorrer dos seus trabalhos, para a importância da linguagem corporal dos sentimentos e das emoções, como está representada na seguinte passagem: "são poucos os casos de neurose nos quais as vísceras não estão perturbadas" (Jung, 1976, p. 52). Nesse mesmo sentido, considerando a expressão das emoções na linguagem corporal, Walther Bühler, numa postura antroposófica, falando do corpo como instrumento da alma e comentando sobre as interligações com os sentimentos, a consciência e a vontade, asseverou: "O vai-e-vem dos sentimentos se manifesta nos processos rítmicos da respiração e do batimento cardíaco; ... o desabrochar da vontade de nossa alma se expressa no sistema metabólico-motor" (Bühler, 1990, introd.).

Como a Calatonia trabalha diretamente na escuta das manifestações corporais, podemos visualizar o seu amplo potencial de alcance não só no trabalho com os quadros mais graves, como fobias e pânico, mas também com os desequilíbrios físicos e psíquicos de graduações mais leves, que vão se configurando no dia-a-dia em diferentes composições. A Calatonia, aplicada sistematicamente no contexto terapêutico como um recurso auxiliar, encontra condições ideais para que os seus benefícios possam se potencializar, na medida em que seu efeito é progressivo.

É importante ressaltar que o método de relaxamento calatônico, alem de promover um estado de rebaixamento da fiscalização da mente racional, criando um estado crepuscular da consciência, propicia também condições para que o corpo possa criar seus próprios movimentos de auto-regulação, sem os bloqueios causados pela interferência da mente racional. As razões pelas quais a Calatonia costuma apresentar um alcance que, por vezes, se faz tão profundo e abrangente, podem ser encontradas na análise das bases do método. A essência dos conseguimentos fundamenta-se principalmente na riqueza da plasticidade sensorial e do potencial do tato. Conforme comentários de Pethö Sándor e de Asheley Montagu, "é um campo ainda pouco explorado o da plasticidade sensorial" (Sándor); e ainda "as bases psicofísicas e psiconeuroimunológicas do tato continuam sendo campos abertos e promissores para a realização de pesquisas internas" (Montagu, in Delmanto, 1992, pp. 127 e 181).

Entre as qualidades amplas da Calatonia e justificando a sua utilização no contexto terapêutico, temos que os toques cuidadosos, delicados e não invasivos podem mobilizar sensações por vezes esquecidas, de um acalento que promove plenitude. Em todos os tempos e nas mais distintas culturas foi sempre reconhecida a importância do contato no transcorrer de toda a vida, desde o nascimento até a morte. Faz parte da natureza humana o diálogo pelo contato corporal para um desenvolvimento saudável, tanto físico quanto psíquico. São numerosas as pesquisas na atualidade nesse sentido, reconhecendo que o contato físico é fonte de alimento tanto para o corpo como para o mais elevado nível da alma.

Nos tempos atuais conturbados, com tantas informações alarmantes e na presença das acelerações em todos os campos, os padrões de conduta dos comportamentos passaram a entrar num estado de constante abalo, configurando a matriz dos distúrbios das ansiedades em todas as graduações. Uma reaproximação da natureza é, nos tempos atuais, uma necessidade de vital importância.

As situações imprevistas se multiplicando no dia-a-dia, abalam os alicerces de uma segurança básica que é imprescindível para o equilíbrio do corpo e dos sentimentos. A reaprendizagem do viver com a simplicidade da natureza e a reconquista das relações humanas mais plenas, caminham juntas para o alcance de uma estabilidade perdida, tanto no que diz respeito a uma harmonização social como no campo do equilíbrio individual.

O trabalho terapêutico que se integra com a linguagem corporal, caminhando junto com uma qualidade de vida mais saudável, abrem caminho para a dissolução das ansiedades e das inseguranças.

Temos nesta direção a presença de um campo de luz para uma vida mais produtiva, mais criativa, mais plena e mais feliz.

Nota x1: Dr. Sándor (1916-1992), médico e terapeuta de origem húngara, veio para o Brasil em 1949. Desenvolveu mais de uma centena de Toques Sutis, a serem aplicados em diferentes pontos e zonas do corpo. Podemos destacar: as seqüências de descompressão fracionada, o trabalho relacionado com os pontos de apoio do corpo, as seqüências de giros e de estiramentos suaves nas articulações, as seqüências de toques de sopro e os toques com o magnetismo das mãos e do olhar, entre outros. O registro desses trabalhos já foi organizado seguindo o critério de regiões corporais (Delmanto, S., 1997).

O trabalho central do Dr. Sándor foi a criação da Calatonia. O procedimento calatônico corresponde a 9 toques aplicados simultaneamente em pontos precisos dos dois pés, incluindo calcanhar e tornozelo, com um toque de finalização na base da nuca. Cada toque pontual é feito com extrema sutileza, tendo duração média de 3 minutos. O silêncio e a monotonia do trabalho favorecem a entrada num estado crepuscular da mente, ao mesmo tempo em que os estímulos térmicos, de pressão e energéticos captados pelos receptores da pele atuam criando condições para a harmonização dos fluxos corporais e da tonicidade muscular. O método pode ser encontrado descrito na íntegra pelo seu criador (Sándor, 1974).

Referencia: Suzana Delmanto
Psicóloga Clínica, Especialista em Cinesiologia pelo Instituto Sedes Sapientiae, São Paulo, SP.
Autora do Livro Toques Sutis: uma experiência de vida com o trabalho de Pethö Sándor; Ed. Summus, São Paulo.


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