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Ultra-Sonografia facilita muito o diagnóstico preciso das lesões
de manguito rotador. Entretanto, as chaves para o diagnóstico correto
ainda são a anamnese e o exame físico detalhados. É necessário
excluir outros diagnósticos possíveis, tais como radiculopatia,
síndrome de Parsonage-Turner, tumor de Pancoast, artrite gleno-umeral,
artrite acrômio-clavicular, instabilidade de ombro e capsulite adesiva.
No passado, acreditava-se que as lesões do manguito rotador eram ocasionadas
por alteração na vascularização dessa região.
Atualmente, a etiologia exata da tendinopatia do manguito é controversa.
Provavelmente, há uma combinação de fatores agindo, incluindo
menor vascularização e menor celularidade no tendão, assim
como alterações nas fibras colágenas, decorrentes do processo
de envelhecimento. Uma hipótese é que a saída do músculo
supraespinhoso torne-se estreita em decorrência da formação
de esporões acromiais e/ou de alterações degenerativas
da articulação acrômio-clavicular. No entanto, estudos clínicos
não conseguiram demonstrar se as alterações hipertróficas
observadas no arco córaco-acromial são o resultado ou a causa
da lesão do manguito.
O espessamento capsular, particularmente da cápsula posterior, é
seguido por perda na amplitude do movimento, podendo haver migração
da cabeça umeral em sentido cefálico e impacto do manguito abaixo
do arco córaco-acromial (impacto subacromial). Dessa forma, o tratamento
da artropatia do manguito rotador inclui exercícios de reestabelecimento
da motricidade. Além disso, deve ser recuperada a relação
normal entre a moticidade da articulação gleno-umeral e a rotação
escapular, para que o movimento possa ser executado sem dor.
A radiografia simples é essencial na avaliação inicial
do ombro doloroso com impacto, associado à tendinopatia do manguito.
Os depósitos de cálcio no manguito podem ser melhor visualizados
em imagens ântero-posteriores rotacionais. Devemos suspeitar de tendinopatia
do manguito rotador quando a distância acrômio-umeral for inferior
a 7 mm ou quando houver formação de cisto na tuberosidade maior,
osteopenia da cabeça umeral, esclerose da tuberosidade maior ou colapso
da cabeça umeral. Em estágios mais avançados, pode ocorrer
perda completa do espaço da articulação gleno-umeral, com
migração superior e apoio da cabeça umeral sobre a superfície
inferior do acrômio.
A ultra-sonografia do ombro é um método diagnóstico
eficaz, rápido e indolor. Um examinador experiente não sente dificuldade
em diagnosticar lesões de manguito rotador, bursites, tendinites, instabilidades,
artrose ou hematoma da articulação acrômio-clavicular, ou
rotura do tendão biccipital. Na literatura, a sensibilidade da ultra-sonografia
de ombro varia entre 91 e 100% e a especificidade entre 83 e 100%. O exame dinâmico
permite uma visão especial dos tendões deslizantes, de músculos
e estruturas ósseas do ombro. Com o uso de cortes padronizados, o ortopedista
pode diagnosticar e documentar praticamente todas as patologias de tecido mole
do ombro.
A lesão de Hill-Sachs é uma fratura
compressiva causada pelo impacto das trabéculas da cabeça umeral
durante a luxação anterior da articulação gleno-umeral.
A detecção acurada e precoce dos pacientes com risco de recorrência
de luxação de ombro requer o uso de método de rastreamento
adequado. Esse método deve ter sensibilidade e especificidade elevadas,
baixo custo e boa reproducibilidade. O uso da ultra-sonografia como método
de rastreamento foi estudado, tendo sido o escolhido na presença de lesão
de Hill-Sachs.
Um estudo utilizou a ultra-sonografia, métodos
radiológicos convencionais e TC com duplo contraste (artrografia-TC),
em 60 pacientes com instabilidade do ombro pós-traumática. Em
relação à artrografia por TC, a ultra-sonografia apresentou
sensibilidade de 95.6%, especificidade de 92.8% e acurácia diagnóstica
de 95%.
A ultra-sonografia pode ser utilizada no rastreamento
de luxação escápulo-umeral recorrente e deve preceder a
realização de outros métodos de investigação,
como a TC e a RM.
Conclui-se que a ultra-sonografia é um método
sensível e acurado na identificação de pacientes com roturas
completas do manguito rotador, com patologia extra-capsular de tendão
biccipital, ou de ambos. O exame dinâmico ajuda a confirmar, mas não
excluir, a presença de impacto.