Embora a terapia
hormonal ainda é aprovada para aliviar os sintomas
vasomotores da menopausa em algumas mulheres, estudos recentes
associaram-na com câncer de mama, derrame e doenças
cardíacas e surgiu um interesse maior em tratamentos
não-hormonais.
Mais de 60%
das mulheres entre 45 e 65 anos de idade acreditava que
as terapias “naturais” eram superiores aos medicamentos
com hormônio; um estudo descobriu que, pelo menos,
22% das mulheres na menopausa utilizava terapias “alternativas”
para sintomas como ondas de calor, suor durante a noite
e secura vaginal. Uma pesquisa realizada com clínicas
especializadas no atendimento de mulheres descobriu que,
aproximadamente, 80% utilizavam suplementos dietéticos
botânicos, mas menos de um terço delas informou
o médico a respeito disso.
Krebs e cols
realizaram uma análise sistemática da literatura
sobre a eficiência e a tolerância dos produtos
com fitoestrógeno mais usados.
Os autores
identificaram 40 testes clínicos nas buscas na MEDLINE,
bibliografia de testes e análises e pesquisa em jornais
relevantes e resumos de conferências. Esses testes
foram então revisados na qualidade do projeto e conduta,
relatando especialmente critérios de inclusão,
tipo e dose de fitosterona utilizada, medidas, efeitos adversos,
razões para abandonar ou perder o acompanhamento
e apoio para o teste. 22 testes com um total de 2069 pacientes
satisfizeram os critérios para inclusão no
estudo. Seis desses testes foram realizados nos EUA. O número
de participantes no estudo foi de 24 a 252, com uma média
de idade de 53 anos e a menopausa com média de 4,3
anos. A maioria das participantes (75%) era branca. Todos
os testes compararam o fitoestrógeno com o placebo,
em vez da terapia hormonal. A duração do teste
variou de 4 a 104 semanas; a média de desistência
foi de 15,5%.
Dez estudos
com um total combinado de 995 participantes e um resumo
com 99 participantes pesquisaram os produtos de soja. O
uso diário da isoflavona foi de 34 a 134 mg por dia.
Sete de oito testes que documentaram a freqüência
de ondas de calor não mostraram nenhuma melhora no
grupo de estudo, se comparado com o grupo de controle. Apenas
dois estudos mostraram algum resultado favorável
e em uma sub-escala de questionários de sintomas
subjetivos. Os 7 testes e os 2 resumos envolvendo extratos
de soja utilizaram produtos diferentes e tiveram resultados
misturados, mesmo quando os mesmos resultados foram avaliados;
como, por exemplo, o índice de Kupperman.
Cinco testes,
com um total de 400 pacientes, estudaram os efeitos do trevo
vermelho nos sintomas da menopausa. A freqüência
das ondas de calor foi reduzida entre mulheres que tomavam
trevo vermelho em 2 desses testes, mas não se documentou
nenhuma melhora geral nos sintomas. Dois estudos de óleo
de linho não mostraram comparação estatística
entre os grupos.
As informações
sobre efeitos adversos foram relatadas em 12 testes. Em
2 dos testes com produtos de soja, mulheres que tomaram
produtos de soja (47 a 75%) disseram que tiveram efeitos
adversos gastro-intestinais e em um desses testes, 1/4 das
pacientes que tomavam soja, abandonaram o estudo devido
ao gosto do produto.
Os efeitos
colaterais do estrogênio, como sensibilidade dos seios
e sangramento vaginal foram raros com os produtos ou extrato
de soja.
Os autores
concluem que os produtos com fitoestrógeno não
são mais eficientes que o placebo para aliviar sintomas
da menopausa, independente do tipo ou dose do fitoestrógeno
utilizado.