Herpes neonatal
Uma gestante de 33 anos, 7G, com 16 3/7 semanas
de gestação, apresenta episódios recorrentes de herpes
genital.
Qual a prevalência da infecção
neonatal pelo herpes vírus e como ela ocorre?
Cerca de 1500 a 2000 recém-nascidos são
infectados pelo herpes vírus anualmente nos EUA. A maioria dessas infecções
estão relacionadas ao herpes vírus 2 (HSV-2, sigla em inglês).
Na vigência da primoinfecção, existe um maior risco de transmissão
vertical (1-3). Nesse caso, observa-se viremia e o vírus pode atravessar
a placenta, causando infecção in utero que está associada
com malformações, trabalho de parto prematuro e prematuridade.
Acredita-se, entretanto, que a infecção in utero seja um evento
raro. A maioria das infecções neonatais são causadas pelo
contato do feto com secreções maternas infectadas durante o trabalho
de parto. A doença ocorre em 30-60% das crianças expostas ao vírus
durante o parto, podendo ter manifestação localizada (geralmente
envolvendo a pele, olho, boca e/ou sistema nervoso central) ou disseminada.
A mortalidade neonatal em recém-nascidos com a forma disseminada da doença
é de 15-57% (4).
A história
clínica, exame físico e o isolamento do vírus em uma vesícula,
bem como a confirmação sorológica, permitem estabelecer
o diagnóstico da infecção recorrente pelo HSV-2. Quais
os riscos para o feto?
Os episódios recorrentes do herpes não
estão relacionados a viremia (5). Dessa forma, o feto não apresenta
maior risco de infecção pelo HSV quando as membranas estão
íntegras e fora do trabalho de parto.
Essa paciente
deve ser tratada?
Em mulheres com infecção recorrente
pelo HSV, geralmente recomenda-se a terapia antiviral. O aciclovir é
considerado a droga de escolha, embora o valaciclovir e o famciclovir apresentem
maior biodisponibilidade e, assim, possam trazer maiores benefícios (2).
O aciclovir atravessa a placenta, concentra-se no líquido amniótico
e alcança níveis terapêuticos no feto, sendo considerado
uma droga segura durante a gestação (6).
Nas mulheres com infecção recorrente
pelo HSV, ao contrário do que é observado naquelas com a primoinfecção
viral, ainda não se sabe se a terapia antiviral com aciclovir é
capaz de reduzir a dor ou a duração dos sintomas. O tratamento
oferece benefícios apenas quando iniciado durante o pródromo clínico
ou no dia em que surgem as lesões genitais. Quando utilizado após
o aparecimento das lesões, o tratamento com aciclovir reduz a duração
dos sintomas em apenas 1 dia (em média, de 10 para 9 dias). Portanto,
não é possível estabelecer se a paciente em questão
obteria benefícios com o tratamento. O aciclovir tópico é
menos eficaz que o tratamento oral, sendo pouco recomendado durante a gestação.
As drogas e a posologia recomendadas para o tratamento da infecção
recorrente pelo HSV em gestantes incluem:
a. Aciclovir 400 mg VO 3x/dia
durante 5 dias
b. Aciclovir 200 mg VO 5x/dia durante 5 dias
c. Aciclovir 800 mg VO 2x/dia durante 5 dias
d. Famciclovir 125 mg VO 2x/dia durante 5 dias
e. Valaciclovir 500 mg VO 2x/dia durante 5 dias
Referências
American College of Obstetricians and Gynecologists.
Management of herpes in pregnancy. Washington, DC: ACOG Practice Bulletin.
No. 8, October 1999.
http://www.cdc.gov/nchstp/dstd/Genital_Herpes_facts.htm
Brown ZA. Genital herpes complicating pregnancy.
Dermatol Clin 1998; 16:805-10.
Jacobs RF. Neonatal herpes simplex virus infections.
Semin Perinatol 1998; 22:64-71.
Becker TM, Blount JH, Guinan ME. Genital herpes
infections in private practice in the United States, 1966 to 1981. JAMA
1985; 253:1601-3.
Frenkel LM, Brown ZA, Bryson YJ, et al. Pharmacokinetics
of acyclovir in the term human pregnancy and neonate. Am J Obstet Gynecol
1991; 164:569-76.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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