Abordagem da suspeita de macrossomia fetal
A macrossomia fetal, arbitrariamente
definida como um peso ao nascer superior a 4.000 g, complica mais de 10% das
gestações. Está associada com maior risco de cesareana e traumatismos do canal
de parto e do feto. É difícil prever a ocorrência de macrossomia, e as estimativas
do peso fetal através de exames clínicos e ultrassonográficos são susceptíveis
ao erro. A realização de cesárea eletiva nas pacientes gestantes com suspeita
de macrossomia fetal resulta em um número elevado de procedimentos desnecessários,
e a indução precoce do trabalho de parto com o objetivo de limitar o crescimento
fetal pode levar ao mesmo aumento por falhas na indução. As gestações complicadas
pela macrossomia fetal devem receber uma abordagem conservadora. Quando o trabalho
de parto não evolui como esperado, a possibilidade de desproporção feto-pélvica
deve ser considerada no contexto da melhor estimativa do peso fetal.
Prevendo a macrossomia fetal
O termo "feto macrossômico"
não é adequado pois não se conhece o peso ao nascer com certeza até o momento
do parto. O critério mais comumente proposto para a macrossomia é um peso acima
de 4.000 g ou 4.500 g ao nascer. A definição de maior utilidade clínica é a
de um peso abaixo do qual as complicações da macrossomia, como a distócia de
ombros, não ocorrem. Infelizmente, relatos de casos indicam que metade dos casos
de distócia de ombros ocorrem com peso ao nascer abaixo do valor de corte mais
comumente utilizado - 4.000 g. Além disso, quase metade dos casos de lesão permanente
do plexo braquial ocorrem em crianças com menos de 4.500 g.
Estratégias para prever a macrossomia
As três principais estratégias
utilizadas para prever a macrossomia são os fatores de risco clínicos, a estimativa
clínica através da manobra de Leopold e a ultrassonografia.
Fatores de risco
Vários fatores de risco para a macrossomia fetal têm sido identificados. O mais
importante é o diabetes materno, que causa uma incidência duas vezes maior de
macrossomia. Muitos fatores (gestação prolongada, obesidade e multiparidade,
por exemplo) são bastante prevalentes, limitando a sua utilidade. Mesmo quando
dois ou mais desses fatores de risco estão presentes, o risco de macrossomia
é de apenas 32%. Além disso, 34% dos fetos macrossômicos nascem de mães sem
quaisquer fatores de risco, e 38% das pacientes grávidas apresentam pelo menos
um desses fatores.
Estimativa clínica do
peso fetal
O volume do líquido amniótico, o tamanho e a configuração do útero, e a postura
corporal materna influenciam na estimativa do tamanho do feto através da palpação
da parede abdominal. Muitos estudos documentaram erros médios ao redor de 300
g.
Ultrassonografia
A ultrassonografia tem sido aceita como o método mais preciso para estimar o
peso fetal. Entretanto, o erro médio costuma variar de 300 a 550 g. Um estudo
comparando a estimativa do peso fetal por médicos (através do exame clínico),
pacientes multíparas e pela ultrassonografia mostrou que o exame ultrassonográfico
foi o menos preciso dos três métodos. As limitações na sensibilidade e especificidade
da ultrassonografia foram observadas em outros estudos. Apesar dessas limitações,
muitos médicos continuam acreditando erroneamente que a ultrassonografia é um
método preciso para identificar a macrossomia.
Conseqüências da macrossomia fetal
Conseqüências fetais
O parto de uma criança macrossômica pode apresentar conseqüências graves para
o recém-nascido e a mãe. A complicação mais temida é a distócia de ombros, devendo-se
observar que até 20% destes casos são acompanhados de lesão do nervo facial
ou do plexo braquial, fraturas do úmero ou da clavícula. As lesões do plexo
braquial, como a paralisia de Erb-Duchenne, são comumente atribuídas a complicações
do parto decorrentes da distócia de ombros. No entanto, cerca de um terço dessas
lesões não estão associadas com esse diagnóstico clínico. A complicação mais
grave secundária à distócia de ombros é a asfixia, um evento raro.
Conseqüências maternas
A mãe apresenta maior risco de parto cesárea, o qual ocorre mais freqüentemente
em gestações complicadas pela macrossomia. O parto vaginal de um feto macrossômico
aumenta em cinco vezes o risco de lacerações de 3o. ou 4o. grau.
Prevenção
Com exceção do bom controle
glicêmico em pacientes diabéticas, pouco se sabe sobre a prevenção da macrossomia.
A associação entre o peso materno, o ganho de peso durante a gestação e a macrossomia
levou à hipótese de que o ganho de peso materno antes da gravidez, com uma limitação
desse ganho durante a gestação, seria uma estratégia válida, mas as conseqüências
dessa abordagem ainda não são conhecidas.
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Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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