A ultra-sonografia
com Doppler colorido é o melhor método para avaliar a arquitetura vascular linfonodal.
A distorção arquitetural é descrita mais freqüentemente em linfonodos malignos.
Tschammler e colaboradores analisaram pacientes com linfadenopatia reacional
e maligna utilizando o estudos ultra-sonográficos com Doppler dos vasos encontrados
no interior dos linfonodos.
O estudo ultra-sonográfico
com Doppler de 117 linfonodos foi realizado em 100 pacientes consecutivos com
linfadenopatia, antes da intervenção cirúrgica (biópsia cirúrgica ou core biópsia).
A arquitetural linfonodal foi avaliada com o Doppler colorido. Pelo menos um
linfonodo de cada paciente foi estudado. A maior partes dos linfonodos estavam
localizados na região cervical, submandibular ou supra-clavicular. Após a excisão
cirúrgica, o tamanho e forma dos linfonodos foram comparados com os achados
ultra-sonográficos para assegurar que os mesmos linfonodos foram avaliados pela
ultra-sonografia e pelo exame histológico. Foram estabelecidos critérios específicos
em relação à arquitetura vascular linfonodal para permitir diferenciar os achados
benignos e malignos.
O exame histológico
identificou 48 linfonodos reacionais, 56 metástases para linfonodos e 13 linfomas
malignos. Em comparação com os linfonodos reacionais, os malignos apresentaram
maior diâmetro em todos os eixos. A ausência da área ecogênica central e a forma
arredondada foram outros sinais de malignidade. Entre os 69 linfonodos malignos,
96% apresentavam pelo menos um dos critérios de malignidade na avaliação da
arquitetura vascular linfonodal. Entre os 48 linfonodos reacionais, 25% não
apresentavam perfusão detectável em seu interior, 52% apresentavam características
arquiteturais vasculares normais, e 23% foram classificados como falsos positivos.
Os linfonodos
classificados como malignos com base nos achados da ultra-sonografia com Doppler
colorido apresentaram, em média, 2,6 critérios de malignidade. O valor preditivo
negativo foi de 93%, em comparação com um valor preditivo positivo de 86%, quando
pelo menos um dos critérios de malignidade foi identificado. Nos casos em foram
identificados todos os quatro critérios de malignidade, o valor preditivo positivo
foi de 94%. A ecogenicidade central, representando a interface entre o tecido
normal e os vasos, foi o único critério ultra-sonográfico correlacionado à arquitetura
vascular linfonodal.
Os resultados
desse estudo demonstram, com o estudo da arquitetura vascular linfonodal, que
os linfonodos reacionais apresentam os mesmos achados arquiteturais reconhecidos
nos estudos histológicos. Os resultados falsos positivos deveram-se provavelmente
à superestimativa dos sinais de fluxo periférico identificados com aparelhos
de alta resolução. Entre os três casos falsos negativos, um deles tratava-se
de um paciente com linfoma não-Hodgkin de baixo grau. Os outros dois ocorreram
em pacientes com metástases de carcinoma epidermóide. Acredita-se que os resultados
falsos negativos sejam resultado de alterações teciduais que promovem redução
da perfusão local.
Os autores
concluem que o uso da ultra-sonografia com Doppler colorido na avaliação da
arquitetura vascular linfonodal de linfonodos superficiais é um método excelente,
com grande reprodutibilidade, para diferenciar linfadenopatia maligna e reacional.
Com a ultra-sonografia com Doppler colorido, 88% dos linfonodos foram classificados
corretamente, resultando em uma especificade e sensibilidade de 77% e 96%, respectivamente.
Referência
Tschammler A, et al. Lymphadenopathy: differentiation of benign from malignant
disease--color Doppler US assessment of intranodal angioarchitecture. Radiology
July 1998;208:117-23.