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Diagnóstico e tratamento da osteomielite

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O termo clínico osteomielite aguda engloba as infecções recentes dos ossos. Ocorre principalmente em crianças e, na maioria das vezes, é de origem hematogênica. Em adultos, a osteomielite geralmente é uma infecção sub-aguda ou crônica que se desenvolve em conseqüência de uma lesão óssea ou de partes moles adjacentes. Os microorganismos mais freqüentemente isolados na osteomielite bacteriana estão relacionados à faixa etária do paciente ou ao contexto clínico (trauma ou cirurgia recente, por exemplo). O Staphylococcus aureus é o agente mais comum na osteomielite hematogênica aguda. Staphylococcus epidermidis, S. aureus, Pseudomonas aeruginosa, Serratia marcescens e Escherichia coli são mais comuns em pacientes com osteomielite crônica. Para melhores resultados, a antibioticoterapia deve ser iniciada precocemente, administrando-se os antimicrobianos por via parenteral durante pelo menos quatro a seis semanas. Em geral, o tratamento envolve a avaliação da extensão do processo infeccioso, a identificação da etiologia e do antibiograma, antibioticoterapia e, quando necessário, debridamento, retirada de espaços-mortos e estabilização óssea.

Manifestações clínicas

A osteomielite hematogênica aguda ocorre predominantemente em crianças, mais comumente envolvendo a metáfise dos ossos longos. Além dos sinais inflamatórios e infecciosos locais, os pacientes apresentam sinais sistêmicos, como febre, irritabilidade e letargia. Os achados clínicos característicos incluem dor óssea e incapacidade funcional das articulações adjacentes. O diagnóstico baseia-se em várias características clínicas específicas.

As formas sub-aguda e crônica da doença são mais comuns em adultos. Em geral, esses casos são secundários a exposição de tecidos, na maioria dos casos de ossos e partes moles. Dor óssea localizada, eritema e drenagem de secreção são achados freqüentes. Os principais sinais da osteomielite sub-aguda e crônica incluem áreas com acúmulo de secreções, deformidades, instabilidade e sinais de alterações vasculares, incapacidade funcional e distúrbios neurológicos. A incidência descrita de infecções músculo-esqueléticas profundas a partir de fraturas expostas encontra-se em torno de 23 por cento. Alguns fatores individuais, como alterações na imunidade humoral ou celular, podem elevar o risco de osteomielite.

Diagnóstico

O diagnóstico da osteomielite baseia-se principalmente nos achados clínicos, e os dados da história clínica, exame físico e exames laboratoriais têm por objetivo avaliar a resposta terapêutica. Podem ser observadas leucocitose e elevação nos níveis de proteína C reativa e na velocidade de hemossedimentação. As hemoculturas são positivas em até 50% das crianças com osteomielite aguda. A palpação do osso nas úlceras infectadas de membros inferiores em pacientes com diabetes mellitus encontra-se diretamente relacionada com a presença de osteomielite (sensibilidade de 66%; especificidade de 85%; valor preditivo positivo de 89%; valor preditivo negativo de 56%). Quando a palpação óssea é possível, deve-se realizar a confirmação microbiológica e histológica de osteomielite e, em seguida, a abordagem terapêutica. Outros exames diagnósticos são desnecessários.

Na osteomielite de extremidades, a radiografia simples e a cintilografia óssea são os principais exames utilizados para a investigação diagnóstica. As evidências radiográficas de destruição óssea pela osteomielite podem não ser observadas até a segunda semana após o início da infecção. Os achados radiográficos incluem a osteólise, reação periostal e seqüestro (área de necrose óssea separada do osso íntegro por tecido de granulação). Os abscessos encontrados nas formas sub-aguda e crônica da osteomielite hematogênica são denominados abscessos de Brodie.

Entre os exames de medicina nuclear, o agente de escolha é o difosfonado metileno tecnécio (Tc-99m). A especificidade da cintilografia óssea não é suficientemente elevada para confirmar o diagnóstico de osteomielite em algumas situações clínicas. Muitas vezes não é possível diferenciar a osteomielite e as infecções de partes moles, lesões neurotróficas, gota, doenças articulares degenerativas, alterações pós-operatórias, fraturas anteriores, reações inflamatórias não infecciosas e fraturas de estresse. Em muitos casos, a cintilografia óssea é positiva apesar da ausência de comprometimento ósseo ou articular.

