A tendinite
calcificada do ombro apresenta uma boa resposta à aspiração
percutânea com agulha dos depósitos de cálcio utilizando
a técnica guiada pela ultra-sonografia. No CHUM-Hôpital (Montreal),
radiologistas aprimoraram a técnica utilizando agulhas de menor calibre.
Segundo os autores desse estudo, publicado na edição de novembro
do periódico Radiology, "a tendinite calcificada pode provocar
dor incapacitante e crônica no ombro, associada a limitação
funcional, interferindo com as atividades diárias dos pacientes."
Há
pouco mais de 20 anos, uma técnica semelhante guiada por fluoroscopia
foi introduzida. Em 1995, foi descrita uma técnica guiada por ultra-sonografia
utilizando duas agulhas 18-19 gauge para fragmentar e aspirar as calcificações
tendíneas. Uma das agulhas era levada em direção à
calcificação várias vezes (10-15 vezes). "Isso
provocava uma fragmentação e sangramento local, facilitando a
absorção do material remanescente ou sua dispersão para
o espaço subacromial."
Os autores
se preocupavam com a possibilidade de lesão das fibras dos tendões
com as agulhas de maior calibre utilizadas com essa técnica. Dessa forma,
desenvolveram uma técnica que utilizava apenas uma agulha de 3,8 cm (1,5
polegadas) e 22-25 gauge. Nesse procedimento, em primeiro lugar, realiza-se
anestesia local e a agulha é introduzida em direção à
maior calcificação ou à área que apresenta relação
com os sintomas do paciente. Eles avaliaram a resposta ao tratamento utilizando
uma pontuação para a dor e o grau de limitação funcional
do ombro. "Trinta ombros de 30 pacientes consecutivos com dores crônicas
no ombro refratárias ao tratamento clínico foram tratados através
da aspiração com agulha fina guiada pela ultra-sonografia."
Os pesquisadores demonstraram que após a intervenção houve
uma melhora estatisticamente significativa (27%) na queixa de dor e limitação
funcional. Mais especificamente, o escore de dor melhorou cerca em 30,5% e o
grau de limitação em 23,9%.
O acompanhamento
ultra-sonográfico demonstrou redução na ecogenicidade das
calcificações tendíneas em pouco menos da metade dos pacientes.
Após o tratamento, demonstrou-se uma redução no tamanho
dos depósitos. A melhor resposta terapêutica foi obtida nos pacientes
onde foi possível aspirar os depósitos de cálcio. Baseado
nos resultados dessa investigação, que durou três anos e
meio, o grupo concluiu que ‘a técnica modificada, utilizando agulha
fina, parece ser uma alternativa eficaz e menos agressiva que as técnicas
percutâneas anteriormente descritas para o tratamento da tendinite calcificada
do ombro.’
Referência
R Aina et al. Calcific shoulder tendinitis: treatment with modified US-guided
fine-needle technique. Radiology 2001(November); 221:455–461.