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Quando os exames se tornam positivos?
O diagnóstico
da hepatite C, durante a fase aguda da doença, é pouco comum,
embora seja possível identificar o RNA do VHC até 10 dias após
a exposição viral. As primeiras manifestações clínicas
podem ocorrer em 2 a 26 semanas após a infecção, mas, quando
ocorrem, são mais comuns após 7-8 semanas. Entretanto, a maioria
dos pacientes são assintomáticos ou apresentam sintomas leves,
incluindo icterícia, mal estar e náuseas. Na maioria dos casos,
esses sintomas desaparecem após algumas semanas e não reaparecem
mesmo em pacientes com infecção crônica. Durante essa fase
da doença, pelo menos 74-86% dos pacientes apresentam viremia persistente.
Com o passar do tempo, a viremia desaparece ou se estabiliza em um nível
relativamente constante. Raramente, bem menos comum que em outras hepatites
virais, a hepatite C aguda se manifesta por um quadro fulminante.
O quadro clínico
inicial pouco sintomático e a ausência de sintomas durante o estágio
inicial da infecção crônica dificultam a compreensão
da história natural da infecção. Sabe-se que a infecção
crônica ocorre após a fase aguda, na qual ocorre elevação
dos níveis de enzimas hepáticas mais de 10 vezes o valor normal,
acompanhada por uma redução gradual após 6 meses para níveis
2-3 vezes o valor normal, que podem variar a partir de então, dependendo
da evolução da doença. Em pelo menos 15% dos casos, os
níveis enzimáticos permanecem elevados cronicamente, enquanto
em cerca de 25% dos pacientes, esses valores permanecem normais. Os pacientes
podem permanecer assintomáticos ou apresentar sintomas leves por até
30 anos. No entanto, a infecção crônica resulta em hepatite
e algum grau de fibrose, com o desenvolvimento de complicações
graves ou fatais em estágios tardios da doença.
Estudos realizados
em mulheres que receberam imunoglobulina anti-D (Rhogam) contaminada demostraram
processo inflamatório hepático, embora leve na maioria dos casos,
em mais de 95% das pacientes. Apenas 3-15% dos casos apresentaram evidências
de fibrose pré-cirrose. Esses achados podem ser animadores para indivíduos
infectados, mas a elevada prevalência da infecção significa
que existe um grande número de pacientes com evidências de lesão
hepática. Os fatores relacionados a uma progressão clínica
mais rápida incluem o consumo de bebidas alcóolicas, a coinfecção
pelo HIV ou vírus da hepatite B, indivíduos do sexo masculino
e pacientes infectados com idade avançada. Após o desenvolvimento
de cirrose, o risco de carcinoma hepatocelular é de aproximadamente 1%
a 4% por ano. Vale a pena lembrar que a elevada prevalência da doença
inclui a hepatite C como uma das principais causas dessa neoplasia.
Referências
National Institutes of Health Consensus Development Conference Panel Statement:
management of hepatitis C. Hepatology 1997; 26: Suppl 1: 2S.
Conry-Cantilena C, Vanraden M, Gibble J, et al. Routes of infection, viremia,
and liver disease in blood donors found to have hepatitis C. N Engl J Med 1996;
334: 1691.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br