A ressonância magnética (RM) pode ser bastante útil nos casos inconclusivos. Esse método de imagem é particularmente importante quando há suspeita de osteomielite, discite ou artrite séptica acometendo o esqueleto axial ou a pelve. Em comparação com a cintilografia, apresenta igual ou maior sensibilidade e especificidade na identificação da osteomielite. Além disso, fornece melhor resolução espacial, delineando a extensão anatômica da infecção.

A ultra-sonografia e a tomografia computadorizada (TC) podem ser úteis na avaliação de pacientes com suspeita de osteomielite. O estudo ultra-sonográfico pode detectar coleções (abscessos, por exemplo) e alterações da superfície dos ossos (como a periostite), enquanto a TC consegue identificar pequenas áreas de osteólise na região cortical, focos de gás e corpos estranhos pequenos.

Os exames histopatológicos e microbiológicos do osso são o padrão ouro para o diagnóstico da osteomielite. As culturas de secreções não conseguem identificar corretamente os microorganismos envolvidos na infecção. A biópsia óssea, portanto, é fundamental para estabelecer a etiologia da osteomielite. Entretanto, em muitos casos a precisão diagnóstica da biópsia é limitada pela coleta inadequada do material e antibioticoterapia prévia.

Situações especiais

  • Osteomielite vertebral
    A osteomielite vertebral geralmente tem origem em infecções do espaço discal que, por sua vez, ocorrem a partir da disseminação hematogênica ou após intervenções cirúrgicas. Outras causas possíveis incluem o trauma, extensão de infecções de estruturas adjacentes e complicações de cirurgias da coluna vertebral. Os fatores predisponentes incluem infecções em outros locais do organismo, procedimentos no trato urinário, cateteres vasculares, hemodiálise, uso de drogas endovenosas, câncer e diabetes. A osteomielite vertebral está freqüentemente associada a dor e incapacidade funcional importante.
    A RM é um importante método de imagem para a identificação da osteomielite vertebral piogênica. Essa forma de osteomielite é geralmente tratada cirurgicamente, mesmo quando existe acometimento ósseo extenso. Recomenda-se ainda antibioticoterapia por cerca de seis semanas.

  • Infecções de articulações com próteses
    Os estafilococos coagulase-negativos são as bactérias mais freqüentemente isoladas em infecções de articulações com próteses. A melhor abordagem terapêutica consiste na administração parenteral de antibióticos, além da remoção cirúrgica da prótese. A articulação permanece sem prótese durante a antibioticoterapia, por duas a seis semanas; posteriormente, implanta-se outra prótese. Os esquemas terapêuticos propostos para as infecções de articulações com próteses incluem a utilização de próteses e outros materias impregnados de antibióticos.

  • Diabetes
    O diabetes é um fator que contribui significativamente para o desenvolvimento da osteomielite, particularmente em pacientes com alterações neurológicas e vasculares. Vários organismos (como a Pseudomonas aeruginosa, estafilococos e anaeróbios) podem ser isolados. A internação hospitalar pode ser necessária para avaliar a integridade vascular, isolar o microorganismo responsável, remover áreas necróticas, drenar focos infecciosos e assegurar a aderência do paciente ao tratamento.

Referências: Waldvogel FA, Medoff G, Swartz MN. Osteomyelitis: a review of clinical features, therapeutic considerations and unusual aspects (first of three parts). N Engl J Med 1970;282:198-206. Waldvogel FA, Medoff G, Swartz MN. Osteomyelitis: a review of clinical features, therapeutic considerations and unusual aspects (second of three parts). N Engl J Med 1970;282:260-6. Waldvogel FA, Medoff G, Swartz MN. Osteomyelitis: a review of clinical features, therapeutic considerations and unusual aspects (third of three parts). N Engl J Med 1970;282:316-22. Cierny G, Mader JT, Pennick JJ. A clinical staging system for adult osteomyelitis. Contemp Orthop 1985;10:17-37.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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