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Radiografias da coluna cervical após trauma fechado

Estima-se que aproximadamente 800.000 radiografias de coluna cervical são realizadas anualmente nos Estados Unidos em pacientes vítimas de trauma fechado. Apesar da maioria dos exames não apresentar alterações, uma lesão cervical não diagnosticada pode provocar uma deficiência neurológica importante. Vários estudos revelaram que cinco critérios específicos (ausência de déficit neurológico focal, nível de consciência normal, falta de evidências de intoxicação, ausência de rigidez na linha média posterior e de lesão dolorosa aparente clinicamente) apresentam uma sensibilidade de 100 por cento para descartar a lesão de coluna cervical. No entanto, o limite de confiança inferior para a sensibilidade dos critérios foi de 89 por cento, considerado muito baixo para ser aceito e utilizado universalmente. Hoffman e colaboradores organizaram o National Emergency X-Radiography Utilization Study (NEXUS), numa tentativa de validar esses critérios pré-determinados (o instrumento de decisão).

Esse estudo observacional e prospectivo envolveu a participação de 21 centros nos Estados Unidos, incluindo hospitais universitários e comunitários, além de hospitais-escola e comuns. Os pacientes incluíram as vítimas de trauma fechado que procuraram o serviço de emergência. Os indivíduos com trauma penetrante ou com exames de imagem cervicais por quaisquer outras razões não relacionadas a trauma foram excluídos do estudo. Um estudo da coluna cervical com três incidências foi feito em todos os casos. De acordo com a solicitação médica, exames adicionais podiam ser solicitados. As radiografias foram interpretadas por radiologistas designados em cada uma das instituições. Uma lista de possíveis lesões da coluna cervical foi criada antes do início do trabalho. O diagnóstico de lesão cervical e do tipo de fratura foi feito de acordo com a interpretação final de todos os estudos de imagem. Todas as lesões foram classificadas como significativas ou não, do ponto de vista clínico. Definiu-se uma lesão clinicamente insignificante como aquela que não requer tratamento específico e que, não sendo identificada, não tem repercussões sobre a saúde do paciente. As lesões constatadas pelo método radiográfico foram consideradas insignificantes apenas quando eram isoladas e não havia evidências de outras lesões ósseas, ligamentares ou da medula espinhal. Todas as outras lesões foram consideradas clinicamente relevantes.

Entre os 34.069 pacientes com 1 a 101 anos de idade que foram submetidos à radiografia da coluna cervical após trauma fechado, 818 (2,4%) apresentaram lesão observada na radiografia. Entre esses pacientes, oito não foram identificados pela utilização dos cinco critérios de rastreamento (falsos-negativos). Entretanto, dois destes pacientes apresentavam os critérios pré-determinados para lesão clinicamente relevante. A sensibilidade foi próxima de 100 por cento em lesões clinicamente importantes. Observou-se ainda, com a aplicação retrospectiva dos cinco critérios, que 4.309 pacientes (cerca de 13%) não precisariam realizar a radiografia de coluna cervical.

Os autores concluem que, com a utilização desses critérios pré-determinados, os médicos podem identificar corretamente os pacientes com trauma fechado que precisam de uma avaliação radiográfica da coluna cervical. O índice geral de lesões da coluna cervical que não foram identificadas nesse estudo foi inferior a 1 em 4.000. Levando-se em consideração que cada médico de serviços de emergência solicita uma média de 32 radiografias de coluna cervical por ano, um caso de lesão cervical oculta poderia ser encontrado a cada 125 anos de prática clínica. Os autores acreditam que a aplicação desse instrumento, agora validado, pode trazer benefícios clínicos e econômicos importantes.

Ref.: Hoffman JR, et al. Validity of a set of clinical criteria to rule out injury to the cervical spine in patients with blunt trauma. N Engl J Med July 13, 2000;343:94-9.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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