Prevenção do AVC: screening para intervenções cirúrgicas em doença carotídea
Quais pacientes devem ser rastreados, quais testes devem
ser efetuados e quando considerar a endarterectomia da carótida –
tais questões são freqüentemente colocadas pelos clínicos,
que são os primeiros a avaliar pacientes com doença da artéria
carótida.
Introdução
O presente artigo examina modalidades diagnósticas
e intervenções cirúrgicas para prevenção
de acidente vascular cerebral, bem como a conduta clínica envolvida no
cuidado de pacientes com doença aterosclerótica da artéria
carótida– de longe a lesão cirúrgica mais comum predisponente
à isquemia cerebral.
A avaliação do paciente é geralmente iniciada pelos clínicos.
A medicação e modificação do fator de risco no estilo
de vida permanecem fundamentais na prevenção de doença
cerebrovascular primária e secundária. Além disso, a prevenção
da isquemia cerebral por diversas técnicas intervencionistas está
se tornando mais comum.
Doença da
Artéria Carótida e AVC
A doença da artéria carótida
é a causa de infarto cerebral em somente 10 a 20% de todos os AVCs isquêmicos.
Entretanto, os AVCs resultantes de doença de carótida estão
freqüentemente associados à morbidade e mortalidade significativas.
Após o AVC, o risco de rescidiva é cerca de 32% dentro de 1 a
2 anos, com um risco de 26% de AVC relacionado à estenose de carótida
ipsilateral sem cirurgia.
Em geral, a prevalência de estenoses de
carótida de alto grau varia de 5 a 10% em pessoas acima da idade de 65
anos. O risco não anunciado de um AVC ipsilateral em pessoas que apresentem
estenoses de carótida assintomáticas com um mínimo de 70%
de redução de diâmetro é cerca de 1 a 2% por ano.
Os preditores de um risco muito mais alto para AVC incluem estenoses maiores
que 80%, estenoses progressivas, doença cardíaca coronariana concomitante
e sexo masculino. A prevalência de um ruído assintomático
de carótida é 4 a 5% para pessoas acima de 45 anos e 6 a 8% para
pessoas acima dos 75 anos. A significância de um ruído cervical
é que pode ser um marcador da doença coronariana e aterosclerose
sistêmica, bem como um risco aumentado de AVC, porém a presença
de um ruído não prediz a gravidade ou localização
da estenose da carótida interna ou o mecanismo de um AVC subsequente.
Diagnóstico
Angiografia cerebral. É
o “padrão ouro” para avaliação de estenoses
de carótida. A angiografia cerebral convencional pode também
revelar aneurismas cerebrais incidentais, circulação colateral
(desenvolvida em resposta às estenoses de carótida), ou lesões
seqüenciais no mesmo sentido a partir de estenoses extra-cranianas.
É claro que a angiografia cerebral tem um determinado grau de risco,
que, em centros onde o procedimento é freqüentemente efetuado,
variam de 0,5 a 1,2%. O risco de AVC ou morte é mais alto em pacientes
com histórico de AVC ou TIA (ataque isquêmico transiente), que
presumivelmente têm um grau mais alto de doença aterosclerótica.
Ultra-sonografia de carótida.
Este procedimento, usando a combinação do modo-B e análise
espectral Doppler, é altamente sensível (maior que 95%) para
estenoses hemodinamicamente significativas e correlaciona bem com achados
da angiografia cerebral. A imagem do US pode também fornecer informação
sobre a morfologia e outras características das placas na artéria
carótida, incluindo ulceração ou calcificação,
apesar da significância desses últimos achados para o risco de
AVC ser menos clara. Como uma ferramenta de avaliação para ateroscleroses
extra-cranianas de carótida, o ultra-som tem os benefícios de
segurança, precisão, portabilidade e custo relativamente baixo.
O ultra-som é, assim, o teste de escolha na avaliação
inicial de ateroscleroses extra-cranianas de carótida.
| Pontos
Chaves |
A angiografia
cerebral é no momento o “padrão ouro”
para avaliação da estenoses extra-cranianas de carótida.
|
| O US tem uma
sensibilidade maior que 95% para estenoses hemodinamicamente significativas
e correlaciona bem com achados originários da angiografia cerebral. |
Angiografia por ressonância magnética.
A angioRM tem sido utilizada como uma outra alternativa para a angiografia
convencional e pode complementar o ultra-som de carótida em razão
de sua especificidade e sensibilidade comparáveis na avaliação
da estenose de carótida. Entretanto, os dados adicionais derivados
da angioRM podem não garantir seu custo substancial. O uso de ultra-som
e/ou angioRM diminuiu a quantidade de AVCs que resultam da angiografia, porém
pode aumentar a quantidade de CEAs desnecessários. Muitos pacientes
não podem ser submetidos à angioRM por causa das contra-indicações,
tais como corpos estranhos metálicos ou dispositivos médicos
ou por causa de sua inabilidade em tolerar o procedimento devido à
claustrofobia. Além disso, a angioRM pode superestimar o grau das estenoses
em determinados casos, e consequentemente não ser precisa na avaliação.
Doppler transcraniana. A ultra-sonografia
Doppler transcraniana não avalia diretamente o grau de estenose da
carótida, porém é freqüentemente usada em conjunto
com o ultra-som de carótida para avaliar a circulação
intracraniana com relação à estenose seqüencial,
circulação colateral e o grau de reserva hemodinâmico
intracraniana no contexto da doença carotídea extracraniana.
TC ou RM de crânio. Todos
os pacientes que apresentam estenoses de carótida sintomáticas
presumidas devem ser submetidos à TC não contrastada ou, preferencialmente,
a uma RM do cérebro; a possibilidade de que os sintomas sejam devidos
a infarto originado de estenoses em um outro território, tais como
artéria basilar, necessita ser excluída. Entretanto, a presença
de infartos cerebrais silenciosos na TC ou RM não é provável
de alterar a conduta de pacientes com estenoses assintomáticas.
Referência
Hospital Medicine 34(2):22-24,26,31-36.1998
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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