Aneurismas intra-cranianos: Evidências
atuais
Estima-se que
aneurismas intra-cranianos ocorram em até 6% da população
geral. A maioria dos pacientes com aneurismas permanecem
assintomáticos. Os fatores de risco para o desenvolvimento
de aneurismas incluem antecedente familiar, algumas doenças
hereditárias, idade maior que 50 anos, sexo feminino,
tabagismo e uso de cocaína.
Tendo em vista
a morbidade e mortalidade relacionadas ao tratamento cirúrgico
de pacientes com aneurismas, o rastreamento é um
assunto controverso. Dois grupos de pacientes podem-se beneficiar
do diagnóstico precoce: os portadores da doença
policística renal autossômica dominante e aqueles
com antecedente de hemorragia subaracnoidea por ruptura
de aneurisma.
Esses pacientes
devem realizar angiografia por ressonância magnética
e, quando apresentarem aneurismas, devem ser encaminhados
para o neurocirurgião. Os aneurismas intra-cranianos
são classificados em saculares, fusiformes e dissecantes.
Aproximadamente 90% são saculares, sendo responsáveis
pela maioria dos casos de hemorragia subaracnoidea e morbimortalidade
associada com essa condição.
Apresentação
clínica
A maioria dos
aneurismas intra-cranianos são assintomáticos,
sendo diagnosticados apenas após a ruptura. A hemorragia
subaracnoidea, uma emergência médica, é
a manifestação inicial mais comum. Em uma
série de casos, foi o primeiro sintoma em 58% dos
pacientes. A história de cefaléia atípica,
intensa e de início súbito (“a pior
cefaléia da minha vida”) é típica
de hemorragia subaracnoidea. A cefaléia pode estar
ou não associada a perda transitória da consciência,
náuseas e vômitos, déficits neurológicos
focais ou sinais
de irritação meníngea.Embora apresente
uma história característica, muitas vezes,
a hemorragia subaracnoidea não é diagnosticada.
Cerca de metade dos pacientes apresentam sintomas menos
intensos causados por uma “hemorragia sentinela”,
antes da ruptura do aneurisma. Uma revisão de 111
pacientes encaminhados para um serviço terciário
para a avaliação de aneurismas não
rotos demonstrou que apenas 41% deles apresentavam sintomas.
Na maioria
dos casos, os sintomas duraram mais que 2 semanas e foram
mais comuns em pacientes com aneurismas de grandes dimensões,
localizados na circulação posterior.
O risco de ruptura do aneurisma parece maior em pacientes
com história de hemorragia subaracnoidea.
Exames
de imagem
Os métodos
de neuro-imagem para a avaliação dos aneurismas
intra-cranianos incluem a angiografia intra-arterial digital
com subtração, a angiografia por ressonância
magnética, a angiografia por tomografia computadorizada
e a ultra-sonografia trans-craniana com Doppler. Embora
o primeiro método seja o padrão ouro, trata-se
de um exame invasivo, com risco de 1% de complicações
neurológicas transitórias e 0,5% de complicações
neurológicas irreversíveis. A ressonância
magnética deve ser utilizada com cautela em pacientes
com antecedente cirúrgico, tendo em vista que a existência
de clipes cirúrgicos pode colocar a vida do paciente
em risco durante o exame. A sensibilidade e especificidade
dos diferentes métodos são apresentadas na
Tabela 3.
| TABELA
3 - Sensibilidade e especificidade dos métodos
de imagem no diagnóstico de aneurismas intra-cranianos.
|
| Método |
Sensibilidade
(%) |
Especificidade
(%) |
| Angiografia
por resonância magnética |
69 a 100 |
75 a 100 |
| Angiografia
por tomografia computadorizada |
85 a 95 |
Não
é descrita |
| Ultra-sonografia
trans-craniana com Doppler |
50 a 91 |
87,5 |
Referências:
Wardlaw JM, White PM. The detection and management of
unruptured intracranial aneurysms. Brain 2000;123(pt 2):205-21.Mayberg
MR, Batjer HH, Dacey R, Diringer M, Haley EC, Heros RC, et
al. Guidelines for the management of aneurysmal subarachnoid
hemorrhage. A statement for healthcare professionals from
a special writing group of the Stroke Council, American Heart
Association. Stroke 1994;25:2315-28. Am Fam Physician 2002;66:601-8.
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