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RM de coluna em pacientes assintomáticos

Com que freqüência observam-se alterações na RM de coluna em pacientes assintomáticos?

Alguns estudos avaliaram a RM em pacientes assintomáticos. Em muitos deles, a interpretação das imagens foi realizada por radiologistas que desconheciam os dados clínicos dos pacientes.

Todos os estudos revelaram uma elevada incidência de alterações em pacientes assintomáticos de todas as faixas etárias.
Um estudo clássico realizado por Boden e cols demonstrou que 50% dos pacientes entre 20 e 60 anos apresentam protrusão discal, número que aumenta para cerca de 80% dos pacientes com mais de 60 anos. Nenhum desses pacientes apresentavam queixas lombares.

No mesmo estudo, observou-se herniação discal evidente e alterações degenerativas dos discos em 25% e mais de 50% dos pacientes.

Outro estudo, realizado por Weinreb e cols, demonstrou que 44% das gestantes assintomáticas apresentam protrusão discal sem herniação, enquanto 10% delas apresentam herniações discais evidentes.

Quando a ressonância magnética (RM) pode ser útil em pacientes com queixa de lombalgia?

Tendo em vista que esses e outros estudos apontaram uma elevada prevalência de alterações em pacientes assintomáticos, a ressonância magnética da coluna deve ser rea-lizada apenas em casos selecionados.

Portanto, não se recomenda a realização de rotina de RM da coluna em pacientes com sintomas há menos de um mês, exceto quando algum dos seguintes “sinais de alerta” estiver presente:

  • Suspeita elevada de tumor/diagnóstico prévio de neoplasia
  • Suspeita elevada de infecção
  • Suspeita elevada de fratura
  • Suspeita de hematoma epidural na coluna
  • Evidências de síndrome da cauda eqüina ou déficits neurológicos progressivos

Quando houver algum desses sinas de alerta, indica-se a realização da RM. Neurocirurgiões e ortopedistas devem ser notificados, permitindo uma intervenção cirúrgica precoce nos casos necessários.

A RM de coluna também é útil em pacientes com dor lombar persistente que serão submetidos a intervenção cirúrgica ou bloqueio seletivo de raízes nervosas.

Esse método de imagem apresenta uma excelente sensibilidade no diagnóstico de hérnia discal, sendo o exame de escolha nesses pacientes.
Na ausência de sintomas sugestivos de maior gravidade, muitos pacientes (incluindo aqueles com sinais de radiculopatia) podem ser tratados clinicamente, principalmente aqueles que não são candidatos ou não desejam realizar tratamento cirúrgico.

Nesses casos, a RM não fornece informações importantes. Quando os sintomas persistem por mais de 1 mês e existe a possibilidade de intervenção cirúrgica, deve-se realizar a RM para correlacionar os dados clínicos e as alterações identificadas com a investigação radiológica.

A RM também é importante em pacientes que realizaram cirurgias prévias na coluna e apresentam queixas agudas relacionadas à coluna. Trata-se de um excelente exame para diferenciar hérnias discais e processos cicatriciais associados à intervenção cirúrgica.

Referências
1. Boden SD, Davis DO, Dina TS, Patronas NJ, Wiesel SW. Abnormal magnetic-resonance scans of the lumbar spine in asymptomatic subjects: a prospective investigation. J Bone Joint Surg Am 1990 Mar;72(3):403-8.
2. Weinreb JC, Wolbarsht LB, Cohen JM, Brown CE, Maravilla KR. Prevalence of lumbosacral intervertebral disk abnormalities on MR images in pregnant and asymptomatic nonpregnant women.
Radiology. 1989 Jan;170(1 Pt 1):125-8.
3. Bogduk N and Barnsley L. Back Pain and Neck Pain: An evidence-based update. Pain 1999, An Updated Review 71-77, IASP.
4. Jensen MC, Brant-Zawadzki MN, Obuchowski N, Modic MT, Malkasian D, and Ross JS. Magnetic resonance imaging of the lumbar spine in people without back pain. N Engl J Med 1994; 331:69-74.
5. Malanga GA and Nadler SF. Nonoperative treatment of low back pain. May Clin Proc 1999; 74:1135-1148.



Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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