Artigos Científicos
     Artigos Médicos

Buco - Maxilo

Cardiologia

Cirurgia Geral

Dermatologia

Endocrinologia

Fisiologia

Gastroenterologia

Genética

Geriatria

Ginecologia

Hematologia

Medicina Nuclear

Moléstias Infecciosas

Nefrologia

Neurologia

Obstetrícia

Oncologia

Ortopedia

Pediatria

Pneumologia

Radiologia

Reumatologia

Urologia

Vascular

Outras Especialidades


Moléstias Infecciosas

Características clínicas da infecção pela Chlamydia pneumoniae

A Chlamydia pneumoniae, agente etiológico de infecções do trato respiratório médio e inferior, é considerada um microorganismo "atípico" porque provoca quadros cuja apresentação clínica é, em geral, menos grave que as infecções pelo Streptococcus pneumoniae ou o Haemophilus influenzae. No entanto, tendo em vista que o quadro clínico não permite fazer o diagnóstico preciso do agente etiológico, as diretrizes para o tratamento da pneumonia de comunidade recomendam a introdução de um antibiótico macrolídeo em associação a um beta-lactâmico. Os estudos sugerem que a C. pneumoniae é responsável por cerca de 6 a 10 por cento dos casos de pneumonia da comunidade que necessitam de internação. Para esclarecer as características clinicas em pacientes infectados pela C. pneumoniae, File Jr e colaboradores realizaram um estudo prospectivo de pacientes admitidos no hospital com o diagnóstico de pneumonia.

O estudo incluiu pacientes adultos que apresentavam vários sintomas clínicos de uma doença respiratória, associados a um infiltrado recente na radiografia de tórax compatível com o diagnóstico de pneumonia. No momento da internação, os pacientes responderam um questionário com mais de 100 perguntas sobre os seus sintomas e história clínica. Foram obtidas hemoculturas e culturas do escarro de todos os pacientes. Outras culturas, para vírus e micobactérias, foram solicitadas em certos casos. Obteve-se uma amostra de urina de todos os pacientes para a pesquisa do antígeno da Legionella. Finalmente, pares de amostras de sangue de todos os pacientes foram colhidos, com intervalo de 4 a 6 semanas, para a realização de testes sorológicos para Legionella, Mycoplasma pneumoniae e C. pneumoniae. Esses exames foram realizados no Centers for Disease Control and Prevention. O diagnóstico de infecção por C. pneumoniae foi estabelecido quando encontrou-se uma elevação maior ou igual a quatro vezes no título de anticorpos, um título de IgG maior que 1:512, ou um título de IgM maior que 1:16.

Durante o estudo, foram diagnosticados aproximadamente 1200 casos de pneumonia. Dentre eles, a infecção pela C. pneumoniae foi confirmada em 26 pacientes (2,4%), e uma possível infecção foi encontrada em 6,5% dos casos. Os autores analisaram apenas os dados relativos aos pacientes com infecção definida. Sete pacientes que apresentavam títulos elevados de anticorpos da classe IgM foram considerados como portadores de primoinfecção; 18 pacientes com uma elevação de pelo menos quatro vezes nos títulos de IgG foram considerados como portadores de reinfecção; um paciente foi excluído do estudo porque os exames foram inconclusivos.

A idade média dos pacientes com infecção estabelecida por C. pneumoniae foi de 55 anos (variando entre 21 e 82 anos), com uma distribuição igual entre homens e mulheres. Quarenta por cento dos pacientes eram tabagistas, e 50% apresentavam história prévia de pneumonia da comunidade.

O achado radiográfico mais comum foi um infiltrado segmentar localizado. A contagem média de leucócitos foi de 12.700 células/mm³. A duração média do quadro, antes do atendimento médico, foi de 7 dias. Comparando-se os pacientes com primoinfecção e reinfecção, observou-se que aqueles com infecção primária tendem a ser mais jovens (idade média: 38 versus 63), apresentam temperatura média mais elevada e menos chiado (sibilos).

Os autores ressaltam que nenhum sinal ou sintoma ocorreu exclusivamente na infecção pela C. pneumoniae. A idéia de que esse microorganismo provoca uma pneumonia "atípica" leve não é sempre observada. Alguns achados clínicos incluíram tosse não-produtiva, febre baixa, dor de garganta e rouquidão. Os pacientes com infecção primária apresentaram-se "mais doentes" que aqueles com reinfecção. O principal motivo pelo qual os pacientes foram internados foi a necessidade de suplementação de oxigênio e a presença de comorbidades, como doenças cardíacas, doença pulmonar obstrutiva crônica e diabetes mellitus.

Referência: File TM, Jr., et al. Clinical characteristics of Chlamydia pneumoniae infection as the sole cause of community-acquired pneumonia. Clin Infect Dis August 1999;29:426-8.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


A LINCX Sistemas de Saúde possui todos os direitos autorais dos artigos e imagens publicados neste portal