Os métodos
de estadiamento do câncer de mama foram desenvolvidos
principalmente para selecionar grupos semelhantes de pacientes
e comparar diferentes abordagens terapêuticas, e não
com o objetivo de determinar o prognóstico da doença.
Jimenez-Lee e colaboradores acreditam que o prognóstico
do câncer de mama pode ser melhor avaliado por características
tumorais que são pouco representadas nas estratégias
de estadiamento empregadas atualmente. Eles desenvolveram
um método de estadiamento baseado na biologia tumoral
que foi avaliado em mais de 400 pacientes.
A escala de
gravidade do câncer de mama (EGCM, ou BCSS, sigla
em inglês de breast cancer severity scale) baseia-se
na somatória de pontos atribuídos de acordo
com o diâmetro do tumor, o número de linfonodos
positivos e a presença ou não de receptores
hormonais. Foram atribuídos 1 ponto para tumores
com até 1,0 cm de diâmetro, 2 pontos para lesões
entre 1,1 cm e 2,0 cm, 3 pontos para aquelas entre 2,1-5,0
cm e 4 pontos para tumores com diâmetro maior ou igual
a 5,1 cm. Os pacientes com 1 a 3 linfonodos positivos receberam
mais 1 ponto, aqueles com 4 a 9 linfonodos positivos receberam
5 pontos e pacientes com 10 ou mais linfonodos positivos
receberam 10 pontos. Nos tumores com receptores de estrógenos
ou progesterona, mais 1 ponto foi atribuído. Na ausência
desses receptores, foram atribuídos 2 pontos.
Os investigadores
utilizaram esse sistema em 417 pacientes com câncer
de mama acompanhadas em um centro médico universitário
entre 1997 e 2002. A idade média das pacientes foi
de 57 anos, com um seguimento médio de 20 meses.
Utilizando os critérios de estadiamento da American
Joint Commission on Câncer, 171 pacientes apresentavam
doença no estádio I, 190 no estádio
II, 28 no estádio III e 30 no estádio IV.
O escore médio na EGCM foi de 2,4 para pacientes
com doença no estádio I, 4,7 para o estádio
II, 7,9 no estádio III e 7,0 no estádio IV.
Todas as pacientes
com doença no estádio I sobreviveram por mais
de 5 anos. Os índices de sobrevida em 5 anos nos
demais grupos foram de 97% para pacientes com doença
no estádio II, 68% no estádio III e 18% no
estádio IV. Em relação à sobrevida
livre de doença, esses valores foram de 95% no estádio
I, 91% no estádio II e 55% no estádio III.
A EGCM permitiu
uma melhor avaliação prognóstica que
o método convencional para o estadiamento da doença.
Utilizando-se como referência o escore de 7 pontos,
foi possível distinguir pacientes com um bom prognóstico
daquelas com um pior prognóstico. A sobrevida em
5 anos para pacientes com valores abaixo de 7 na EGCM foi
de 92%, em comparação com 44% naquelas com
valores maiores. A discriminação foi ainda
melhor excluindo-se as pacientes com doença no estádio
IV: a sobrevida em 5 anos foi de 99% em pacientes com escore
menor que 7, em comparação com 75% naquelas
com valores maiores. Da mesma forma, a sobrevida livre de
doença foi de 93% no primeiro grupo e de 60% nas
pacientes com mais de 7 pontos na EGCM.
Os autores
concluem que a EGCM é um método simples que
permite determinar o prognóstico em pacientes com
câncer de mama utilizando dados facilmente disponíveis.
Segundo eles, os pacientes e médicos podem utilizar
esse método para orientar decisões terapêuticas.
Referência:
Jimenez-Lee R, et al. Breast cancer severity
score is an innovative system for prognosis. Am J Surg October
2003; 186:404-8.