Atualização: Hepatite
Como abordar um paciente
com hepatite B e C
Estudo de caso
Um paciente com hepatite
B (antígeno de superfície positivo; antígeno-e negativo) e hepatite C. As
transaminases hepáticas estão elevadas.
Os resultados da pesquisa
de DNA do vírus da hepatite B e RNA do vírus da hepatite C ainda não estão
disponíveis.
Quais as recomendações
terapêuticas?
Mais especificamente,
qual regime de interferon (dose, duração) sugerido?
Deve-se iniciar a terapia
combinada com ribavarina?
Muitas vezes, a abordagem
de pacientes infectados cronicamente com mais de uma forma viral da hepatite
é difícil, já que envolve diferentes tipos de tratamento. A hepatite B crônica
é tratada com lamivudina por 12 meses ou altas doses de interferon alfa (10
milhões de unidades, 3x/semana, ou 5 milhões de unidades, diariamente) por 4
meses, enquanto a hepatite C é tratada com uma dose menor de interferon (3 milhões
de unidades, 3x/semana) em associação com a ribavarina oral (durante 6 a 12
meses).
Apesar de não haver diretrizes
relacionadas a pacientes com dupla infecção e, de fato, poucos dados estarem
disponíveis, uma abordagem comumente utilizada é tentar estabelecer qual a infecção
"dominante". Dessa forma, se o paciente apresenta antígeno-e da hepatite B e
DNA do vírus da hepatite B positivos, a hepatite B pode ser dominante, enquanto
que, se esses marcadores são negativos mas o vírus da hepatite C (VHC) é detectado,
a hepatite C pode ser considerada dominante.
Pode-se tratar a infecção
dominante com o esquema adequado àquela condição. Caso ocorra uma boa resposta
ao tratamento inicial (como o desaparecimento do RNA do VHC em paciente com
infecção dominante pelo VHC), o paciente deve ser reavaliado após o término
do tratamento, para determinar a necessidade de alguma terapia adicional.
Comentários
Caso o DNA do VHB seja negativo,
isso indica um estado de portador do vírus, dentro do contexto de uma infecção
crônica pelo VHC; portanto, trata-se a hepatite C.
No entanto, caso o DNA
do VHB seja positivo e o AgHBe e AgHBc sejam negativos, a variante do HBV pode
ser selvagem (AgHBe sem a variante mutante). Tal situação poderia dificultar
uma resposta ao tratamento com interferon e não apontaria a infecção crônica
pelo VHC como dominante, conforme proposto anteriormente.
Referência:
Eyster ME et al. Suppression of hepatitis C virus (HCV) replication by hepatitis
D virus (HDV) in HIV-infected hemophiliacs with chronic hepatitis B and C. Dig
Dis Sci. 1995;40:1583-1588.
Hepatite C crônica: qual o benefício de associar a ribavirina?
O tratamento inicial com
ribavarina e interferon (IFN) resulta em uma resposta viral mais persistente
que o IFN isoladamente, apesar de ser um tratamento mais caro. Este estudo avaliou
a relação custo-benefício do tratamento inicial por 24 ou 48 semanas com a terapêutica
combinada versus IFN isoladamente em pacientes com hepatite C crônica.
Resultados
Utilizando as diretrizes
para interrupção do tratamento, a resposta viral negativa persistente ocorreu
em 33,1% e 39,8% dos pacientes que receberam, respectivamente, 24 ou 48 semanas
de ribavarina/IFN, em comparação com 14,3% daqueles que receberam 48 semanas
apenas de IFN.
Em relação ao tratamento
com IFN isoladamente, 24 ou 48 semanas do tratamento combinado prolongaram a
expectativa de vida em 1,4 a 2 anos. Os resultados foram marcantes, e 24 ou
48 semanas de tratamento combinado mostraram superioridade na relação custo-benefício
quando comparadas com o uso isolado de IFN.
Conclusão
Em pacientes com hepatite
C crônica, 24 ou 48 semanas de tratamento com ribavirina e IFN prolongam a expectativa
de vida e apresentam relação custo-benefício favorável, em comparação com o
uso isolado de IFN.
Comentário
Recentemente, tornou-se
evidente que a infecção crônica pelo vírus da hepatite C (VHC) ganhará importância
crescente como um assunto de saúde pública. Nos EUA cerca de 2% da população
está infectada e a hepatite C é a principal responsável por transplantes de
fígado.
O 1997 NIH Consensus Development
Conference on HCV, comumente utilizado como o padrão ouro para o diagnóstico
e tratamento da doença, recomenda o tratamento apenas nos casos com achados
histológicos mais importantes, como a fibrose portal.
O padrão para o tratamento,
na verdade, é a intervenção em pacientes com doença mais leve, incluindo os
pacientes com inflamação portal moderada e sem fibrose, além daqueles que apresentam
níveis elevados de aminotransferases de forma persistente.
Ref: Wong JB, Poynard
T, Ling MH, et al. Am J Gastroenterol. 2000;95:1524-1530.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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