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Anemia em idosos

A anemia não deve ser considerada uma conseqüência inevitável do envelhecimento. Uma causa pode ser definida em aproximadamente 80 por cento dos pacientes idosos. As causas mais comum são as doenças crônicas e a deficiência de ferro. A deficiência de vitamina B12 e de folato, o sangramento gastrointestinal e a síndrome mielodisplásica estão entre as outras causas de anemia nesse grupo de pacientes. A dosagem de ferritina sérica é o exame mais útil para diferenciar a anemia por deficiência de ferro e a causada pela doença crônica. Nem todos os casos de deficiência de B12 podem ser identificados através de níveis séricos reduzidos, e a concentração sérica do ácido metilmalônico pode ser útil nesse diagnóstico. O tratamento efetivo consiste na administração oral da vitamina B12. Nos casos de deficiência de folato, é usado 1 mg de ácido fólico por dia.

A maior incidência de anemia nessa faixa etária levou à especulação de que a redução nos níveis de hemoglobina podia ser uma conseqüência normal do envelhecimento. No entanto, há pelo menos dois motivos pelos quais deve-se considerar a anemia como um sinal de doença. Em primeiro lugar, a maioria das pessoas mais idosas mantém a contagem de eritrócitos, hemoglobina e hematócrito normais. Segundo, na maioria dos pacientes idosos com hemoglobina inferior a 12 g por dL, uma causa subjacente de anemia pode ser encontrada.

Apresentação clínica

Mesmo que a alta prevalência de anemia em idosos faça com que o médico espere encontrá-la freqüentemente, várias características da doença contribuem para que ela seja negligenciada. O aparecimento dos sinais e sintomas costumam ser insidiosos, e muitos pacientes ajustam as suas atividades a sua nova situação, ao mesmo tempo em que o organismo promove uma adaptação fisiológica à condição clínica. Os sintomas clássicos de anemia, como fadiga, fraqueza e dispnéia, não são específicos e tendem a ser atribuídos ao próprio envelhecimento. A palidez é um sinal confiável, e a sua presença deve ser confirmada através de exame de sangue.

Abordagem

A anemia em pacientes idosos deve ser avaliada da mesma forma que em pacientes mais jovens, incluindo uma pesquisa de sangue oculto nas fezes, hemólise, deficiências nutricionais, neoplasias, infecções crônicas (como a endocardite subaguda), doença renal ou hepática, e outras doenças crônicas. Em pacientes sem evidência de uma causa subjacente, a avaliação laboratorial inicial deve incluir um hemograma completo, índices eritrocitários, contagem de reticulócitos e o esfregaço do sangue periférico. (Tabela 1).

Exames
Achado
Possível Etiologia
Hemograma completo
Índices eritrocitários
VCM < 80 um
por célula (80 fl)
VCM > 100 um
por célula (100 fl)
MCV normal
Deficiência de ferro
Anemia de doença crônica
Deficiência de vitamina B
deficiêcia de folato
Doença renal, hepática ou tireoidana,
bem comos as citadas acima
Contagem de plaquetas
e leucócitos
Anormal Déficit primário de produção medular
Esfregaço periférico

Equinócitos
Esferócitos
e fragmentos
Alterações displásticas

Insuficiencia renal crônica
Doenças hemolíticas
Contagem de retículos

<1%

>=1%

Produçao Insuficiente
na presença de anemia
Aumento na produçao, mas não se
podeafirmar que esse aumento ocorre
na proporção adequada; o índice de de reticulócitos pode ser útil
Índice de reticulócitos

<2

>=2

Liberação qdequada de raticulócitos
para a anemia
Resposta inadequada à anemia
VCM = volume corpuscular médio
* -- o índice de reticulócitos é obtido da seguinte fórmula: % de reticulócitos x
(hematócrito do paciente/hematócrito normal)

Os algorítimos usados na avaliação da doença nos pacientes mais jovens são baseados no volume corpuscular médio. Esses algorítimos podem ser menos úteis nos idosos pelo fato de que as alterações clássicas no tamanho dos eritrócitos não costumam ocorrer na doença que acomete essa faixa etária. Os índices eritrocitários revelam uma anemia normocítica e normocrômica, na maioria dos casos. Portanto, deve-se proceder à avaliação inicial da mesma forma que nos pacientes mais jovens, mas, caso não se encontre uma das causas clássicas de microcitose ou macrocitose, um estudo mais detalhado deve ser realizado. Deve-se lembrar ainda que, em alguns casos, a etiologia não é encontrada.

Causas comuns de anemia em idosos
Casos da anemia
Portcentagem de casos
Anemia de doença crônica
30 a 45
Deficiência de ferro
15 a 30
Pós-hemorrágica
5 a 10
Deficiencia de viotamina B12 e folato
5 a 10
Linfoma ou leucemia crônica
5
Sindrôme mielodisplásica
5
Causa não identificada
15 a 25

Referências: Daly MP. Anemia in the elderly.
Am Fam Physician 1989;39:129-36.
Am Fam Physician
2000;62:1565-72.


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