Embora as alterações
morfológicas da hidropsia sejam semelhantes em muitos pacientes, o mecanismo
responsável pela hidropsia pode variar.
Muitas vezes, a hidropsia
é causada pelo higroma cístico, particularmente em fetos com diagnóstico
antes da 20ª semana de gestação.
A cromossomopatia mais comumente
associada com o higroma cístico é a síndrome de Turner
(45 XO). O higroma resulta de alterações da drenagem linfática
e o acometimento generalizado constitui a hidropsia.
O prognóstico em
fetos com higroma cístico depende do período em que foi realizado
o diagnóstico e a progressão das lesões.
Pequenos higromas podem ser iden-tificados durante o 1º trimestre, com
posterior resolução e um melhor prognóstico. Quando ocorre
progressão para hidropsia, o prognóstico geralmente é ruim.
A hidropsia pode ser observada
em associação com as trissomias mais comuns dos cromossomos 13,
18 e 21, bem como em fetos com triploidia.
Nesses casos, a etiologia
pode estar relacionada a higromas císticos associados, como descrito
em pacientes com trissomia do 21 ou com lesões estruturais cardíacas.
A leucemia congênita pode ocorrer em fetos com trissomia do 21 e a anemia
pode causar hidropsia. Em muitos casos, entretanto, nenhuma alteração
estrutural ou hematológica está associada à cromossomopatia,
não sendo possível identificar a etiologia da hidropsia.
Nesses casos em particular,
o prognóstico é bastante desfavorável. A realização
do cariótipo fetal para a confirmação diagnóstica
e avaliação do prognóstico é uma etapa fundamental
na avaliação de fetos hidrópicos.
Algumas alterações
congênitas sem associação com cromossomopatias também
podem causar hidropsia.
As lesões que ocupam
espaço no tórax podem resultar em hidropsia, provavelmente por
obstrução do retorno venoso para o coração e a elevação
da pressão venosa central. A má formação adenomatóide
cística (MAC) do pulmão é a massa pulmonar mais freqüentemente
observada, podendo ocorrer na forma macrocística ou microcística,
associada a graus variáveis de hipoplasia pulmonar.
Essa condição
pode ocorrer na ausência de hidropsia, quando apresenta bom prognóstico,
com sobrevida superior a 90%. Em muitos casos, uma má formação
identificada precocemente na gestação pode apresentar resolução
espontânea e não ser observada após o nascimento.
Quando ocorre hidropsia,
o prognóstico da MAC é muito pior. A presença de hidropsia
e desvio das estruturas mediastinais são fatores de mau prognóstico
em fetos com MAC. A MAC não é a única alteração
pulmonar associada a hidropsia. O seqüestro pulmonar é uma condição
na qual existe uma massa constituída por tecido pulmonar não aerado
sem continuidade com o pulmão normal, apresentando suprimento arterial
a partir de vasos anômalos com origem em uma artéria sistêmica.
A massa pode aumentar de
volume e comprimir o pulmão normal em desenvolvimento, resultando em
hidropsia por obstrução do retorno venoso da mesma forma que em
fetos com MAC. A hidropsia também pode ser observada em fetos com hérnia
diafragmática congênita, embora seja uma associação
rara.
Nesses casos, acredita-se
que a compressão das estruturas torácicas pelo intestino ou o
fígado seja responsável por obstrução venosa e hidropsia.
Embora o prognóstico
em fetos com hérnia diafragmática congênita seja variável,
essa associação geralmente representa uma condição
bastante grave.
Outras alterações
congênitas e doenças genéticas podem estar associadas à
hidropsia não-imune. Alguns pacientes com condrodisplasias podem apresentar
hidropsia. Nesses casos, o desenvolvimento da hidropsia parece relacionado à
compressão torácica e obstrução de estruturas do
tórax, com o posterior desenvolvimento de hidropsia e óbito fetal.
A hidropsia também
pode ser observada como resultado de condições neurológicas
associadas a restrição da mobilidade fetal e dos movimentos respiratórios,
incluindo a distrofia miotônica congênita, atrogripose e pterígios
fetais múltiplos.
Raramente, doenças
metabólicas genéticas podem causar hidropsia fetal, como a doença
de Gaucher, sialidose gangliosidose generalizada, doença de Tay-Sachs
e algumas mucopolissacaridoses. A avaliação fetal deve incluir
os exames diagnósticos adequados.
Durante a avaliação
pré-natal e neonatal, essas hipóteses diagnósticas devem
ser consideradas, e o exame ultra-sonográfico é importante, não
apenas para estabelecer o prognóstico, mas também para permitir
a intervenção mais adequada. Mesmo nos casos em que a hidropsia
resulta em óbito fetal ou neonatal, deve-se realizar uma investigação
adequada.
Referências
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