A tomografia computadorizada
(TC) foi inicialmente utilizada em 1970, permanecendo duvidoso quais pacientes
com trauma craniano leve deviam ser submetidos a esse método de imagem diagnóstico.
Dois estudos publicados mostraram que o uso seletivo da TC com base nos achados
clínicos identificou 96 a 98 por cento dos pacientes com alterações importantes.
No entanto, o limiar para a utilização da TC continua baixo nos departamentos
de emergência, onde os médicos aceitam menos o risco de deixar passar despercebida
uma lesão importante não suspeitada com a avaliação clínica. Haydel e colaboradores
realizaram um estudo para desenvolver e validar um conjunto de critérios clínicos
úteis para determinar quais pacientes com trauma craniano leve devem ser submetidos
ao exame tomográfico.
Na primeira fase do estudo,
520 pacientes com pelo menos três anos de idade e trauma craniano leve nas últimas
24 horas foram avaliados prospectivamente para determinar quais evidências clínicas
estavam correlacionadas com achados tomográficos positivos. Definiu-se trauma
craniano leve como uma perda da consciência na presença de um exame neurológico
normal e escore 15 na escala de Glasgow. Um achado positivo na TC incluía hematoma
subdural, peridural ou parenquimatoso, hemorragia subaracnóidea, contusão cerebral
ou fratura do crânio com afundamento. A partir desse estudo, foram determinadas
7 evidências clínicas com alto valor preditivo positivo para achados tomográficos
relevantes.
Na segunda fase do estudo,
esses 7 achados foram prospectivamente aplicados numa segunda coorte de pacientes
também apresentando trauma craniano leve. Nos 909 pacientes, com idade entre
3 e 94 anos, 697 apresentavam um ou mais critérios clínicos; 57 tinham um achado
positivo e em 640 não foram observadas alterações tomográficas. Todos os 57
pacientes apresentavam pelo menos um dos 7 achados clínicos determinados na
primeira fase do estudo. Esses números resultaram numa sensibilidade de 100
por cento, um valor preditivo negativo também de 100 por cento e uma especificidade
de 25 por cento. Houve 640 pacientes com um ou mais achados clínicos cujos exames
tomográficos foram negativos. Entre todos os pacientes de ambas as fases (n
= 1.429), seis precisaram ser submetidos à intervenção cirúrgica pela lesão
encontrada.
Os autores concluem que,
em pacientes apresentando trauma craniano leve, a necessidade da TC pode ser
determinada corretamente pela aplicação dos critérios clínicos validados por
esse estudo. Eles ressaltam que uma redução em até 10 por cento no número de
TCs realizadas nesse contexto pode levar a uma diminuição substancial nos custos.
Ref.:Haydel MJ,
et al. Indications for computed tomography in patients with minor head injury.
N Engl J Med July 13, 2000:343:100-5.