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Padrões de ativação cerebral em pessoas com risco para doença de alzheimer

A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência, afetando aproximadamente 8% das pessoas com 65 anos ou mais, ligada ao alelo epsilon 4 da Apo-lipoproteína E (APOE). As alterações patológicas incluem uma extensa perda neuronal, deposição de b amilóide, placas senis extracelulares e alterações intracelulares no hipocampo, lobos frontal e temporal. Tais alterações podem ocorrer na fase pré-clínica, antes do desenvolvimento de sintomatologia óbvia.

A intervenção precoce durante a fase pré-clínica pode impedir a progressão natural da Doença de Alzheimer, mas esse intervalo é difícil de identificar. Os marcadores atuais para o período inicial incluem uma concentração plasmática alta de substância amilóide e atrofia do hipocampo na Ressonância Magnética (RM), mas falta especificidade a ambos.

Nesse estudo publicado pelo The New England Journal of Medicine (N Engl J Med 2000; 343:450-456), os autores desenvolvem um teste cognitivo de stress com um alto valor preditivo positivo para indivíduos com maior probabilidade de desenvolver a Doença de Alzheimer.

A RM funcional mostra um aumento na magnitude e na extensão espacial da ativação cerebral durante tarefas de grande dificuldade cognitiva. Essa hipótese sugere que na tentativa de responder, os pacientes com Alzheimer precisam aumentar o território dedicado a tais tarefas, recrutando mais neurônios e aumentando a taxa de disparos para aumentar a capacidade de processamento cerebral.

Os autores acreditam ser possível a identificação dos pacientes com distúrbios iniciais de perda neuronal na Doença de Alzheimer, antes do aparecimento do déficit de memória, examinando as diferenças dos achados de RM entre aqueles com e sem o alelo epsilon 4 APOE, durante o aprendizado de pares de palavras não relacionadas.

A população em estudo consistiu de 30 pacientes destros, de 40 a 85 anos de idade, sem demência, distúrbio psiquiátrico e condições neurológicas ou tomando qualquer medicações que pudesse influenciar sua capacidade cognitiva.

Todos os pacientes foram submetidos a 3 testes basais de memória além de serem tipados geneticamente para o alelo APOE epsilon 4.

As características básicas dos dois grupos foram iguais, com exceção dos portadores do alelo APOE epsilon 4, que tinham scores menores nas respostas tardias, quando comparados aos portadores DO alelo APOE epsilon 3.

Utilizando análises paramétricas de comparação de mapeamento, mostrou-se que a RM aumentou significativamente durante os períodos de aprendizado ou de recuperação quando comparados a do repouso. Desta forma, os portadores do alelo APOE epsilon 4 tinham um maior aumento de regiões ativadas nos períodos de repouso a aprendizado, que os portadores do alelo APOE epsilon 3, mas apenas no hemisfério esquerdo. O fato sugere que existem diferenças na função cerebral entre os grupos durante o período de lembrança, porém não no estado de repouso.

Os resultados sugerem um uso potencial ao utilizar os estudos de ativação cerebral enfocando o risco genético para predizer o declínio cognitivo por vir. Entretanto, como os marcadores pré-clínicos existentes, há uma "sobreposição" entre os pacientes sadios e aqueles com déficit cognitivo.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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