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Terapia de reposição hormonal altera a sensibilidade da mamografia

Um estudo realizado na Austrália demonstrou que a mamografia, para avaliação de câncer da mama, é menos precisa em mulheres que estão sob terapia de reposição hormonal (TRH), quando comparadas às mulheres que não estão recebendo hormônios, com um aumento, tanto nos exames falso-positivos, quanto nos falso-negativos.

Se esses achados forem confirmados, as informações sobre a forma de interferência da TRH na acurácia da mamografia para detecção de câncer de mama, serão de grande valia para determinar se as mulheres devem ou não fazer TRH, como afirmam a Dra. Anne Kavanagh e cols, na edição de janeiro da Lancet.

Os investigadores examinaram os efeitos da TRH na sensibilidade da mamografia na detecção de câncer de mama em 103.770 mulheres de mais de 40 anos. Eles utilizaram um protocolo da cidade, para calcular a sensibilidade, especificidade e capacidade de diagnóstico de cânceres pequenos nessas pacientes nos dois anos seguintes.

A sensibilidade da mamografia no intervalo de 2 anos foi de apenas 64,8% nas mulheres que usavam TRH, comparada a 77,3% entre as que não utilizavam TRH. No grupo de mulheres de 50 a 69 anos, a sensibilidade foi de 64,3% entre a que faziam TRH contra 79,8% entre as que não faziam. Entre as mulheres nas quais não se diagnosticou câncer de mama nesses 2 anos, as que faziam TRH tiveram uma chance 60% maior de resultados falso-negativos na mamografia. Entre as mulheres que não apresentaram câncer nesse período, as que faziam TRH tiveram 12% mais chance de resultados falso-positivos.

"Se a sensibilidade da mamografia entre as mulheres que faziam TRH fosse a mesma que entre as que não usavam esse método, teriam sido diagnosticados 23 casos de câncer a mais, ou seja, 20% mais casos", calcularam os pesquisadores.

Os autores chamam a atenção para o fato de que o uso da TRH aumenta a densidade do tecido mamário, o que diminui a sensibilidade da mamografia na detecção precoce do câncer de mama.

O próximo passo do estudo será verificar se todos os esquemas de TRH afetam a mamografia da mesma forma. Falta, também, verificar se a suspensão da TRH por um curto período, anterior à realização da mamografia, pode interferir na perda de sensibilidade do exame.

Referência: Lancet 2000;355:270-274.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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