Tratamento dos sintomas sexuais da menopausa
Aqueles
que após a 2ª Guerra Mundial promoveram a revolução sexual dos anos 60 e 70
e atingiram a meia-idade estão agora liderando uma nova revolução. Não estão
discutindo pela primeira vez apenas a disfunção sexual, de forma aberta, mas
procuram encontrar soluções. As mulheres na pós-menopausa descobriram que não
precisam experimentar os problemas sexuais desse período em silêncio, e muitas
estão procurando ajuda antes desses problemas se tornarem crônicos.
Fazendo o diagnóstico adequado
O primeiro passo para o
tratamento das disfunções sexuais na meia-idade consiste em um exame físico
completo e uma boa história clínica, obtidos por um médico especialista nessa
área. Pode ser um ginecologista, uroginecologista ou psiquiatra envolvido no
tratamento das disfunções sexuais. Não se preocupe com a idéia de procurar um
psiquiatra. Os distúrbios sexuais podem ter origem física e psíquica - como,
por exemplo, na associação de depressão e dor causada pela atrofia do tecido
de revestimento da vagina. É difícil tratar o corpo sem se preocupar com a mente.
Existem inúmeros distúrbios
orgânicos que podem interferir com a atividade e o prazer sexual nesse período
da vida, entre os quais podemos destacar: a vulvodínea, uma síndrome dolorosa
crônica que acomete a vulva e afeta milhares de mulheres; o vaginismo, que consiste
em contrações involuntárias de músculos da vagina que dificultam ou impedem
a relação sexual; e a vaginite atrófica, causada pela perda da lubrificação
vaginal em decorrência da diminuição dos níveis de estrógeno após a menopausa.
Em alguns casos, o distúrbio pode ser causado por níveis reduzidos de testosterona,
o hormônio sexual masculino. Problemas psiquiátricos, como a depressão ou a
ansiedade, também podem estar envolvidos.
Embora níveis reduzidos
de testosterona provoquem diminuição da libido, perda da lubrificação vaginal
e outros distúrbios, como problemas de relacionamento também podem causar distúrbios
semelhantes. Exames de sangue podem identificar mulheres com níveis reduzidos
de testosterona. Quando a mulher apresenta níveis normais de testosterona mas
se queixa de diminuição da libido, devem ser pesquisadas outras possíveis causas
para o problema.
Os distúrbios sexuais mais
comumente diagnosticados entre as mulheres incluem:
Desejo sexual hipoativo
- diminuição da libido
Distúrbio da excitação
sexual feminina - ausência de resposta adequada ao estímulo sexual, afetando
a lubrificação vaginal e o fluxo sangüíneo para a região genital
Distúrbio do orgasmo
feminino - o orgasmo não é atingido plenamente ou é atingido com dificuldade
Dispareunia -
dor durante a relação sexual, geralmente causada pela vaginite atrófica
Encontrando a melhor solução
Várias opções terapêuticas
encontram-se disponíveis para a disfunção sexual feminina, mas a escolha do
melhor método requer uma avaliação médica adequada. Em alguns casos, deve-se
inicialmente rever os medicamentos de uso prolongado utilizados pela paciente.
As mulheres com hipertensão arterial e diabetes, por exemplo, podem apresentar
distúrbios sexuais tanto em decorrência de certos medicamentos como por alterações
em pequenos vasos sangüíneos que dificultam o fluxo de sangue para os órgãos
genitais.
Para o tratamento da hipertensão,
deve-se empregar uma droga que não provoque disfunção sexual. Da mesma forma,
alguns antidepressivos podem causar problemas sexuais. A bupropiona (Zyban)
e a nefazodona (Serzone) apresentam menos efeitos colaterais relacionados
à função sexual que as drogas como o Prozac, conhecidas como inibidores seletivos
da recaptação da serotonina.
Em muitos casos, a associação
de terapia sexual e outras modalidades terapêuticas é bastante eficaz. Receitar
um remédio, isoladamente, pode não ser suficiente para resolver os distúrbios.
Se houver problemas de relacionamento, os medicamentos não serão eficazes, e
os problemas podem ser solucionados com o aconselhamento do casal. A terapia
sexual utiliza exercícios específicos para aumentar o prazer sexual. Se os problemas
estão relacionados à depressão, o tratamento deve ser baseado em antidepressivos
ou terapia. Quando o problema se deve a níveis reduzidos de testosterona, a
associação de reposição hormonal e terapia sexual pode ser eficaz. Essas modalidades
terapêuticas atuam em conjunto para melhorar a vida sexual da mulher.
