Artigos Científicos
     Artigos Médicos

Buco - Maxilo

Cardiologia

Cirurgia Geral

Dermatologia

Endocrinologia

Fisiologia

Gastroenterologia

Genética

Geriatria

Ginecologia

Hematologia

Medicina Nuclear

Moléstias Infecciosas

Nefrologia

Neurologia

Obstetrícia

Oncologia

Ortopedia

Pediatria

Pneumologia

Radiologia

Reumatologia

Urologia

Vascular

Outras Especialidades


Ortopedia

Lesão de manguito rotador

A Ultra-Sonografia facilita muito o diagnóstico preciso das lesões de manguito rotador. Entretanto, as chaves para o diagnóstico correto ainda são a anamnese e o exame físico detalhados. É necessário excluir outros diagnósticos possíveis, tais como radiculopatia, síndrome de Parsonage-Turner, tumor de Pancoast, artrite gleno-umeral, artrite acrômio-clavicular, instabilidade de ombro e capsulite adesiva.

No passado, acreditava-se que as lesões do manguito rotador eram ocasionadas por alteração na vascularização dessa região. Atualmente, a etiologia exata da tendinopatia do manguito é controversa. Provavelmente, há uma combinação de fatores agindo, incluindo menor vascularização e menor celularidade no tendão, assim como alterações nas fibras colágenas, decorrentes do processo de envelhecimento. Uma hipótese é que a saída do músculo supraespinhoso torne-se estreita em decorrência da formação de esporões acromiais e/ou de alterações degenerativas da articulação acrômio-clavicular. No entanto, estudos clínicos não conseguiram demonstrar se as alterações hipertróficas observadas no arco córaco-acromial são o resultado ou a causa da lesão do manguito.

O espessamento capsular, particularmente da cápsula posterior, é seguido por perda na amplitude do movimento, podendo haver migração da cabeça umeral em sentido cefálico e impacto do manguito abaixo do arco córaco-acromial (impacto subacromial). Dessa forma, o tratamento da artropatia do manguito rotador inclui exercícios de reestabelecimento da motricidade. Além disso, deve ser recuperada a relação normal entre a moticidade da articulação gleno-umeral e a rotação escapular, para que o movimento possa ser executado sem dor.

A radiografia simples é essencial na avaliação inicial do ombro doloroso com impacto, associado à tendinopatia do manguito. Os depósitos de cálcio no manguito podem ser melhor visualizados em imagens ântero-posteriores rotacionais. Devemos suspeitar de tendinopatia do manguito rotador quando a distância acrômio-umeral for inferior a 7 mm ou quando houver formação de cisto na tuberosidade maior, osteopenia da cabeça umeral, esclerose da tuberosidade maior ou colapso da cabeça umeral. Em estágios mais avançados, pode ocorrer perda completa do espaço da articulação gleno-umeral, com migração superior e apoio da cabeça umeral sobre a superfície inferior do acrômio.

A ultra-sonografia do ombro é um método diagnóstico eficaz, rápido e indolor. Um examinador experiente não sente dificuldade em diagnosticar lesões de manguito rotador, bursites, tendinites, instabilidades, artrose ou hematoma da articulação acrômio-clavicular, ou rotura do tendão biccipital. Na literatura, a sensibilidade da ultra-sonografia de ombro varia entre 91 e 100% e a especificidade entre 83 e 100%. O exame dinâmico permite uma visão especial dos tendões deslizantes, de músculos e estruturas ósseas do ombro. Com o uso de cortes padronizados, o ortopedista pode diagnosticar e documentar praticamente todas as patologias de tecido mole do ombro.

A lesão de Hill-Sachs é uma fratura compressiva causada pelo impacto das trabéculas da cabeça umeral durante a luxação anterior da articulação gleno-umeral. A detecção acurada e precoce dos pacientes com risco de recorrência de luxação de ombro requer o uso de método de rastreamento adequado. Esse método deve ter sensibilidade e especificidade elevadas, baixo custo e boa reproducibilidade. O uso da ultra-sonografia como método de rastreamento foi estudado, tendo sido o escolhido na presença de lesão de Hill-Sachs.

Um estudo utilizou a ultra-sonografia, métodos radiológicos convencionais e TC com duplo contraste (artrografia-TC), em 60 pacientes com instabilidade do ombro pós-traumática. Em relação à artrografia por TC, a ultra-sonografia apresentou sensibilidade de 95.6%, especificidade de 92.8% e acurácia diagnóstica de 95%.

Conclusão do estudo

A ultra-sonografia pode ser utilizada no rastreamento de luxação escápulo-umeral recorrente e deve preceder a realização de outros métodos de investigação, como a TC e a RM.

Conclui-se que a ultra-sonografia é um método sensível e acurado na identificação de pacientes com roturas completas do manguito rotador, com patologia extra-capsular de tendão biccipital, ou de ambos. O exame dinâmico ajuda a confirmar, mas não excluir, a presença de impacto.

Pontos-chave

A tendinopatia aguda do manguito rotador é freqüentemente precedida por trauma, como queda sobre o ombro acometido. Casos crônicos estão associados à perda na amplitude dos movimentos e sensação de rigidez nas posições extremas do movimento.

Referência bibliográfica
Shoulder ultrasound: diagnostic accuracy for impingement syndrome, rotator cuff tear, and biceps tendon pathology. Read JW; Perko M J. Shoulder Elbow Surg, 7(3):264-71 1998 May-Jun

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


A LINCX Sistemas de Saúde possui todos os direitos autorais dos artigos e imagens publicados neste portal