Aspectos clínicos e o diagnóstico laboratorial da dengue
Considerando
que a dengue pode se apresentar sob um amplo espectro clínico, ela pode ser
confundida com outras viroses. Desta forma é importante se fazer um diagnóstico
diferencial. No caso da dengue clássica, as principais doenças a serem
consideradas no diagnóstico diferencial são gripe, rubéola, sarampo e outras
infecções virais, bacterianas e exantemáticas. São doenças que provocam febre,
prostração, dor de cabeça e dores musculares generalizadas. Um médico consegue,
por exames de laboratório, definir a doença e tratá-la corretamente. Para a
dengue hemorrágica o diagnóstico diferencial deve ser feito com base
em outras infecções virais e bacterianas, no início da fase febril a partir
do 3º ou 4º dia. As doenças a serem consideradas são leptospirose, febre amarela,
malária, hepatite infecciosa, influenza, bem como outras febres hemorrágicas
transmitidas por mosquitos ou carrapatos.
Entre as manifestações hemorrágicas,
a mais comumente encontrada é a prova do laço positiva. A prova do laço consiste
em se obter, o ponto médio entre a pressão arterial máxima e mínima do paciente,
mantendo-se esta pressão por 5 minutos; observando se há formação de petéquias.
Se o número de petéquias for de 20 ou mais por polegada (2,3 cm2), essa prova
é considerada fortemente positiva.
Diagnóstico laboratorial
Como a dengue tem uma apresentação
clínica muito polimorfa, o diagnóstico laboratorial é muito importante para
confirmar a suspeita.
A comprovação laboratorial
das infecções pelo vírus da dengue pode ser feita por exames específicos
através da detecção do vírus e testes sorológicos ou por exames
inespecíficos.
Exames
específicos
A detecção do vírus (carga
viral) e do material genético do vírus para avaliação dos sorotipos deve ser
feita de preferência no período da viremia, na primeira semana de infecção.
Uma das técnicas utilizadas é a reação da polimerase em cadeia utilizando a
transcriptase reversa (RT-PCR).
Os testes sorológicos
são os mais amplamente utilizados para a detecção da infecção pelo vírus da
dengue. Em infecções primárias, os anticorpos da classe IgM surgem entre 1 e
4 dias após o início dos sintomas e logo a seguir após 7 a 10 dias aprecem os
anticorpos da classe IgG. Uma reação positiva isoladamente pode indicar infecção
aguda ou infecção pregressa. Quando ocorre re-infecção, o aparecimento dos anticorpos
pode ser mais precoce.
Existem várias técnicas
que podem ser utilizadas no diagnóstico sorológico do vírus da dengue, entre
elas a inibição de hemaglutinação (IH), fixação de complemento (FC), neutralização
(N) e a técnica imunoenzimática (ELISA) que detecta anticorpos das classes IgM
e IgG. No entanto esses testes não discriminam qual o sorotipo envolvido. A
reação de ELISA que detecta anticorpos da classe IgM e IgG, é o exame mais útil
para vigilância, pois é um exame simples e rápido. Outro teste simples e rápido
utilizado no diagnóstico da dengue é o imunocromatográfico.
A pesquisa de IgA antivírus
da dengue por ELISA também é um método diagnóstico disponível, porém, seu aparecimento
ocorre em média três dias após o aparecimento de IgM.
Exames
inespecíficos
Dengue clássica
Hemograma: a
leucopenia é um achado comum, embora possa ocorrer leucocitose. Pode estar
presente linfocitose com atipia linfocitária. A trombocitopenia é observada
ocasionalmente.
Dengue hemorrágica
Hemograma: a
contagem de leucócitos é variável, podendo ocorrer desde leucopenia até
leucocitose leve. A linfocitose com atipia linfocitária é um achado comum.
Destacam-se a concentração de hematócrito e a trombocitopenia (contagem
de plaquetas abaixo de 100.000/mm3).
Coagulograma:
aumento nos tempos de protrombina, tromboplastina parcial e trombina. Diminuição
de fibrinogênio, protrombina, fator VIII, fator XII, antitrombina e a-antiplasmina.
Bioquímica:
diminuição da albumina no sangue, albuminúria e discreto aumento dos testes
de função hepática: aminotransferase aspartato sérica (conhecida anteriormente
por transaminase glutâmico-oxalacética - TGO) e aminotransferase alanina
sérica (conhecida anteriormente por transaminase glutâmico pirúvica - TGP).
Caso confirmado de
dengue clássica: é o caso confirmado laboratorialmente. Em curso de uma
epidemia, a confirmação pode ser feita através de critérios clínico-epidemiológicos.
Caso confirmado de
dengue hemorrágica: quando existe a presença de febre ou história de febre
recente de 7 dias ou menos; trombocitopenia (<= 100.000/mm3 ou
menos) ;tendências hemorrágicas evidenciadas por um ou mais dos seguintes
sinais: prova do laço positiva, petéquias, equimoses ou púrpuras, e sangramentos
de mucosas, do trato gastrointestinal e outros; extravasamento de plasma devido
ao aumento de permeabilidade capilar, manifestado por hematócrito apresentando
um aumento de 20% sobre o basal na admissão ou queda do hematócrito em 20%,
após o tratamento; ou presença de derrame pleural, ascite e hipoproteinemia.
Qual é o tratamento para a dengue?
Não existe tratamento específico
contra a dengue. De maneira geral, deve-se evitar auto-medicação, pois existem
medicamentos que podem até piorar a doença. Nos casos da dengue clássica, a
medicação é apenas sintomática, com analgésicos e antitérmicos É aconselhável
não tomar nenhum remédio para dor ou para febre que contenha ácido acetil-salicílico
(AAS®, Aspirina®, Melhoral® etc.) que pode aumentar o risco
de sangramento. Os remédios que apresentam dipirona (Novalgina®,
Dorflex®, Anador® etc.) devem ser evitados, pois podem diminuir
a pressão ou, às vezes, causar manchas de pele parecidas com as do dengue.
A pessoa deve manter-se
em repouso, beber muito líquido e só usar medicamento para aliviar as dores
e febre. Caso haja piora do estado do doente deve-se procurar orientação médica.
No caso de pacientes com
dengue hemorrágica é absolutamente necessário estar atento, a partir do momento
em que a febre começa a ceder e aparecerem as primeiras manifestações que podem
indicar gravidade como dor constante abaixo das costelas, do lado direito (fígado),
suores frios por tempo prolongado, tonteiras ou desmaios (pressão baixa),pele
fria e pegajosa por tempo prolongado (pressão muito baixa), sangramentos que
não param, fezes escuras como borra de café (sangramento intestinal).
Como Combater a Dengue?
O melhor método para se
combater a dengue é evitando a procriação do mosquito Aedes aegypti que
é feita em ambientes úmidos ou em águas paradas. Para combater o mosquito adulto,
é feita a aplicação de inseticida através do "fumacê", que deve ser empregado
apenas nos casos de epidemias. O "fumacê" é útil para matar os mosquitos adultos,
mas não acaba com os ovos. Por isso, é importante procurar acabar com os criadouros
dos mosquitos. Qualquer coleção de água limpa e parada pode ser um criadouro
para o mosquito que transmite dengue. Portanto, não se deve deixar acumular
a água e as vasilhas devem ser tampadas. Não adianta apenas trocar a água é
necessário lavar bem os recipientes, pois os ovos do mosquito ficam agarrados
nas paredes dos recipientes.
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Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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