Aproximadamente
10% das mulheres norte-americanas entre 15 e 19 anos utilizam
o medroxiprogesterona de depósito (DMPA; Depo-Provera)
para a contracepção. Estudos recentes mostraram
que o DMPA tem um impacto adverso na densidade mineral dos
ossos (DMO), o que causa uma preocupação particular
em mulheres jovens porque o pico da massa óssea se
desenvolve nessa idade. Qualquer impacto negativo no pico
de massa óssea nesse momento poderia resultar no
aumento do risco de fratura nos ossos em um outro momento
na vida.
Os estudos
mostraram que a perda de densidade óssea acontece
em mulheres jovens que utilizam o DMPA, mas um outro estudo
descobriu um ganho significativo na DMO depois da descontinuação
do DMPA. Scholes e cols realizaram um estudo de coorte para
avaliar as alterações na DMO em mulheres jovens
durante e depois do uso de DMPA.
Os participantes
do experimento eram adolescentes dentre 14 e 18 anos de
idade. Foram recrutados 2 grupos para o estudo: um com pessoas
que utilizavam o DMPA para contracepção e
o outro não. As participantes foram avaliadas no
início e a cada 6 meses por, pelo menos, 24 meses.
A avaliação incluía questionários
que cobriam o histórico de saúde, gravidez,
contracepção, fumo, freqüência
de atividade física, consumo de álcool, ingestão
de cafeína, detalhes demográficos e ingestão
de alimentos nos 30 dias anteriores. Também foram
avaliados o peso, a altura e a densidade mineral óssea
do quadril, da espinha e de todo o corpo das pacientes.
A principal medida dos resultados foi a alteração
na DMO durante o período do estudo.
Oitenta jovens
no grupo de DMPA e 90 no grupo de comparação
foram incluídas na análise final. Das mulheres
no grupo de DMPA, 61 pararam o uso durante o período
de acompanhamento. As jovens que utilizaram o DMPA tiveram
uma redução significativa na DMO no quadril
e na espinha, comparando com aquelas que não utilizaram
o DMPA.
Não
havia nenhuma diferença significante nas medidas
de DMO de todo o corpo entre os grupos. As participantes
que não utilizaram o DMPA anteriormente tiveram uma
perda significante na DMO comparadas àquelas que
tinham um histórico de uso de DMPA. As jovens que
pararam de utilizar o DMPA durante o estudo tiveram um aumento
significativo na DMO nos 3 locais, comparando ao grupo de
controle.
Os autores
concluíram que o uso de DMPA em mulheres jovens causa
perda significativa na DMO no quadril e na espinha. Eles
também perceberam que há ganhos significantes
na DMO quando se pára de tomar o DMPA, sugerindo
que a perda de massa óssea é reversível.