Os benefícios da terapia
de reposição estrogênica (TRE) em mulheres são bem estabelecidos. Algumas dúvidas
relacionadas ao maior risco de câncer de mama com o uso do estrógeno permanecem,
e demonstrou-se que a utilização do estrógeno sem progestágeno pode provocar
o carcinoma de endométrio. Ainda não foi estabelecido se a TRE aumenta o risco
de câncer de mama em pacientes com biópsias prévias demonstrando lesões benignas
da mama. Por outro lado, antes da publicação de dados em 1985, acreditava-se
que essas pacientes apresentavam um risco duas a três vezes maior de câncer
de mama. Utilizando dados obtidos no Nashville Breast Cohort, Dupont e colaboradores
avaliaram o risco de câncer de mama em mulheres que apresentavam lesões benignas
de mama em biópsias anteriores e realizavam TRE.
O estudo incluiu pacientes
submetidas a biópsias de mama que revelaram fibroadenoma ou tecido mamário normal.
As pacientes que posteriomente desenvolveram câncer de mama ou carcinoma in
situ que foram submetidas a mastectomia foram excluídas do estudo. A TRE foi
definida como o uso de estrogênios não-contraceptivos por um período de pelo
menos um mês após a menopausa ou após os 40 anos de idade. A idade da menopausa
considerada foi aquela na qual ocorreu a interrupção completa dos ciclos menstruais,
assumindo ser o caso quando as mulheres utilizaram TRE após os 40 anos de idade.
A época da menopausa não pôde ser estabelecida em 20% das pacientes. O acompanhamento
foi suspenso quando houve diagnóstico de câncer de mama (4,7%), mastectomia
bilateral por outras causas (3,8%), perda do acompanhamento (2,9%), óbito por
outras causas (10,6%) ou término do questionário do estudo (78,1%). Todas as
lâminas, com e sem diagnóstico de câncer de mama, foram analisadas novamente
por patologistas que não conheciam a evolução das pacientes.
Um total de 9.494 pacientes
foram incluídas na coorte inicial e, após a aplicação dos critérios de exclusão,
5.813 mulheres participaram do estudo. Mais de 96% das pacientes eram brancas.
O tempo médio de seguimento foi de 20 anos, representando um acompanhamento
de 190.845 mulheres-ano. Demonstrou-se que as mulheres que utilizavam a TRE
atingiam a menopausa em idade mais jovem (46 anos de idade, em vez de 48 anos),
apresentavam uma maior incidência de filhos e uma taxa inferior de menopausa
natural, quando comparadas com as mulheres que não utilizavam a TRE. Dentre
as pacientes acompanhadas, foram confirmados 444 casos de câncer de mama. Entretanto,
não foram encontradas diferenças no risco relativo de câncer de mama invasivo
em pacientes com doença proliferativa da mama identificada na biópsia quando
foram comparadas as pacientes que utilizavam e aquelas que não utilizavam a
TRE. Entre as mulheres com diagnóstico inicial de fibroadenoma complexo, o risco
relativo nas usuárias de TRE foi de 1,57, em comparação com 1,46 nas pacientes
que não utilizavam a TRE. Naquelas sem diagnóstico de hiperplasia atípica ou
fibroadenoma, esses riscos foram de 1,0 para o grupo da TRE e 1,27 para aquelas
que não usavam TRE. As diferenças encontradas não foram estatisticamente significativas.
Além disso, demonstrou-se que o antecedente familiar de câncer de mama (mãe,
irmã ou filha) não alterou o risco da doença em usuárias da TRE.
Os autores concluem que
não há elevação no risco de câncer de mama associado com a TRE em mulheres submetidas
a biópsias da mama que revelaram lesões benignas. Dessa forma, a TRE não é contra-indicada
nesse grupo de pacientes no período pós-menopausa.
Referência:
Dupont WD, et al. Estrogen replacement therapy in women with a history of proliferative
breast disease. Cancer March 15, 1999;85:1277-83.