Tratamentos disponíveis para a disfunção sexual feminina
Reposição de estrógeno
- A perda da lubrificação vaginal é um problema comum durante a peri-menopausa
e entre as mulheres na pós-menopausa que não utilizam a terapia de reposição
de estrógeno. Os tecidos dos órgãos genitais possuem receptores para esse hormônio,
na ausência do qual, por período prolongado, passam a atrofiar. Esse efeito
é revertido através da reposição de estrógeno, que pode ser realizada de várias
formas diferentes. O hormônio pode ser administrado através de comprimidos ou
adesivos, sendo empregado para o tratamento ou a prevenção de diversas condições
relacionadas à menopausa. Existe ainda a possibilidade de realizar um tratamento
localizado, especificamente utilizado em problemas vaginais. O produto mais
recente dessa classe de medicamentos é o VagiFem (Pharmacia),
um comprimido de estrógeno que é inserido na vagina duas vezes por semana para
o tratamento de irritações e da atrofia vaginal. Outros produtos incluem cremes
vaginais e o Estring (Pharmacia), um anel vaginal plástico flexível
que libera 2 miligramas de beta-estradiol e que deve ser substituído a cada
três meses, ajudando a restituir o tecido vaginal normal. O Estratest
(Solvay Pharmaceuticals), uma combinação de estrógeno e testosterona
aprovada para o tratamento dos sintomas da menopausa, mostrou-se eficaz em algumas
mulheres com diminuição da libido.
Reposição de testosterona
- Conforme discutido anteriormente, a deficiência de testosterona pode causar
diminuição da libido, perda da lubrificação vaginal e outros distúrbios sexuais
na meia-idade. A reposição desse hormônio, sob a forma de adesivos, pode aumentar
a libido de mulheres com essa deficiência. Um estudo publicado na edição de
setembro de 2000 do New England Journal of Medicine demonstrou que a utilização
de adesivos de testosterona melhorou a função sexual e a sensação de bem-estar
em mulheres na menopausa pós-cirúrgica e que realizavam reposição de estrógeno.
Em um pequeno estudo controlado (com placebo) publicado em fevereiro de 2000
no Archives of General Psychiatry, o uso sublingual de comprimidos de
testosterona apresentou efeitos benéficos sobre a função sexual de 8 mulheres
submetidas a estímulos sexuais.
Esses trabalhos são promissores,
mas deve-se lembrar que a testosterona apresenta efeitos colaterais, como o
aparecimento de acne, o crescimento de pêlos e a elevação do colesterol "ruim".
Ainda não existem diretrizes para a administração de testosterona para mulheres,
conforme ressalta a Dra. Bartlik. O American College of Obstetricians and Gynecologists
recomenda cautela para os médicos que prescrevem testosterona, tendo em vista
que os efeitos do uso prolongado desse hormônio ainda não são conhecidos.
Suplementos
- Existem diversos suplementos vendidos sem prescrição médica que podem melhorar
o desempenho sexual. O ArginMax (Daily Wellness Company) é um
dos poucos que foram avaliados em estudos clínicos. É produzido a partir da
L-arginina, ginseng americano, folha de damiana, ginkgo biloba, vitaminas e
niacina. A L-arginina é utilizada na produção do óxido nítrico, substância que,
entre outras coisas, promove o relaxamento do músculo liso encontrado nos vasos
sangüíneos, permitindo um maior fluxo sangüíneo para os órgãos genitais. Alguns
estudos sugerem que o ginseng aumenta a conversão de L-arginina em óxido nítrico,
além de melhorar a circulação microvascular. Acredita-se que a folha de damiana
seja um estimulante sexual.
Um estudo com o ArginMax,
conduzido pelo Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Stanford University,
distribuiu aleatoriamente 49 mulheres entre 25 e 70 anos de idade que receberam
comprimidos com o produto ou com placebo durante 4 semanas. Entre as mulheres
que utilizaram o ArginMax, 76% relataram aumento do desejo sexual, 60% relataram
aumento de sensibilidade do clitóris durante o estímulo sexual, e mais de 50%
relataram um aumento na freqüência de orgasmos. Cerca de um terço das pacientes
que receberam placebo também relataram melhor desempenho sexual. Resultados
semelhantes foram encontrados na avaliação dos adesivos de testosterona, sugerindo
um componente emocional na origem dos distúrbios sexuais. As mulheres com tendência
a problemas de sangramento e que utilizam anticoagulantes não devem receber
suplementos contendo gingko, tendo em vista o seu efeito anticoagulante.
Deidroepiandrosterona
(DHEA) - Esse hormônio, produzido pelas glândulas adrenais, é convertido
pelo organismo em estrógeno e testosterona. Os níveis de DHEA começam a diminuir
por volta dos 30 anos de idade, e alguns especialistas acreditam que a reposição
desse hormônio aumenta os níveis de estrógeno e testosterona. Alguns afirmam
que a DHEA também apresenta ação sobre a libido.
Lubrificantes vaginais
- As mulheres que apresentam perda de lubrificação vaginal antes ou
durante a menopausa, e que não desejam tomar hormônios, podem encontrar vários
lubrificantes nas farmácias. Entre os produtos disponíveis que podem melhorar
os sintomas e ajudar a aumentar o prazer sexual, encontram-se o gel K-Y, Astroglide
(Biofilm, Inc), Vagisil Intimate Moisturizer (Combe), e
o Replens (Columbia Laboratories). Estes produtos são a base de
água e podem ser utilizados com preservativos.
Novidades a caminho
Vários produtos estão sendo
testados no tratamento dos distúrbios sexuais femininos, incluindo: cremes vasodilatadores;
adesivos de testosterona; um creme produzido a partir da combinação de óxido
nítrico e substâncias extraídas de uma árvore africana; e um esteróide oral
sintético, o Livial (Organon), utilizado na Europa para o tratamento dos sintomas
da menopausa.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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