Incompetência cervical
Uma paciente G2P0110 de 27 anos comparece
para a consulta pós-parto depois de 6 semanas, depois
de ter perdido sua última gestação
na 21-1/7 semanas de gestação por insuficiência
cervical. Naquela época, disseram que ela tinha cérvix
“fraca” e ela disse que tinha dificuldade para
dormir nas semanas anteriores porque estava preocupada se
poderia causar a perda do bebê.
O que causa a Incompetência Cervical?
A cérvix é o “pescoço”
do útero, que separa o corpo do útero da vagina
superior; mantém sua força elástica
durante a gravidez para prevenir a dilatação
cervical prematura. Na hora certa, a cérvix relaxa
e dilata para se preparar para o trabalho de parto e para
o movimento do bebê pelo canal de parto. Durante o
4º e 5º meses de gestação, o istmo
se reduz para se tornar parte do seguimento mais baixo do
útero. A junção istmo-cervical serve
como esfíncter cervical interno psicológico
durante o resto da gravidez. Os defeitos funcionais nessa
região podem resultar na dilatação
cervical prematura sem dor, levando à ruptura prematura
das membranas e o parto de um feto prematuro. Isso é
conhecido como "insuficiência cervical".
Algumas mulheres têm mais probabilidade de desenvolver
essa condição durante a gravidez?
A incompetência cervical é provavelmente o
“ponto final” clínico de muitos processos
patológicos. Na maioria dos casos, se desconhece
a etiologia precisa. Entretanto, algumas mulheres têm
mais probabilidade de desenvolver essa condição
durante a gravidez. Embora vários fatores de risco
tenham sido identificados, a maioria das mulheres que apresenta
a incompetência cervical não tem nenhum fator
de risco. Os fatores de risco incluem:
a. histórico de uma gravidez anterior complicada
por insuficiência cervical.
b. histórico de exposição de dietilstilbestrol
(DES) no útero.
c. hipoplasia cervical congênita, e
d. trauma cervical anterior, como uma cirurgia cervical
(conização, laser, crioterapia) ou dilatação
forçada (como dilatação ou evacuação).
É provável que esse problema aconteça
novamente em uma gravidez subseqüente?
A probabilidade
de incompetência cervical acontecer em uma outra gravidez
é de aproximadamente 30%. Porém, essas mulheres
não devem desanimar. A chance de ter uma gravidez
até o final com um histórico de perda nos
6 primeiros meses é de 60 a 70%.
Qual
é o tratamento mais adequado para essa paciente?
Uma cerclagem
transvaginal (profilática) eletiva entre a 13ª
e 15ª semanas de gestação para todas
as outras gravidezes.
Ref.
1. American College of Obstetricians and
Gynecologists. Cervical cerclage. ACOG Criteria Set 18.
Washington, DC: ACOG, 1996.
2. Norwitz ER, Greene MF, Repke JT. Cervical
Cerclage - Elective and Emergent. American College of Obstetricians
and Gynecologists: ACOG Update 1999; 11:1-10.
3. Ludmir J, Landon MB, Gabbe S, et al.
Management of the diethylstilbestrol-exposed pregnant patient:
a prospective study. Am J Obstet Gynecol 1987; 157:665-669.
4. Harlap S, Shiono PH, Ramcharan S, et
al. Prospective study of spontaneous fetal losses after
induced abortion. N Engl J Med 1979; 301:677-681.
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