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Tratamento não-invasivo da neoplasia miomietral sintomática

A histerectomia tem sido o tratamento de escolha para as neoplasias miometrais, como o mioma uterino e a adenomiose, já que é o único procedimento que pode, com segurança, excluir definitivamente os sintomas mais freqüentes dessas doenças, como metrorragia e dor pélvica. No último encontro do American College of Obstetricians and Gynecologists, nos EUA, foram apresentados 3 trabalhos que exploravam possibilidades menos invasivas para o tratamento das neoplasias miometrais.

Tratamento de miomas com interferon

Num estudo realizado no Egito, os autores examinaram 40 mulheres com mioma uterino que apresentavam sangramento vaginal anormal. Vinte mulheres que não tinham mioma nem anormalidades no ciclo menstrual serviram de controle.

Os investigadores mediram o fator básico de crescimento dos fibroblastos (b-FGF) no soro de todas as mulheres. Descobriram que as mulheres com mioma tinham níveis elevados de b-FGF (p<.05). Posteriormente, demonstraram que o tratamento por 1 semana com interferon alfa diminuía não apenas a duração e a quantidade do sangramento, como também o volume do útero, avaliado por US.

Embolização da artéria uterina

O trabalho de 2 grupos utilizou a embolização da artéria uterina como tratamento para miomas. Young e cols estudaram 20 mulheres com mioma. As pacientes sintomáticas foram submetidas a embolização da artéria uterina com partículas de polivinil. Os cateteres foram introduzidos pela veia femoral. Todas as mulheres tiveram resolução da metrorragia e diminuição do volume uterino em 40-60%. As pacientes foram seguidas por um ano e os benefícios do tratamento se mantiveram neste período.

Burbank e cols demonstraram em um modelo animal que a cateterização transvaginal das artérias uterinas era possível com o uso da US como guia. Utilizando este método, eles puderam cateterizar seletivamente a circulação uterina e realizar a embolização. A punção percutânea não foi necessária, uma vez que os cateteres puderam ser introduzidos por via transvaginal.

Em resumo

As mulheres podem se beneficiar de outros tratamentos para as neoplasias miometrais além da histerectomia. O tratamento ideal deve ser seguro, efetivo no alívio dos sintomas, minimamente ou totalmente não-invasivo, de fácil convalescença e com efeitos duradouros.

Os experimentos descritos acima demonstraram o potencial de dois tipos de abordagem: a interferência farmacológica com fatores de crescimento e a oclusão do suprimento sanguíneo para o útero, por via percutânea ou transvaginal.

Embora os resultados sejam preliminares, vislumbra-se uma era em que a histerectomia não seja mais a principal escolha no tratamento dos miomas. Resta saber o quanto estes tratamentos conservam a capacidade do útero em abrigar futuras gestações e qual o comportamento durante um possível trabalho de parto.

Ref.: American College of Obstetricians and Gynecologists 48th Annual Clinical Meeting . San Francisco, California. May 20-24, 2000.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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