Diagnóstico radiológico da cefaléia
Como diagnosticar os tipos de cefaléia primária e quando suspeitar de cefaléia
secundária.
A cefaléia
é a dor mais comumente observada no atendimento primário, responsável por milhões
de consultas a cada ano.
A anamnese
é o ponto fundamental no diagnóstico da cefaléia. Apesar dos exames físico e
laboratoriais serem geralmente normais, o médico deve estar alerta a sinais
e resultados de exames que sugiram a existência de alguma patologia grave.
A TC e a RM
estão sendo cada vez mais utilizadas por médicos generalistas na investigação
diagnóstica de cefaléias. Tanto a TC como a RM podem revelar a presença de hidrocefalia
e da maioria das lesões, como tumores de SNC, causadores de cefaléia pelo aumento
de pressão intracraniana. A tabela 1 mostra as recomendações de indicações de
TC e RM no diagnóstico de cefaléias.
Quando preferir
a TC. Se houver suspeita de hemorragia subaracnóidea, o exame de escolha
é a TC sem contraste, método capaz de identificar corretamente 85 a 90% dos
casos. Geralmente, a TC pode ser realizada mais rapidamente do que a RM - fato
importante, se o paciente encontra-se instável. Além disso, a TC é um exame
mais sensível do que a RM para detectar novos sangramentos, além de menos custoso.
A punção lombar detecta os 10 a 15% dos casos restantes de hemorragias que não
foram diagnosticadas por imagem, além de permitir o diagnóstico de meningite.
Entretanto, só deve ser realizada na ausência de sinais neurológicos focais
ou papiledema, sinais sugestivos da presença de lesão com efeito de massa.
Vantagens
da RM. A RM oferece algumas vantagens em relação à TC. A RM contrastada
com gadolínio é mais segura do que a TC contrastada com agente iodado. A RM
oferece também melhor contraste entre tecidos moles, identifica melhor sangramentos
antigos, além de detectar pequenas lesões, particularmente no tronco encefálico
e cerebelo. Se houver suspeita de um aneurisma, a RM pode ser realizada juntamente
com a angiografia por ressonância, de forma a evitar a cateterização vascular.
Pontos-chave para o diagnóstico clínico
O ponto fundamental do
diagnóstico é a anamnese, que deve avaliar a localização, gravidade e freqüência
da dor; fatores desencadeantes; intensidade ao longo do tempo; outros sintomas;
idade de início e antecedentes médicos e psicosociais.
A rigidez de nuca é um
sintoma cardinal de meningismo e, assim como os sinais de Kernig e Brudzinski,
sugere a possibilidade de patologia neurológica subjacente.
A avaliação cuidadosa
de nervos cranianos se faz necessária em qualquer diagnóstico de cefaléia.
Atenção deve ser dada
às alterações motoras ou de sensibilidade. Devem ser avaliados os reflexos
aquileu, flexores e plantares, a prova índex-nariz, sinal de Romberg ou alterações
de equilíbrio.
A aura da enxaqueca
é parte do pródromo desse tipo de cefaléia, podendo ocorrer dentro de algumas
horas até 2 dias antes do início da dor.
Esteja atento a sintomas
de depressão durante o tratamento de paciente com enxaqueca.
A enxaqueca sem aura
inicia-se como dor unilateral mas pode espalhar-se após o início. A dor é
comumente descrita como latejante, de moderada à grave intensidade, havendo
piora com esforço físico. Os episódios podem durar entre 4 e 72 horas. Não
há evidência de doença orgânica.
A aura visual é mais
comum na enxaqueca e apresenta duas características - a presença de escotoma
(área de falha visual), de figuras cintilantes (bordas brilhantes) ou espectro
de fortificação (formação em ziguezague).
A cefaléia do tipo tensional
pode ser episódica ou crônica. Esse tipo de cefaléia, que envolve as áreas
frontal e periorbital, é muito comum e, freqüentemente, atribuída a processos
como sinusites infecciosas ou alérgicas. Isso resulta em procedimentos desnecessários,
como testes de alergia.
A cefaléia em salvas
é rara em mulheres.
Inicia-se entre 20 e
40 anos. As crises de dor ocorrem em salvas com duração de semanas ou meses,
com períodos de remissão que podem durar meses ou anos. Em 10% dos pacientes,
as crises tornam-se diárias e crônicas.
Diferentemente de pacientes
portadores de enxaqueca, os pacientes com cefaléia em salvas ficam inquietos
durante as crises.
A cefaléia pode ser
desencadeada pelo uso de bebidas alcoólicas, nitroglicerina, por tabagismo
e estresse.
O uso excessivo de analgésicos
ou preparados ergotamínicos pode resultar em crises rebote de cefaléia crônica
diária (cefaléia por abuso de analgésicos).
As medicações profiláticas
para cefaléia tensional ou enxaqueca são relativamente ineficazes contra as
cefaléias rebote.
A hemorragia subaracnóidea
é a causa da cefaléia mais grave e perigosa que pode ser encontrada no atendimento
primário.
É a cefaléia de início
mais abrupto. A TC sem contraste é o método diagnóstico de escolha e, se realizada
à época do início do sintoma, apresenta positividade de 80%. Se a TC for negativa,
é necessária a realização de punção lombar.
É mandatório eliminar
a hipótese de meningite em paciente com cefaléia súbita intensa. A meningite
pode causar cefaléia latejante, intensa e generalizada, rigidez de nuca, dor
no pescoço ou lombar. Os sinais de Kernig e Brudzinski costumam ser positivos.
A punção lombar fecha o diagnóstico.
Se houver suspeita de
um aneurisma, a RM pode ser realizada juntamente com a angiografia por ressonância
de forma a evitar a cateterização vascular.
Tabela 1 - Recomendações práticas para indicações de TC e RM na avaliação diagnóstica
de cefaléia.
A TC/RM estão indicadas
na presença de qualquer uma das condições abaixo:
Alteração não justificável
dos sinais vitais
Alteração do nível de
consciência ou de cognição
Início da cefaléia com
o esforço
Piora da cefaléia em
paciente sob observação
Rigidez de nuca
Sinais neurológicos focais
Primeiro episódio de
cefaléia intensa em paciente com mais de 50 anos
"Pior cefaléia de toda
a vida"
A TC/RM não estão indicadas
nas seguintes condições:
Crises de cefaléias prévias
idênticas
Sinais vitais normais
Consciência e cognição
intactas
Ausência de rigidez de
nuca
Ausência de sinais neurológicos
Melhora da cefaléia sem
uso de analgésicos ou outros medicamentos
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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