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Métodos de imagem na avaliação de pacientes com dor lombar

A dor lombar é uma queixa comum em pacientes atendidos por médicos generalistas e representa a principal causa de perda da capacidade produtiva nos EUA. A maioria dos pacientes apresentam apenas dor lombar que tem resolução espontânea ou desaparece após pequenas intervenções. A principal função do médico é identificar cerca de 5% dos pacientes com essa queixa que apresentam doenças mais graves. Jarvik e Deyo discutem o diagnóstico diferencial e fazem uma revisão sobre a abordagem mais adequada de pacientes com dor lombar.

Tendo em vista que os sintomas e as causas de dor lombar podem não apresentar uma relação evidente, pode ser difícil estabelecer o diagnóstico definitivo. O diagnóstico diferencial pode ser dividido em causas mecânicas (que não envolvem inflamação ou infecção), não mecânicas (incluindo processos inflamatórios, infecções e doenças infiltrativas) e viscerais (que não envolvem a coluna vertebral). Alguns diagnósticos permanecem controversos, como a instabilidade lombar. A abordagem que permite o diagnóstico correto da dor lombar inclui a identificação de doenças sistêmicas associadas, alterações neurológicas que podem necessitar de intervenção cirúrgica e a compreensão de fatores psico-sociais que contribuem para a dor.

A dor ciática geralmente é a primeira dica sobre o envolvimento neurológico em pacientes com dor lombar, principalmente em adultos jovens. A dor radicular verdadeira geralmente tem irradiação até abaixo do joelho. Discos intervertebrais herniados, geralmente envolvendo as raízes nervosas de L5 ou S1, são a causa mais comum de dor ciática. A estenose do canal vertebral resulta de alterações ósseas, pressão a partir das partes moles, ou ambos, sendo mais freqüente em adultos de idade mais avançada. O sintoma clássico da estenose do canal vertebral é a claudicação neurogênica em posição ortostática. Déficit de força muscular e parestesias também podem ser encontradas, com melhora dos sintomas em posição sentada ou com a flexão da coluna. A síndrome da cauda eqüina, causada por compressão local, é uma emergência cirúrgica, e os sintomas mais comuns incluem retenção urinária, dor ciática, déficits motores e sensitivos, a presença do sinal de Lasegue e perda do tônus esfincteriano. As alterações sensitivas geralmente envolvem a região glútea, coxas e períneo.

Os autores utilizaram uma pesquisa compreensiva no MEDLINE para analisar diferentes estratégias diagnósticas em pacientes com dor lombar. A radiografia simples é o exame mais solicitado. As incidências em ântero-posterior e perfil podem ser úteis, demonstrando o alinhamento das vértebras, a altura dos discos e dos corpos vertebrais, bem como uma impressão inicial da densidade e arquitetura óssea.

As incidências oblíquas e perfis localizados não são recomendados na avaliação de rotina pela AHCPR (sigla, em inglês, de Agency for Health Care Policy and Research, atualmente denominada Agency for Healthcare Research and Quality). A radiografia da coluna lombar tem como desvantagem a exposição das gônadas à radiação ionizante, que pode trazer riscos principalmente às mulheres jovens. A radiografia simples é menos sensível para o diagnóstico de lesões metastáticas que outros métodos de imagem. Quando se observam lesões líticas ou blásticas, a especificidade é elevada (95-99,5%) mas a sensibilidade é baixa. As fraturas de compressão podem ser identificadas facilmente, mas não é possível analisar a cronicidade da fratura. O exame é pior quando utilizado para diagnosticar osteomielite, hérnias de disco, estenose do canal vertebral ou a compressão de raízes nervosas.

A tomografia computadorizada apresenta uma sensibilidade mais elevada que a radiografia simples para a identificação da hérnia de disco, estenose central e compressão de raízes nervosas. A ressonância magnética (RM), por sua vez, fornece um melhor contraste das partes moles, permitindo uma melhor visualização das diferentes partes da medula, do disco e do canal vertebral. A RM não utiliza radiação ionizante mas não é capaz de fornecer imagens apropriadas da cortical óssea, sendo um método de imagem inadequado para o diagnóstico de fraturas recentes. Pode-se utilizar a injeção venosa do meio de contraste com gadolínio para analisar as raízes nervosas e alcançar uma maior especificidade, mas essa etapa do exame provavelmente não é necessária em pacientes sem antecedente cirúrgico. Provavelmente, a RM com contraste é o melhor método de imagem para caracterizar infecções da coluna vertebral. Além disso, é um método útil para diagnosticar metástases ósseas e outras doenças medulares infiltrativas. A cintilografia óssea com radioisótopos é importante no diagnóstico de infecções, fraturas de estresse, espondilolise sintomática e doença metastática.

Os autores recomendam uma estratégia diagnóstica semelhante àquela recomendada pela AHCPR. A radiografia simples não deve ser solicitada em todos os pacientes e geralmente não fornece informações úteis em indivíduos saudáveis com idade igual ou menor que 50 anos. A radiografia simples e a velocidade de hemossedimentação podem identificar a maioria dos pacientes com doenças sistêmicas associadas. Em geral, os casos de radiculopatia não complicada podem ser tratados de forma conservadora por 6 meses, sem a necessidade da radiografia simples. Em pacientes sem melhorar clínica, geralmente recomenda-se a realização de RM.

Referência
Jarvik JG, Deyo RA. Diagnostic evaluation of low back pain with emphasis on imaging. Ann Intern Med October 1, 2002;137:586-97.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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