As pesquisas clínicas
sobre a infecção pelo HIV continuam concentradas na melhor maneira de utilizar
os instrumentos diagnósticos e terapêuticos que revolucionaram a abordagem da
doença há alguns anos, incluindo os exames de carga viral que podem quantificar
o RNA do HIV no sangue e a associação de drogas que incorporam a família de
anti-retrovirais inibidores da protease.
O tratamento combinado
mostrou-se uma faca de dois gumes para muitos pacientes. Esquemas complexos
podem incluir a ingestão de uma dúzia ou mais de comprimidos por dia, além da
necessidade de uma aderência perfeita para ter eficácia: os níveis plasmáticos
do vírus foram bem menos suprimidos em pacientes que deixaram de tomar mais
que 5 por cento dos comprimidos - mesmo quando ingerindo 90% de suas doses (Ann
Intern Med Jul 4; 133:21). O uso de tratamento intermitente pode ser possível
em pacientes tratados imediatamente após a soroconversão, mas ainda não se mostrou
eficaz naqueles com infecção crônica (Nature Sep 28; 407:523). Uma maneira de
ajudar alguns pacientes a manter o regime de tratamento pode ser a utilização
de regimes com a associação de inibidores da transcriptase reversa não-nucleosídeos.
Em vários estudos, essas drogas suprimiram os vírus com a mesma eficácia que
os inibidores da protease, geralmente com doses menores (N Engl J Med 1999;341:1865,
1874, 1925).
Atualmente, os níveis séricos
de RNA do HIV podem ser quantificados em valores inferiores a 50 cópias/mL,
e o objetivo da terapêutica anti-retroviral é alcançar níveis "indetectáveis"
abaixo desse valor. No entanto, os anti-retrovirais têm um impacto na progressão
da doença, mesmo quando a carga viral permanece detectável. Estudos têm mostrado
que, em pacientes com contagem de CD4 elevada apesar de RNA do HIV detectável
de forma persistente, as seqüelas clínicas da infecção pelo HIV são eventos
raros (Ann Intern Med Sep 19; 133:401; JAMA 1999 Dec 15; 282:2220). Portanto,
para determinar o êxito da terapêutica anti-retroviral é importante levar em
consideração tanto a contagem de CD4 como a carga viral (Ann Intern Med Sep
19; 133:471).
A possibilidade de uma
vacina eficaz para o HIV no futuro próximo permanece incerta. Um grande estudo
com uma possível vacina, utilizada em pacientes HIV-positivos na esperança de
reduzir a progressão da doença, foi interrompido precocemente pela falta de
bons resultados (JAMA Nov 1; 284:2193-2202). Entretanto, um grupo de pesquisadores
que utilizaram animais tiveram melhores resultados: eles imunizaram macacos
com uma combinação de proteínas da superfície do vírus e o modulador imunológico
interleucina-2, e em seguida infectaram os animais com uma versão similar ao
HIV em primatas. Os macacos vacinados apresentaram benefícios clínicos e imunológicos
surpreendentes em comparação aos controles (Science Oct 20; 290:486, 463). Apesar
das diferenças entre a doença nos seres humanos e nos macacos, esses achados
criam esperanças de benefícios equivalentes para os humanos.
Ref.: Journal Watch
31 December 2000