De acordo com um novo
estudo, infecções graves podem evitar o crescimento de tumores.
Durante décadas, os cientistas
acreditavam que as células do sistema imunológico eram mobilizadas para destruir
tanto as infecções como os tumores.
Parece, no entanto, que
as infecções (e não o sistema imune) impedem o crescimento do tumor, segundo
afirma Andrei Thomas-Tikhonenko, professor assistente de patologia da
University of Pennsylvania's School of Veterinary Medicine e autor do
trabalho.
"O que nós observamos
é que a resposta imunológica não é necessária para bloquear o crescimento do
tumor. Na verdade, essa inibição também ocorre em animais imunocomprometidos",
diz o autor.
A dica "veio da nossa
descoberta de que durante a infecção existe uma supressão da angiogênese",
continua.
A angiogênese é
o desenvolvimento de novos vasos sangüíneos. Nos tecidos normais, esse desenvolvimento
é controlado por inibidores, mas quando os fatores de crescimento são produzidos
em maior quantidade que os inibidores, como ocorre nos tumores, podem surgir
novos vasos que alimentam os tecidos anormais.
"Tendo em vista que os
tumores precisam de sangue, e que a angiogênese encontra-se inibida em ratos
com infecção, o crescimento tumoral e a infecção devem ser incompatíveis",
prossegue.
Os pesquisadores utilizaram
ratos com o sistema imunológico bastante comprometido. Eles infectaram os animais
com o parasita Toxoplasma gondii, e depois injetaram células de melanoma
(a forma mais letal de câncer de pele), o que geralmente produz tumores em 10
a 12 dias.
Entretanto, observou-se
uma inibição do crescimento tumoral e da angiogênese nos animais infectados,
sugerindo que os inibidores da angiogênese, em vez do sistema imunológico,
mantém os animais sem o tumor, segundo os pesquisadores.
"Esses inibidores são
o Santo Graal da pesquisa sobre câncer", diz Thomas-Tikhonenko. "Mas
a principal questão é onde encontrá-los. Ninguém havia demonstrado que é possível
infectar ratos com um parasita e inibir a angiogênese. Obviamente, estamos contentes."
Ele afirma que o próximo
passo será identificar as moléculas inibidoras que surgem nas infecções, processo
que pode levar meses ou anos.
Dawn Willis, diretora
do programa científico da American Cancer Society, afirma que está surpresa
com os resultados do estudo. "É um desafio para os dogmas aceitos atualmente.
Durante anos utilizamos drogas para estimular o sistema imunológico, mas elas
nunca se mostraram suficientemente boas para serem aceitas" como uma forma
de tratamento.
"Se isso for verdade,
será uma tarefa ainda mais importante" encontrar essas moléculas mágicas,
diz Willis. "E a idéia de infectar animais para obtê-las não é muito
prática. O custo seria elevado, e seriam necessários grandes animais (cavalos,
vacas) - em vez de ratos -, além da necessidade de isolar, purificar e clonar
as substâncias."
Os resultados do estudo
permitem novas abordagens para inibir o crescimento do tumor, e podem ser úteis
quando utilizados com outros fatores angiogênicos (cerca de 40) disponíveis
atualmente.
Referência:
May 15 issue of the Journal of Immunology.