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Indução do parto após a rotura de membranas em gestações de termo

Dez por cento das gestações com mais de 36 semanas são complicadas pela rotura espontânea e prematura de membranas. Vários estudos compararam a conduta expectante com a indução ativa do parto em gestantes que não iniciam o trabalho de parto espontaneamente após a rotura das membranas. Em geral, o trabalho de parto é induzido para evitar a corioamnionite e a sepse neonatal. O uso de ocitocina intravenosa e a incidência de cesáreas são baixos quando prostaglandinas são utilizadas para a maturação cervical. O misoprostol, um análogo sintético da prostaglandina E1, demonstrou ser tão eficaz para induzir o parto quanto a dinoprostona. Wing e paul compararam prospectivamente a administração vaginal de misoprostol com o uso de ocitocina intravenosa na indução do parto em mulheres com rotura prematura de membranas e fora do trabalho de parto.

Um total de 197 mulheres foram distribuídas aleatoriamente: 98 receberam misoprostol e 99 utilizaram ocitocina. Uma dose de 25 µg de misoprostol foi colocada no fórnice vaginal posterior. Em casos onde contrações uterinas adequadas não foram observadas, uma nova dose única de misoprostol foi administrada seis horas depois. A ocitocina foi empregada por via intravenosa, utilizando um protocolo de infusão até a dose máxima de 20 mU/min.

A idade gestacional média estimada das pacientes em ambos os grupos foi de 38 semanas. Uma porcentagem semelhante de pacientes em ambos os grupos apresentou bons resultados com o tratamento. Um total de 76% das pacientes do grupo que recebeu misoprostol e de 74% daquelas que receberam ocitocina realizaram parto vaginal até 24 horas após o início do tratamento. Independente do tratamento empregado, a paridade influenciou o sucesso da indução do trabalho de parto. No grupo tratado com misoprostol, 63% das nulíparas e 86% das multíparas tiveram parto vaginal em 24 horas. No outro grupo, 60% das nulíparas e 86% das multíparas realizaram parto vaginal no mesmo período. A duração da indução foi semelhante nos dois grupos. Entre aquelas que foram tratadas com misoprostol, trinta pacientes precisaram receber a segunda dose da medicação. A hiperestimulação uterina não ocorreu em nenhum dos grupos. Alterações na monitorização cardíaca fetal ocorreram de forma equivalente nos dois grupos.

Evidências de infecção intra-amniótica ocorreram de forma semelhante nos dois grupos (em cerca de 27% dos casos). Houve suspeita de sepse neonatal em 21% dos recém-nascidos do grupo que recebeu misoprostol, em comparação com 27% daqueles pertencentes ao grupo tratado com misoprostol. Aproximadamente 86% das mulheres que receberam misoprostol realizaram parto vaginal, em comparação com 83% daquelas tratadas com ocitocina. No grupo que recebeu misoprostol, 13 mulheres realizaram cesáreas; entre aquelas que foram tratadas com ocitocina, 17 pacientes realizaram cesáreas. Não foram observadas diferenças na evolução neonatal dos dois grupos.

Os autores concluem que a administração vaginal de misoprostol é uma alternativa eficiente à infusão de ocitocina para a indução do parto. Tendo em vista que a maioria das cesáreas nas pacientes que receberam misoprostol ocorreram por distocia, em vez de falha de indução, o misoprostol parece ser eficiente para promover a dilatação e o esvaecimento do colo do útero, e induzir o parto nos casos de rotura prematura de mebranas.

Referência
Wing DA, Paul RH. Induction of labor with misoprostol for premature rupture of membranes beyond thirty-six weeks' gestation. Am J Obstet Gynecol July 1998;179:94-9.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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