Anemia falciforme na infância
Houve uma
acentuada redução da morbidade e mortalidade e os testes de screening estão
disponíveis para o diagnóstico em recém nascidos.
A incidência
de septicemia por pneumococos e por H. influenzae diminuiu por conta do uso
profilático de penicilina desde o nascimento e pela introdução, no momento adequado,
da vacina contra esses patógenos.
Uma nutrição
apropriada pode propiciar ganhos de peso e altura ideais dessas crianças e um
seguimento adequado pode identificar pronta-mente as complicações, como lesão
da retina e envolvimento renal, possibi-litando um tratamento rápido e eficaz.
Devido às
complicações graves mais freqüentes, como a crise de seqüestro esplênico, é
importante reconhecer as crianças portadoras dessa hemoglobinopatia o mais precocemente
possível.
Variantes
As formas
de apresentação mais comuns da anemia falciforme são: a doença homozigótica
(hemoglobinopatia SS), hemoglobinopatia heterozigótica SC e as formas heterozigóticas
siclemia/b-talassemia (microdrepanocitose).
Na anemia
falciforme homozigótica, a criança herda o gene S do pai e da mãe. Na hemoglobinopatia
SC, um gene vem de cada genitor. Em ambos os casos, não há formação de hemoglobina
normal (hemoglobina A). Nas formas heterozigóticas siclemia/b-talassemia, uma
mutação do gene bA pode resultar tanto na incapacidade total na produção da
cadeia de globina bA (b0) quanto em uma redução na sua produção (b+). A criança
com microdrepanocitose herda o gene S de um genitor e o gene da b-talassemia
de outro.
A porcentagem
de hemoglobina normal nas crianças com microdrepanocitose (geralmente menos
de 30% de hemoglobina A) torna o quadro clínico mais ameno. Geralmente essa
é a forma mais leve de anemia falciforme, seguida pela hemoglobinopatia SC.
A hemoglobinopatia S homozigótica e a siclemia/talassemia b0 tem quadros clínicos
comparáveis. Pessoas com traço siclêmico, geralmente, têm mais de 50% de hemoglobina
normal. Esses pacientes são, geralmente, assintomáticos, exceto sob certas circunstâncias.
Diagnóstico laboratorial
A anemia falciforme
pode ser diagnosticada em recém-nascidos, assim como em qualquer outra idade,
por meio da eletroforese de hemoglobinas, por cromatografia líquida de alta
performance ou por análise de DNA. Esses testes têm precisão comparável. A escolha
do teste deve ser feita com base na disponibilidade local de cada um. A análise
do DNA permite o diagnóstico mais preciso em pacientes de qualquer idade, mas
é um exame ainda muito caro.
Testes de
solubilidade (Sickledex ®, Sicklequick ®) não são métodos diagnósticos apropriados.
Embora esses testes identifiquem a hemoglobina S, eles não identificam a hemoglobina
C nem outras variações genéticas. Além disso, são pouco precisos em recém-nascidos,
nos quais a hemoglobina fetal é predominante. Em pessoas com anemia grave, esses
testes também são inapropriados.
Embora haja
hemólise em todas as formas de anemia falciforme, pacientes com hemoglobinopatia
SC ou microdrepanocitose podem não ter anemia significativa. Suspeita-se de
talassemia se a anemia é microcítica e hipocrômica, sem deficiência de ferro.
Conclusão
A anemia falciforme
pode ser diagnosticada em recém-nascidos, assim como em pessoas de qualquer
idade, através da eletroforese de hemoglobinas, cromatografia líqüida de alta
performance ou análise de DNA. Testes de solubilidade não devem ser usados rotineiramente
para diagnóstico de hemoglobinopatias em recém-nascidos.
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